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Livro “Sagarana” de João Guimarães Rosa

Livro “Sagarana” de João Guimarães Rosa
Livro “Sagarana” de João Guimarães Rosa

Primeira Publicação: 1946

Editora: Nova Fronteira (2001) – 413 páginas – 71a. Edição

ISBN13: 9788520911501

Sinopse: Guimarães Rosa é, por seus experimentos linguísticos, sua técnica e sua inventividade, o mais completo renovador de nossa ficção. segundo Alceu Amoroso Lima, trata-se de “autor absolutamente inqualificável, a não ser nas categorias do gênio, isto é, dos grandes isolados”. Apresentando a paisagem e o homem de sua terra numa linguagem já então exclusiva, Guimarães Rosa fez de ‘Sagarana’ a semente de uma obra cujo sentido e alcance ainda estão longe de ser inteiramente decifrados.

 

João Guimarães Rosa nasceu no dia 27-06-1908 em Cordisburgo (MG). É considerado por muitos como um dos maiores romancistas brasileiros nascidos no Século XX (por mim inclusive). Sua obra mais conhecida é o romance ‘Grande Sertão: Veredas’. Ele foi autodidata em muitas áreas e estudou muitas línguas. Ainda criança, mudou-se para a casa de seus avós, em Belo Horizonte, onde terminou seus estudos fundamentais. Em 1925, com apenas 16 anos, ele entrou na faculdade que seria, posteriormente, conhecida como Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais. Em 27-06-1930, casou-se com Lígia Cabral Penna, uma menina de apenas 16 anos, com quem teve duas filhas, Vilma e Agnes. Nesse mesmo ano, ele se formou e começou sua prática médica em Itaguara e, depois, em Itaúna. Foi nesta cidade que ele teve seu primeiro contato com elementos do sertão, que serviria como referência e inspiração em muitas de suas obras. Durante a maior parte da sua vida, trabalhou como diplomata brasileiro na Europa e América Latina. Em 1963, ele foi escolhido por unanimidade para entrar na Academia Brasileira de Letras em sua segunda candidatura. Depois de adiar por 4 anos, ele finalmente assumiu sua posição apenas em 1967, apenas três dias antes de falecer na cidade do Rio de Janeiro, vítima de um ataque cardíaco, em 19-11-1967, aos 59 anos.

Meu primeiro contato com a obra de Guimarães Rosa foi durante o Ensino Médio, quando li ‘Manuelzão e Miguilim’ como leitura obrigatória. Foi um amor imediato. Não é uma leitura fácil; tenho sempre a sensação de que são necessárias algumas páginas de adaptação ao estilo de escrita de Guimarães Rosa. Passadas essas páginas iniciais, aquela linguagem característica vai se tornando fácil, mesmo com seus neologismos, regionalismos, pontuação fora dos padrões habituais.

Sua obra principal, ‘Grande Sertão: Veredas’, é absolutamente maravilhosa, com toda a brutalidade do sertão e a delicadeza de um amor que precisou ser mantido oculto durante anos.

‘Sagarana’ é um livro de contos. Em uma carta escrita a João Condé, Guimarães Rosa escreveu:

Bem, resumindo: ficou resolvido que o livro se passaria no interior de Minas Gerais. E compor-se-ia de 12 novelas. Aqui, caro Condé, findava a fase da premeditação. Restava agir.

Então, passei horas de dias, fechado no quarto, cantando cantigas sertanejas, dialogando com vaqueiros da velha lembrança, “revendo” paisagens da minha terra, e aboiando para um gado imenso. Quando a máquina esteve pronta, parti. Lembro-me de que foi num domingo, de manhã.

O livro foi escrito – quase todo na cama, a lápis, em cadernos de 100 folhas – em sete meses; sete meses de exaltação, de deslumbramento. (Depois, repousou durante sete anos; e, em 1945 foi “retrabalhado”, em cinco meses, cinco meses de reflexão e de lucidez).

Entretanto, das 12 histórias originais, o autor resolveu retirar 3 da obra final: “Questões de Família”, “Uma História de Amor” e “Bicho Mau”. Restaram 9 Contos:

  1. O burrinho pedrês
  2. A volta do marido pródigo
  3. Sarapalha
  4. Duelo
  5. Minha gente
  6. São Marcos
  7. Corpo fechado
  8. Conversa de bois
  9. A hora e a vez de Augusto Matraga

Todos os contos são repletos de dizeres populares, de crendices, dos costumes e do modo de falar dos sertões de Minas Gerais. A minha preferida talvez seja a primeira. Guimarães Rosa preferia “Corpo Fechado”. Um livro para ser lido aos poucos, sem pressa e aproveitar a forma linda da escrita desse autor maravilhoso.

– Reze e trabalhe, fazendo de conta que esta vida é um dia de capina com sol quente, que às vezes custa muito a passar, mas sempre passa. E você ainda pode ter muito pedaço bom de alegria… Cada um tem a sua hora e a sua vez: você há de ter a sua.

Padre falando para Augusto Matraga no conto “A hora e a vez de Augusto Matraga”

 

– Sílvia Souza

 

 

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3 Comments
  • Carlos Moya disse:

    É difícil ler este escritor, por causa de sua gramática inovadora, eu acho que mais para aqueles que não têmos o Português como língua nativa e abordá-lo de uma irmã que é a galega. Gran Sertão ainda me parece um romance profundamente humana, rica descrevendo o território, as costumes vigentes e a estrutura social. Um abraço.

    • Carlos, realmente, não é fácil ler Guimarães Rosa. Mesmo para os brasileiros. Ele usa muitos neologismos e regionalismos e a pontuação não facilita também.
      Existe alguma obra dele traduzido para o espanhol?
      Abraço!

      • Carlos Moya disse:

        Ola Silvia, De Guimaraes Rosa, pelo menos eu li até agora em castelhano Manolón Miguelín além de Grande sertão, ainda não sei quantos mais foram publicados aqui. Um abraço.

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