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Mãe, mulher e pessoa altamente sensível

Mãe, mulher e pessoa altamente sensível
Mãe, mulher e pessoa altamente sensível

Em julho do ano passado, depois de mais de 40 anos de vida, descobri que sou uma Pessoa Altamente Sensível (Uma Pessoa Altamente Sensível). Quando fiz o teste e li as características, chegando a essa conclusão brilhante que alterou completamente a forma de eu olhar para mim mesma, contei para meu filho mais velho. Ele olhou para mim com a cara mais natural do mundo e me disse: “Só você não sabia!”

Eu sou mãe de dois meninos maravilhosos, que me ensinam coisas todos os dias. O fato de ser mãe e de cuidar deles, protegê-los e ajudá-los não me transforma em um ser sobrenatural. Continuo sendo uma pessoa, uma mulher, que sente, chora, ri, emociona-se, sofre, tem medo, insegurança… e, além de todos esses sentimentos normais, tenho esse aspecto da minha personalidade de ser sensível demais. E eles já sabiam disso muito antes que eu mesma percebesse.

Há um livro da Dra. Elaine Aron que ensina os pais a lidarem com uma criança altamente sensível. Mas nunca achei algo que pudesse orientar um filho sobre como tratar uma mãe que tenha essa característica.

Choro se suponho que eles queiram ficar com o pai e não comigo; entristeço-me se percebo que eles se esqueceram de me telefonar; fico irritada, faço birra, evito abraçar e ajo como uma criança mimada ao ser contrariada. O que exijo deles? Que eles tenham a maturidade de me entender e que saibam os meandros da minha alma e a forma exata de lidar com esse temperamento em que cada mínimo estímulo é amplificado ao extremo?

Resolvi perguntar ao meu filho mais velho (que estava aqui comigo no momento) o que havia de bom e ruim nesse meu traço de personalidade. E aqui transcrevo a resposta dele:

É bom, por exemplo, que você é altamente sensível, então, qualquer coisa que seja boa é altamente boa e a reação é fantasticamente fantástica. É reação enorme de afeto; é reação enorme de orgulho, de tudo. A parte ruim, por outro lado, é que às vezes acontecem algumas coisas que na cabeça de muitos são pequenas, mas que você interpreta como sendo alguma coisa muito mais profunda; o que não necessariamente é ruim, porque você pode detectar coisas que as outras pessoas não veem. Só que, em muitos cenários, é péssimo, porque você pode acabar se ofendendo por coisas que não foram feitas para serem ofensivas. É isso.

E percebo que a relação mãe-filhos não é unilateral. Não temos que ser detentoras de todas as respostas, donas de todas as decisões, sabedoras de tudo o que é bom e o que é ruim. Da mesma forma como não temos um manual para saber como lidar com cada choro do nosso filho, eles também estão aprendendo a conhecer as pessoas e os pais são as pessoas mais próximas e que serão os principais objetos de estudo.

Os filhos analisarão cada reação, cada olhar, cada sorriso sincero ou não, cada incerteza, cada carinho ou raiva ou irritação. Saberão quando estivermos sendo justos em uma punição ou se estamos apenas descontando nosso cansaço ou nossas frustrações.

Da mesma forma que aprendemos a ser mães (ou pais) na tentativa e erro, eles aprendem a testar as reações humanas em nós; somos as cobaias desses pequenos seres que estão aprendendo a existir. O que fizermos será analisado, estudado, copiado, criticado… E eles serão capazes de entender quem somos muito antes de nós mesmos e com mais sabedoria do que qualquer livro de psicologia.

Não precisa muito para que esse aprendizado bilateral dê certo. Precisa apenas de honestidade, sinceridade, que ninguém tenha medo de errar ou de mostrar seu lado mais humano e sensível. Ao mostrarmos quem somos de verdade aos nossos filhos, estamos permitindo que eles validem seus modelos, que balizem suas expectativas e que se tornem mentes mais saudáveis ao lidar com o que vier de desconhecido pela frente.

– Sílvia Souza

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6 Comments
  • Ana Azevedo disse:

    O teu filho é um rapaz inteligente 🙂

  • Xandy Xandy disse:

    Trabalhar com nossa sensibilidade é algo realmente difícil. Mas não vejo problema nenhum em ser muito sensível, já que vivemos em um mundo de pessoas frias e despreocupadas umas com as outras.
    Parabéns pela coragem em compartilhar sua história de vida, amiga.
    Um grande beijo pra ti, Silvinha.

  • Marcia Cogitare disse:

    Achei graça da resposta do teu filho, que garoto inteligente e analítico.
    Vc tem feito um bom trabalho como mãe me parece.

    Fiquei pensando, se existe pessoas altamente sensíveis, acredito que exista pessoas altamente insensíveis o que dever ser altamente irritante 😘

    Hug

    • Silvia Souza disse:

      Márcia, acho que a coisa mais fácil que existe é uma mãe elogiar o filho… A gente vê montes de qualidades…
      😊😘

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