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Livro “O Retrato de Dorian Gray” de Oscar Wilde

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Livro “O Retrato de Dorian Gray” de Oscar Wilde
Livro “O Retrato de Dorian Gray” de Oscar Wilde

Título Original: The Picture of Dorian Gray

Primeira Publicação: 1890

Editora: Penguin – Companhia, Companhia das Letras (12-04-2012)

ISBN13: 9788563560438

Sinopse: Em 1891, quando foi publicado em sua versão final, “O retrato de Dorian Gray” foi recebido com escândalo, e provocou um intenso debate sobre o papel da arte em relação à moralidade. Alguns anos mais tarde, o livro foi inclusive usado contra o próprio autor em processos judiciais, como evidência de que ele possuía “uma certa tendência” – no caso, a homossexualidade, motivo pelo qual acabou condenado a dois anos de prisão por atentado ao pudor. Mais de cem anos depois, porém, o único romance de Oscar Wilde continua sendo lido e debatido no mundo inteiro, e por questões que vão muito além do moralismo do fim do período vitoriano na Inglaterra, definida por um dos personagens do livro como “a terra natal da hipocrisia”. Seu tema central – um personagem que leva uma vida dupla, mantendo uma aparência de virtude enquanto se entrega ao hedonismo mais extremado – tem apelo atemporal e universal, e sua trama se vale de alguns dos traços que notabilizaram a melhor literatura de sua época, como a presença de elementos fantásticos e de grandes reflexões filosóficas, além do senso de humor sagaz e do sarcasmo implacável característicos de Wilde.

Eu gosto de muitas obras contemporâneas. Mas não é à toa que alguns livros foram consagrados à categoria de Clássicos da Literatura Mundial. Ítalo Calvino escreveu um livro para justificar “Por que ler os clássicos“.

Os livros se tornam Clássicos porque são obras muito bem escritas ou representativas de uma época literária ou porque seus personagens ganham vida própria. Quem não conhece Romeu e Julieta? Não há necessidade de ter lido a obra de Shakespeare para já ter ouvido falar nesses dois apaixonados. E assim acontece com tantos outros personagens: Dom Quixote, D’Artagnan, Anna Karenina, Mme Bovary, Conde de Monte Cristo, Quasímodo e tantos outros.

Eu já li alguns dos grandes Clássicos, mas ainda há muitos outros que eu gostaria de ler. Talvez eu não consiga satisfazer esse meu desejo. De qualquer forma, tenho minha lista.

Há cerca de duas semanas, perguntei para um amigo se ele já tinha lido “O retrato de Dorian Gray”. Eu tinha uma enorme curiosidade sobre a história desse livro, mas confesso (um pouco encabulada) que tinha um pouco de medo. Por que medo? Porque eu achava que podia haver algo sobrenatural na história do retrato.

Quando esse amigo propôs de lermos simultaneamente, comentando dia a dia os capítulos lidos, eu aceitei sem pestanejar. Foi como ter uma companhia para enfrentar o desconhecido escuro e assustador.

Vou contar inicialmente da experiência da leitura simultânea. Eu já participei de alguns Clubes de Leitura. Foi interessante. Mas como sou uma pessoa muito tímida e envergonhada para falar em meio a várias pessoas, mais ainda entre pessoas que eu não conheço, eu me sentia intimidada e apenas escutava as opiniões dos outros. Dessa vez, éramos apenas eu e meu amigo, duas pessoas muito diferentes, mas semelhantes na formação. E o livro não foi discutido apenas no final. Fomos compartilhando nossas opiniões ao longo da leitura, o que enriqueceu muito, porque permitiu novos olhares ao longo do caminho. Foi excepcional!

Sobre o livro…

O livro é curto, de leitura fácil e ágil. O Oscar Wilde não se perde em descrições excessivas e cansativas. Até fica um desejo de que houvesse mais… mais detalhes da vida desregrada de Dorian Gray, de seus desvios de caráter, de seus crimes, de suas influências tóxicas. Foi difícil conter a curiosidade sobre chantagens que ele faz e comentários gerais que ficam por conta da imaginação e da criatividade de cada leitor.

Os três personagens principais da trama (Dorian Gray, Lord Henry Wotton e Basil Hallward) são muito particulares em suas características e sua moral. É como se os dois amigos de Dorian tentassem exercer a influência boa e a ruim sobre ele. Até o ponto em que ele definiu seu próprio caminho, o caminho mais vil, mais torpe; mas suas escolhas sórdidas e imorais eram reveladas apenas através das transformações do seu retrato, enquanto sua aparência continuava intocada e pura. O retrato surge como uma consciência, como os pecados de sua própria alma, e que ele podia ver sem nenhuma máscara, de forma crua. Entretanto, ver o pior em si mesmo através do quadro não fazia com que ele tentasse ser melhor. Como um vício, ele sentia que não havia volta da degradação completa; ele via sua condenação e continuava seguindo o mesmo caminho.

Quando ele resolve tentar mudar, após enfrentar o medo e a morte, ele se questiona se os atos bons que tenta fazer não acontecem, de verdade, não por altruísmo, mas por vaidade e por curiosidade. Esse questionamento é muito interessante, porque é uma coisa que sempre me ocorre: quando fazemos algo bom por alguém, esse gesto é realmente puro e sincero? Ou ele vem por interesses diversos? Qual a real motivação de cada coisa que fazemos? Sinceramente, não acho que essa resposta seja simples. Porque, diferente de Dorian, que conseguia ver a verdade da sua alma fora de si, nós somos capazes de maquiar nossos pensamentos, torná-los mais amenos para que consigamos enxergar nossas ações de forma que nos sejam mais agradáveis e provoquem menos remorso e sofrimento.

– Sílvia Souza

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