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Livro “Vozes Roubadas” de Zlata Filipović

Livro “Vozes Roubadas” de Zlata Filipović
Livro “Vozes Roubadas” de Zlata Filipović

Título original: Stolen Voices: Young People’s War Diaries, from World War I to Iraq

Primeira Publicação: 2006

Editora: Companhia das Letras (2008)

ISBN13: 9788535912104

Sinopse: Durante a guerra,o diário de uma criança pode se tornar uma ferramenta poderosa. Ele funciona como um instantâneo do momento, e registra os acontecimentos da maneira menos enviesada possível, pois ainda não carrega o peso de uma análise feita após os fatos. Basta lembrarmos do diário de Anne Frank, a garota judia que durante dois anos se escondeu com a família num anexo secreto do escritório do pai, e do impacto que ele teve no pós-guerra.Da mesma maneira, foi com seu diário que Zlata Filipova,uma das editoras desse livro, alertou o mundo para os horrores da guerra da Bósnia. Em Vozes roubadas, Zlata e Challenger resgataram catorze diários de conflitos, todos escritos por crianças ou jovens, da Primeira Guerra Mundial à mais recente invasão do Iraque, passando pelo Vietnã, pela Intifada e por diversos momentos da Segunda Guerra Mundial. É o caso da jovem russa, que ingressa no front em 1940 atrás de um grande amor. Ou da menina de Cingapura, que narra as agruras de sua vida numa prisão japonesa. Esses diversos pontos de vista compõem um rico mosaico dos conflitos que abalaram o século XX e o XXI. No Oriente Médio, por exemplo, acompanhamos tanto o dia-a-dia de uma garota palestina durante a ocupação como o de uma jovem judia, vivendo sob o pavor dos ataques terroristas. Sem se ater a lados políticos ou visões específicas, Zlata e Challenger dão voz àqueles que a guerra procurou, direta e indiretamente, calar.

 

Apesar de “O Diário de Anne Frank” ser uma descrição juvenil, alguns detalhes da Segunda Guerra Mundial e da forma como tinham que viver os judeus que permaneceram em seus países emocionam pessoas de todas as idades.

“Vozes Roubadas” traz uma compilação de trechos de diários de crianças e adolescentes em várias guerras: Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, Guerra do Vietnã, Guerra do Iraque e outras. Na maioria das descrições, a mesma linguagem juvenil e simples.

Mas tem aquela coisa que dá um nó no estômago. Talvez incompreensão. Os questionamentos sobre as decisões políticas de conflitos que afetam a vida de milhares ou milhões de pessoas.

Fiquei imaginando o que deve ser, de um momento para outro, ter a rotina interrompida por uma Guerra iniciada. Um dia, como outro dia qualquer, acorda-se com explosões, bombas e passa-se a ter que conviver com a falta de água, falta de eletricidade, falta de comida, falta de liberdade. E um ódio (que não parte do indivíduo normal e não é partilhado por ele) atinge a todos: crianças, velhos, homens, mulheres, animais.

De um momento para outro, pode-se ser retirado de sua casa e levado para uma prisão ou um campo de concentração ou de refugiados. Vêm a fome, as doenças, os maus tratos, as torturas.

Como podem algumas pessoas detentoras do poder decidir o que bem entenderem, quando deveriam representar e defender os interesses dos mais fracos?

Não consigo imaginar uma única situação em que a guerra e a violência sejam justificadas.

Uma leitura como essa faz com que eu valorize cada minuto da minha vida, cada carinho que recebo, cada abraço que dou, cada sorriso sincero que vejo nas faces das pessoas que eu amo.

Nossa existência é muito frágil. E a vida de cada um de nós, da forma como é vivida, que nos parece uma coisa concreta e sólida, pode mudar de uma hora para outra.

 

– Sílvia Souza

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8 Comments
  • M.Raydo disse:

    Um dia desses estava um pouco aborrecido com a vida e com certas coisas que acontecem conosco. Imaginava se seria um teste, uma provação ou apenas uma mera casualidade. Entrei no banho, um tanto quanto detestável e cheio de rancor, então, no meio daquela água corrente e quentinha como um abraço, percebi o quanto seria muito pior se estivésse preso, com fome, com pessoas estranhas e em uma situação deplorável como esta que você mencionou. Aí, me seti feliz, aliviado e segui em frente com força total! Graças ao invisível…. estamos livres e cheios de sonhos! Que nunca tenhamos que entrar em nenhum destes testes da vida… não sei se suportaria! 🙁

    • Sílvia Souza disse:

      Também acho que eu não suportaria… Acho que entregaria os pontos… desistiria de lutar…
      Eu sempre fiquei me perguntando sobre o tamanho da vontade de viver dessas pessoas que passaram por coisas tão terríveis e prosseguiram…
      Haja esperança!

      • M.Raydo disse:

        Temos obrigações com nossos corpos e desistir nunca deve ser uma opção! Nunca mesmo! Alguns chamam esta nossa experiência de “passagem”, e pensando bem, olha só como tudo passa super rápido! Estes dias eu era um menino!!! Ainda bem que estamos em uma posição tranquila e confortável em relação a estas pessoas… que continue assim, né?!

        • Sílvia Souza disse:

          Não sei se temos “obrigações”… Acho que a gente assume deveres e obrigações em excesso…
          Não acredito em outras vidas. Acho que continuamos vivendo apenas através dos nossos filhos e das memórias das pessoas que nos amaram.
          Não discuto isso de fato, porque não existem certezas e cada pessoa pode ter sua própria opinião (seu “achômetro”… 😊).
          Mas imagina… Um dos diários que consta no livro era de uma menina que passou a morar no subterrâneo de uma casa durante a Segunda Guerra. Parecido com a história da Anne Frank. Mas eles ficaram em 8 em um buraco, onde não conseguiam ficar em pé… em uma casa na Polônia, sendo ajudados pelos donos da casa. A abertura por onde entrava o ar era uma porta embaixo da cama em um dos quartos. E, em alguns momentos, a casa abrigou soldados nazistas.
          Eles ficavam sem água, não podiam fazer um som… E as necessidades eram feitas em baldes que precisavam ser esvaziados… 😧
          E isso durou 3 anos!!!
          Puxa!!! É muita provação…

          • M.Raydo disse:

            Bom, então, para não sermos polêmicos e não entrarmos em suposições sobre se continuamos após a morte ou não, vamos focar nesta única existência. Já pensou como somos felizes pra caramba?! Não sei o porquê do sofrimento desta família que viveu em um buraco, se tiver um propósito, seja qual for, só posso crer que o desafio foi cumprido, não é mesmo?!
            Hoje estava levemente triste, por uma série de coisas, mas pensando bem e diante deste cenário horroroso, só posso crer que temos muita sorte e a felicidade de continuarmos livres e muuuito tranquilos!!! Celebremos a vida!!! Aproveitemos o que temos em nossas mãos! 🙂

  • Sílvia Souza disse:

    Então… eu concordo…
    Por isso, quero fazer contar cada minuto da minha vida…
    Não preciso fazer loucuras ou experimentar de tudo… apenas ter momentos especiais com as pessoas que amo!

  • Ei Silvia, te indiquei em uma Tag, Espero que curta… https://casuismo.wordpress.com/2015/07/12/tag-7-coisas/

    Abraços

  • M.Raydo disse:

    Olá! Aproveitei para te indicar em uma brincadeira que, sinceramente não precisa fazer se não desejar, mas veja como uma lembranca carinhosa e admiraçnao pelos seus textos.
    Sei que talvez este tipo de coisa não caiba em seu Blog, mas como gosto muito de seus textos, resolvi te marcar em uma TAG. Uma espécie de questionário que está rolando na internet em que eu também fui indicado. Se quiser responder e indicar outras pessoas, para que esta tal corrente não se quebre, super legal, faça isso. Porém, se achar que não se encaixa em seu Blog, entendo completamente, mas entenda esta minha atitude, de indicar você, como uma espécie de homenagem e respeito pelos seus textos!
    É isso e fique bem! 🙂
    M.

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