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Livro “Trópico de Câncer” de Henry Miller

Livro “Trópico de Câncer” de Henry Miller
Livro “Trópico de Câncer” de Henry Miller

Título Original: Tropic of Cancer

Primeira Publicação: 1934

Tradutor: Aydano Arruda

Editora: Publifolha (27-09-2003)

ISBN: 8574024910

Sinopse: Trópico de Câncer”, publicado no ano de 1934, em Paris, foi imediatamente proibido em todos os países de língua inglesa. Tachado como pornográfico, o livro, assim como seu sucessor “Trópico de Capricórnio”, só foi liberado nos Estados Unidos e na Inglaterra nos anos 60, aclamado como parte da revolução sexual. Polêmicas à parte, “Trópico de Câncer” foi celebrado pelos maiores intelectuais da época e se tornou um dos grandes clássicos da literatura americana. Samuel Beckett o saudou como “um evento monumental da história da escrita moderna”; George Orwell, mesmo não compartilhando dos valores morais de Miller, após a leitura de “Trópico de Câncer” reconheceu o autor como “o único escritor de prosa com algum valor que apareceu entre as raças anglofônicas em algum tempo”. Outros nomes como T. S. Eliot, Ezra Pound e Lawrence Durrell também notaram rapidamente o talento de Miller. “Trópico de Câncer” traz um relato autobiográfico e idiossincrático de Miller, que chega a Paris após abandonar nos EUA um casamento arruinado e uma carreira estagnada. Mesmo sem um centavo no bolso, Henry Miller é apresentado à boemia francesa e redescobre seu próprio talento em dias e noites de liberdade e alegria sem fim. “O Miller que surge nesses livros é uma pessoa sincera e simpática, não vencida pela experiência; um homem com um insaciável apetite pelas realidades fundamentais e uma enorme capacidade de se surpreender com a própria inocência. Se há alguma mensagem em sua obra é de alguém que, contra todas as possibilidades e apesar da maioria das provas, pede ´mais´ à vida”, afirma o escritor Robert Nye. “Miller é um dos poucos escritores modernos que podem levar o leitor às lágrimas apenas pela pressão de seu sentimento.”

Henry Miller escreveu esse livro durante o tempo que viveu em Paris, na década de 1930, no período entre guerras.

O livro foi proibido na Inglaterra e nos Estados Unidos até a década de 1960. Aqui no Brasil também ficou proibido, por um tempo ainda mais longo.

Eu gostei muito da leitura. Gostei pela descrição que ele faz de um momento histórico em que Paris fervilhava de artistas e escritores de várias partes do mundo. A cidade é descrita em toda sua beleza e sua decadência.

Eu amo a França. E sinto Paris quase como um segundo lar. E, mesmo assim, entendi e compartilho de uma descrição que ele faz, já no final do livro, da vida em Paris. Do encanto inicial, seguido por uma frustração, porque, no fundo, eles não são acolhedores e os brilhos e luzes do início vão se apagando aos poucos.

Ele faz uma descrição muito realista, crua, vulgar. E, por isso mesmo, fiquei encantada. Porque não há uma vulgaridade apenas pelo prazer de ser obsceno ou grosseiro. O que há é uma descrição dos fatos como eles são, como se ele estivesse contando sua vida para um amigo íntimo, quando as palavras não precisam ser medidas e não há receio de causar perturbação.

Eu sou uma mulher bastante sensível, educada, distinta, e vários outros adjetivos que poderia acrescentar. Em contraposição (eu acho que seja um contraponto de certa forma), eu odeio hipocrisia, falsidade. Estou longe de ser um tipo vulgar. Mas detesto o excesso de pudores que existe em torno de alguns assuntos.

Não podemos falar abertamente sobre sexo. Nos escandalizamos se escutamos uma mãe de família falando um palavrão em um momento de raiva ou dor (como quando bate o dedinho no pé da cama!). Qual o sentido disso?

O que é mais feio e mais grosseiro? Gritar um palavrão em um momento de irritação ou passar por um indigente na rua como se ele não existisse?

Qual o problema em falar abertamente sobre sexo, sendo ele uma coisa praticada por quase 100% dos adultos e sendo o que mantém a existência de todas as espécies? É melhor fazer de conta que ele não existe? Que não existem desejos, prazeres, fantasias?

Eu entendo que o livro tenha chocado muita gente quando foi escrito. Os mais puritanos devem ter se sentido frontalmente agredidos.

Eu, na minha ingenuidade, acho uma tremenda hipocrisia que ainda hoje possa causar desconforto em algumas pessoas. Temos vídeos de sexo à vontade na internet, disponíveis para crianças inclusive, que estão se expondo cada vez mais cedo a esse tipo de estímulo.

Mas tenho a impressão que, para algumas pessoas que fazem de conta que essa realidade não existe, ler um texto em que o sexo seja descrito cruamente, mas num contexto literário, choca muito mais; agride.

Eu queria que tudo isso fosse diferente. Gostaria de deixar um mundo mais verdadeiro para meus filhos.

 

Trópico de Câncer

– Sílvia Souza

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3 Comments
  • M.Raydo disse:

    Sou a favor da liberdade! E que todos os “segredos secretos” sejam revelados, mas que ao contrário dos Funks da vida, nunca se perca a discrição, elegância e respeito ao próximo!
    Sexo não deve ser tabu e nem deve ser visto como algo sujo, com certeza! Porém, entendo que aquele velho ditado: “Uma dama na sociedade, uma prostituta na cama!”, muito me agrada.
    Não entendo como vergonha ser livre para amar, sem limites e nem desrespeitos, mas admiro as pessoas que sabem ser queridas e discretas! 🙂

    • Sílvia Souza disse:

      Eu concordo com você.
      E eu acho que eu seja assim. Sou quieta, educada, gentil. Detesto grosseria e falta de educação.
      Nem acho que se deva falar tudo o que vem à cabeça. Eu tenho uma frase na qual eu sempre penso e ensino para os meus filhos: “antes de falar alguma coisa, pense se o que vai ser dito vai trazer algo de bom para você ou para a pessoa que vai escutar”.
      Não gosto da sinceridade pela sinceridade. Qual é o ganho que existe para alguém se você diz para alguém que ela engordou ou que o corte de cabelo ficou horrível ou qualquer outra coisa do gênero?
      Não defendo esse tipo de coisa. Mas não gosto de puritanismo excessivo, sabe?
      Por exemplo, proibir a leitura porque o livro fala de sexo sem meias palavras.
      Não sei se ficou claro ou se ficou ainda mais confuso.
      Detesto quando não consigo ser precisa para escrever algo e descrever meu pensamento. É claro que estou aqui escrevendo e duas pessoas estão me interrompendo o tempo todo para falar comigo… Assim não ajuda!

      • M.Raydo disse:

        Sinceridade demais, nunca é bom! Há milhares de maneiras de dar o recado! Sexo = ótimo. E ponto final. Mas, ser sexual em excesso pode correr o risco de más interpretações. Logo, é preciso cautela! Sem ser puritano, pois também não curto! Vou te mandar um vídeo que vi hoje e achei muito interessante.
        Meus filhos me perguntam e eu respondo. Com naturalidade e franqueza!

        Sei como é isso, tenho um aqui comigo que não para de conversar! 🙂

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