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Livro “Uma luz em meu ouvido” de Elias Canetti

Livro “Uma luz em meu ouvido” de Elias Canetti
Livro “Uma luz em meu ouvido” de Elias Canetti

Título original: Die Fackel im Ohr Lebensgeschichte 1921-1931

Primeira publicação: 1980

Editora: Companhia de Bolso (2010) – 365 páginas

Tradutor: Kurt Jahn

ISBN13: 9788535917680

Sinopse: Nascido em 1905, Elias Canetti, prêmio Nobel de Literatura de 1981, é uma das maiores figuras intelectuais do século. Verdadeiro polígrafo, ele é autor não só de um romance fundamental – Auto-de-Fé -, como de uma obra-prima da teoria social – Massa e poder – e de ensaios político-literários extremamente lúcidos, incluídos em A consciência das palavras. Mas talvez seja na autobiografia que seu gênio se evidencie com maior clareza. Com este segundo volume, “Uma luz em meu ouvido”, Canetti nos oferece um retrato espantosamente rico de Viena e Berlim nos anos 20, do qual fazem parte não só familiares do escritor, como sua mãe ou sua primeira mulher, Veza, mas também personagens famosos como Karl Kraus, Bertolt Brecht, Geoge Grosz e Isaak Babel, além da multidão de desconhecidos que povoam toda metrópole. Primeiro volume: “A língua absolvida”. Terceiro volume: “O jogo dos olhos”.

 

Elias Canetti nasceu em 1905 em Ruschuk, na Búlgaria, filho de judeus sefardins. Sua família estabeleceu-se na Inglaterra em 1911 e em Viena em 1913. Aí ele obteve, em 1929, um doutorado em química. Em 1938, fugindo do nazismo, trocou Viena por Londres e Zurique. Recebeu em 1972 o Prêmio Büchner, em 1975 o Prêmio Nelly-Sachs, em 1977 o Prêmio Gottfried-Keller e, em 1981, o Prêmio Nobel de Literatura. Ele morreu em Zurique em 1994.

Além da trilogia autobiográfica composta por A língua absolvida, Uma luz em meu ouvido e O jogo dos olhos, já foram publicados no Brasil, de sua autoria, os romances Auto de fé, As vozes de Marrakech e o ensaio Massa e poder.

 

Este livro é o segundo volume de uma trilogia autobiográfica e descreve o período de sua vida entre 1921 e 1931. No primeiro volume, A língua absolvida, Elias Canetti conta sobre sua infância e adolescência, seu aprendizado de várias línguas por causa dos vários países em que morou com a mãe e sobre seu relacionamento com ela, que era bastante exigente e autoritária.

O segundo volume inicia quando o autor tinha 16 anos e a sua mãe resolve se mudar com os filhos para a Alemanha, exatamente no período pós Primeira Guerra. O autor descreve a hiperinflação e algumas dificuldades que enfrentavam na Alemanha nesta época.

A mãe tinha problemas de saúde com frequência e ela optou por voltar para a Áustria, onde se sentia melhor. Enquanto ela se recuperava da saúde, o autor, Elias Canetti, mora durante algum tempo apenas com um de seus irmãos, Georg. É a primeira vez que ele fala de forma mais demorada sobre um de seus irmãos. Acabam estreitando muito a relação entre eles. Elias é o mais velho dos três e sempre existe a impressão de que ele recebe muito mais a atenção da mãe e dos outros familiares.

Praticamente todas as memórias descritas nesse segundo volume se passam em Viena, sejam de quando o autor morava com o irmão ou com a família toda ou sozinho (a mãe se muda para Paris com os dois filhos mais novos e Elias fica em Viena para concluir seus estudos em Química). Existe o capítulo do início, em que eles moram em Frankfurt, na Alemanha, e um outro capítulo contando alguns meses em que ele passa férias em Berlim, em 1928.

Neste volume, sua mãe deixa de ter um papel tão importante como tinha em A língua absolvida. Eles têm uma briga séria conforme Elias vai conquistando sua autonomia de adolescente. Depois, a mãe passa a ter muitos ciúmes de Veza, uma amiga próxima de Elias, que ele menciona com muita frequência neste segundo volume, e que acabará se tornando sua esposa, embora esta informação ainda não esteja presente neste volume.

Uma luz em meu ouvido não é tão interessante quanto A língua absolvida. Mesmo assim, é um livro excepcional. Uma coisa incrível que está presente nesta obra é um pouco da descrição do processo de criação e de escrita de Elias Canetti, além de todos os aspectos históricos e das pessoas influentes no mundo da literatura e das artes que ele chegou a conhecer. Todos os relatos autobiográficos que eu li foram muito ricos para ajudar a conhecer a mente do escritor; isso é uma coisa que me fascina enormemente. Como surge a inspiração? Como organizar as ideias? Parece tudo tão simples, mas ao ler este relato (além de outros que já li), percebo que acontece todo um amadurecimento, um processo de pesquisa e de trabalho intenso até que a obra escrita esteja pronta.

Senti, também, uma identificação com o escritor Elias Canetti nos momentos em que ele demonstra sua admiração por escritores já consagrados (enquanto ele ainda é jovem e não publicou nada). Existem poucas pessoas que eu admire mais do que escritores, os grandes escritores. O processo de organização do pensamento e de colocar as ideias abstratas na forma de palavras concretas e que façam sentido para outras pessoas é algo excepcional, absolutamente admirável.

Elias Canetti nos mostra isso e muito mais, em sua escrita agradável e simples, desprovida de qualquer presunção. Ainda vou ler o terceiro livro da trilogia, mas, até o momento, recomendo muitíssimo esta obra autobiográfica fantástica.

“Em geral sim, é de que mais gostamos de falar. Você pode imaginar melhor maneira de conhecer uma pessoa do que conversando com ela sobre tudo o que acontece em Dostoiévski?”

 

 

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2 Comments
  • carlos disse:

    Olá Silvia, apontou-me o primeiro livro para a próxima rodada da leitura. Um beijo.

    • Silvia Souza disse:

      Acho que você vai gostar.
      O terceiro livro da trilogia está na minha lista…
      Beijo!

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