Como vejo meu futuro
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Mais uma história de uma mãe de adolescente

Mais uma história de uma mãe de adolescente
Mais uma história de uma mãe de adolescente

Meu filho mais velho tinha uma atividade na escola no sábado de manhã. Os pais poderiam participar, porque haveria várias apresentações sobre voluntariado. Fomos caminhando juntos até a escola. No trajeto, perguntei sobre as atividades que seriam apresentadas e qual seria a necessidade da minha presença.

Ele me disse que eu não precisava ir; que eu que tinha assumido que deveria ir. Senti, por seu comentário, que talvez ele não quisesse minha presença. Perguntei se ele preferia que eu não fosse, se achava que teria vergonha de entrar comigo na escola. A resposta foi pronta: SIM. Ele preferia que eu não fosse. E complementou que ficava, sim, envergonhado da minha presença… que todos os adolescentes ficam.

Caminhamos mais um pouco juntos e, antes do portão da escola, dei algum dinheiro para que ele pudesse tomar um lanche, dei um beijo e me despedi. Voltei para casa. Falei para que ele me ligasse se precisasse de alguma coisa.

Se eu fiquei chateada? Não.

Meu filho é um menino maravilhoso. Carinhoso, comunicativo, bom aluno, inteligente, tem um ótimo grupo de amigos e tem 15 anos. Ele fala da sua vida, das suas conquistas, do seu aprendizado, dos problemas que enfrenta. Ele sabe que estou aberta para falar de todos os assuntos que quiser. Falamos sobre drogas, sobre bebida, sobre carreira, sobre meninas.

Eu sei que a colocação dele sobre minha presença na escola não foi ofensiva ou querendo me agredir. Ele apenas foi sincero e usou a liberdade que eu sempre dei a ele para falar o que sentia, sem precisar se sentir melindrado ao dizer o que quer que seja.

Faz 30 anos que passei por essa mesma idade. E, mesmo após tanto tempo, lembro-me exatamente como era. O adolescente não deixa de amar os pais ou de admirá-los. Ele precisa saber que os pais estão próximos e disponíveis para conversar ou ajudar a resolver os problemas. Mas eles precisam de espaço. Precisam ganhar autonomia. Eles têm necessidade de sentir que são capazes de resolver os próprios problemas, criar vínculos com os amigos. E desejam evitar qualquer tipo de situação vexatória ou que possam pensar que ele vive sob supervisão ou superproteção ou opressão.

Eu passei por tudo isso. É uma parte importante. Tenho que me policiar o tempo todo; afinal, como mãe, tenho uma tendência a querer resolver os problemas por ele, tomar a frente, proteger, cuidar em excesso. Os pais parecem entender a necessidade de independência com mais naturalidade. As mães sofrem mais. Mas estou aprendendo. Tento sempre recorrer à minha própria história, às minhas lembranças e sensações daquela época. Isso facilita muito.

Espero estar acertando.

– Sílvia Souza

 

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12 Comments
  • Carlos Moya disse:

    Claro que faz bem, sim está pronta para receber uma bronca deles de vez em quando por querer ajudar muito Um abraço.

  • Alex André disse:

    Eu me lembro que adorava quando meus pais iam a escola, mas minha mãe é que tinha receio e vergonha, porque achava que iria me constranger perante os meus amigos. Acontece que eu nunca tive amigos…

    • Alex, meu querido…
      Também fui muito solitária durante toda minha vida…
      Você tem a mim, se isso ajudar…
      Sou meio estragada, meio triste, deprimida e desencaixada no nosso mundo atual, mas tenho um amor profundo por você!
      Um beijo grande, com todo meu carinho!

    • claudio kambami disse:

      Meu amigo se isso lhe conforta, tive poucos amigos em minha infância e juventude, nunca fui de andar em grupinhos, sempre fui meio solitário mesmo, até pelo fato de ver o mundo com uma ótica diferente dos de minha idade.
      Você é uma pessoa que até comentei com a Silvia que gostaria de conhecer quando estiver ai em Sampa, se topar quando eu estiver apto a ir aviso com bastante antecedência para nos encontrarmos e papear seja num café ou onde preferirem. 😉

  • claudio kambami disse:

    Nenhum filho tem vergonha de seus pais apenas eles querem voar para ver se suas assas são capazes de sustentá-los. Tudo é uma experimentação. Dar espaço a isso é compreender o que muitos dizem que os filhos não são nossos e sim do mundo. Acho que todo pai e mãe já passou por uma situação assim, não é sempre mas as vezes isso é importante tanto para eles como para nós mesmo.

  • Adoro a sinceridade que transmite em seus textos, Silvia! Não passei por isso de ter vergonha de estar com meus pais, mas há programas que eu adorava fazer com eles até meus doze anos que hoje só faria com amigos, pois me sentiria sem graça de fazer com eles…

    Beijos e excelente semana!

    • Eu acho que isso é normal e todos nós passamos por isso.
      Mas quando estamos no papel de mãe, talvez algumas pessoas tenham mais dificuldade de aceitar essa mudança.
      Beijo!

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