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Livro “Uma rua de Roma” de Patrick Modiano

Livro “Uma rua de Roma” de Patrick Modiano
Livro “Uma rua de Roma” de Patrick Modiano

Título Original: Rue des boutiques obscures

Primeira Publicação: 1978

Tradutor: Herbert Daniel e Cláudio Mesquita

Editora: Rocco (11-2014)

ISBN13: 9788532502551

Sinopse: Publicado originalmente em 1978, “Uma rua de Roma” recebeu a um só tempo o Grande Prêmio de Romance da Academia Francesa e o Goncourt, mais importante prêmio literário de língua francesa, assegurando a consagração do jovem Patrick Modiano. No romance, o autor segue as pistas do que restou de lembranças a um detetive particular, evocando o tema que o consagrou: a memória, em constante embate contra o esquecimento. Guy Roland é um detetive particular que sofre de amnésia há quinze anos. Na tentativa de elucidar o segredo de sua identidade, ele sai em busca de pessoas que possam lhe oferecer pistas acerca de seu passado e das circunstâncias que causaram seu problema. Atuando como uma espécie de detetive de si mesmo, ele percorre ruas obscuras e bares enfumaçados de Roma ou de Bora-Bora, em sua incansável investigação. Modiano se apropria de alguns dos recursos narrativos da literatura e do film noir, retrabalhando-os com rara inteligência na insólita busca do protagonista pela própria identidade. O protagonista se insere em ambientes característicos da narrativa policial: ruas mal-iluminadas, bares enfumaçados, apartamentos decadentes. Ele investiga, mas não busca provas – quer apenas o encontro com testemunhas que iluminem, de alguma forma, o seu passado vago e indefinido. O resultado é uma narrativa labiríntica, na qual está em jogo o valor da memória e do indivíduo.

 

Foram algumas (poucas) horas de ontem para ler o livro todo. No início, achei uma leitura tranquila, interessante; nada além disso. Entretanto, depois das primeiras 50 ou 60 páginas, eu não conseguia largá-lo mais.

E acontecia uma coisa bastante esquisita. Talvez eu não consiga descrever da forma como senti exatamente, mas vou tentar. Foi crescendo um mim um desconforto, uma angústia, chegava até mesmo a ser um tipo de medo.

Imaginava aquela situação: algum dia, você busca alguém para ajudá-lo a recordar do seu passado, da sua vida. Você acorda e não se lembra de nada, nem do nome, nem da idade. Tudo é um vazio completo. Se isso pudesse acontecer de fato (uma ausência total e completa de qualquer memória pregressa a partir de um determinado ponto) e você não tivesse NINGUÉM ao seu lado que pudesse saber um pouco do seu passado… E aí? Como seria?

Será que essa pessoa teria as mesmas características de personalidade que ela tinha antes? Se tivesse depressão ou ansiedade, será que continuaria tendo, mesmo sem se lembrar de absolutamente nenhum fator desencadeante desses distúrbios?

E, quando ele encontra uma pista do seu passado, algo tão vago quanto um sopro de vento que parece dizer algo no ouvido, ele inicia sua busca para saber quem é de fato.

Aos poucos, ele consegue encontrar novos pedaços dessa existência rasgada. E percebe que o trem da sua vida sai dos trilhos em meio à Segunda Guerra Mundial, em uma Paris (e França) dominada pelos Nazistas.

Enquanto escrevo aqui, volta em mim a sensação de nó no estômago que o livro me deixou. E, honestamente, não há nenhuma tragédia descrita nem nenhum fato objetivo que esteja narrado e cause sofrimento. Acho que é apenas pela forma excepcional com que Patrick Modiano conseguiu me amarrar e me deixar quase sem conseguir dormir ontem à noite.

Ninguém tinha me falado sobre o livro. Comprei apenas como uma forma de conhecer um pouquinho da obra do Prêmio Nobel de Literatura de 2014.

Não me arrependi.

 

– Sílvia Souza

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