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Livro “Persuasão” de Jane Austen

Livro “Persuasão” de Jane Austen
Livro “Persuasão” de Jane Austen

Título original: “Persuasion”

Primeira publicação: 1818

Editora: Zahar (2012)

ISBN13: 9788537808115

Sinopse: O enredo gira em torno de Anne Elliot, filha de Sir Walter Elliot, um vaidoso e esnobe baronete. No passado, Anne apaixonara-se por Frederick Wentworth, que, embora belo, inteligente e ambicioso, não tinha tradições ou conexões familiares importantes – e assim Anne fora persuadida pela família a romper com ele. Em 1815, momento em que se passam os eventos narrados no livro, a boa, generosa e sensível Anne Elliot continua solteira, mas agora, aos 27 anos, pensa com mais autonomia e maturidade. Agora, também, a situação financeira de Sir Walter Elliot é desfavorável, e ele se vê obrigado a alugar a propriedade da família. Por força do destino, o novo ocupante da residência é cunhado de Wentworth. Quase oito anos após o rompimento, Anne se verá novamente convivendo com seu grande amor, agora um capitão da Marinha. Anne e Frederick se redescobrem apaixonados, e renovam o compromisso de casamento. Esta edição traz a versão definitiva do romance, além de notas explicativas e uma cronologia da vida de Jane Austen. Por fim, o leitor poderá encontrar duas novelas da autora em português. A primeira, ‘Lady Susan’, é uma narrativa epistolar em que a personagem-título, uma aristocrata perversa, procura manipular a todos os parentes conforme seus interesses. A segunda, ‘Jack e Alice’, busca conduzir o leitor a uma festa à fantasia, para então revelar a verdadeira identidade dos demais convidados.

 

Eu convivo com minhas inúmeras almas; facetas diferentes de uma mesma mulher. Tenho meu lado cético e descrente, que acha que é quase impossível existir uma história de amor verdadeira, sincera e duradoura. Existe essa parte melancólica em mim, que vê o mundo como um lugar mesquinho, dominado pelo egoísmo, pelo dinheiro e pela vulgaridade. Nesse mundo, não há lugar para os românticos, sonhadores, que acreditam em uma entrega sincera e desinteressada.

Se eu tivesse em mim apenas essa alma, eu seria uma pessoa amargurada. Mas não sou assim. O que significa que uma das minhas almas ainda acredita nos sonhos e nas mágicas que acontecem em nossas vidas. Por mais que meu lado racional me diga que acreditar nesse amor profundo que liga duas pessoas apesar da passagem do tempo e de todas as adversidades seja uma bobagem enorme, acho que se eu deixar de acreditar que ele seja possível, minha vida perderá o sentido.

Então, ao mesmo tempo em que amo os romances realistas e modernistas e contemporâneos, com suas visões descrentes da entrega sincera e da vitória desse amor eterno, eu sinto-me renovada com as histórias românticas. Eu imagino minha vida inserida em todas elas, sendo a protagonista, a mulher que é amada, cuidada, protegida, admirada, pelo tempo que a imaginação alcançar.

Nesse livro, a heroína foi persuadida a romper o noivado com o homem que ela amava, porque ele não tinha um título de nobreza que o aproximasse de sua família. Ela era muito jovem e acaba cedendo às influências das pessoas à sua volta. Mas o amor que ela sentia por ele não deixa de existir. E ela é honesta demais para aceitar qualquer outro pretendente sem amá-lo de verdade. Ela segue sua vida por mais de oito anos, até que ele retorna à sua convivência, por coincidências da vida. Ele está magoado e tenta vingar-se dela ao demonstrar frieza com ela e ao flertar com outras mulheres. Mas Anne tem um caráter absolutamente íntegro; e ela segue em seu sofrimento, arrependida pela decisão tomada anos antes, mas sem demonstrar desprezo por ele em nenhum momento.

Eu gostaria de ser essa heroína; a mulher que permanece inabalável em seu amor. E que um dia é reconhecida e tem seu sentimento retribuído de forma sincera.

Talvez seja a ilusão desse sonho que me mantenha prisioneira ao que passou, ao que a maioria das pessoas julgaria acabado e que, para mim, é apenas uma história interrompida e que um dia será retomada.

Como no livro…

Não posso mais ouvir em silêncio. Preciso lhe falar pelos meios de que disponho. Devo me direcionar a você pelos meios disponíveis. A senhorita fere minha alma. Estou entre a agonia e a esperança. Diga-me que não é tarde demais, que sentimentos tão preciosos não estão perdidos para sempre. Ofereço-me novamente à senhorita com um coração mais entregue do que quando quase o dilacerou há oito anos e meio. Não ouse dizer que o homem esquece mais rápido que a mulher, e que seu amor morre mais cedo. Eu não amei a ninguém mais a não ser a senhorita. Posso ter sido injusto, fui fraco e rancoroso, mas nunca inconstante. Vim para Bath unicamente por sua causa. Meus pensamentos e planos são todos seus. Não percebeu? Não viu meus desejos? Não esperaria nem mesmo esses dez dias se tivesse conseguido compreender seus sentimentos, como acho que compreendeu os meus. Mal consigo escrever. A todo instante ouço algo que me abala. A senhorita sussurra, mas consigo distinguir os tons de sua voz quando ninguém os ouviria. Que bela, que bondosa criatura! Certamente nos faz jus, pois acredita que exista afeição real e constante entre os homens. Acredite, esses são meus sentimentos mais fervorosos e imutáveis.

(trecho do livro)

– Sílvia Souza

 

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