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Livro “O Processo” de Franz Kafka

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Livro “O Processo” de Franz Kafka
Livro “O Processo” de Franz Kafka

Título original: Der Prozeß

Primeira publicação: 1925

Editora: Companhia de Bolso (2005) – 272 páginas

Tradutor: Modesto Carone

ISBN13: 9788535907438

Sinopse: ‘Alguém certamente havia caluniado Josef K. pois uma manhã ele foi detido sem ter feito mal algum.’ Assim começa um dos maiores romances do século XX. E começa também o drama do protagonista de ‘O processo’, que luta do começo ao fim para descobrir do que é acusado, quem o acusa e com base em que lei. Josef K. sempre confrontará a impossibilidade de escolher um caminho que lhe pareça sensato ou lógico, pois o processo de que é vítima segue leis próprias, as leis do arbítrio. O labirinto exemplarmente ‘kafkiano’ do qual Josef K. tentará se desvencilhar traduz um sentimento que nos diz muito – o de que a razão pode pouco contra a banalidade da violência irracional.

 

Franz Kafka nasceu em 3 de julho de 1883, filho mais velho do comerciante Hermann Kafka e de sua esposa Julie, na cidade de Praga, na Boêmia, que então pertencia ao Império Austro-Húngaro e hoje é a capital da República Tcheca. Kafka frequentou uma escola alemã para meninos em sua cidade natal. Concluiu seus estudos em 1901. Depois, começa estudando Química, mas, em seguida, muda para o Direito. Morre jovem, em 3 de junho de 1924, aos 40 anos, de tuberculose.

 

Alguém devia ter caluniado Josef K., pois, sem que tivesse feito mal algum, ele foi detido certa manhã.

Assim começa o livro. Quando ele acorda, esperando seu café da manhã, descobre que dois investigadores esperam por ele. Ele está detido por algo que fez, mas que nenhum dos oficiais lhe diz. Este capítulo inicial parece um sonho, assim como o livro “A Metamorfose“. Tudo parece extremamente irreal. Os investigadores não estão vestindo um uniforme e não carregam nenhuma identificação. Falam que ele está detido, mas não falam qual é a acusação nem o que está acontecendo. Ele é chamado na presença de um Oficial que questiona sobre sua culpa, mas novamente sem informá-lo sobre o motivo do processo. E toda este interrogatório é feito no quarto vizinho ao que ele ocupa e que pertence a uma moça que mora na pensão.

Toda a primeira parte do livro faz com que nos sintamos dentro deste sonho. Nada faz sentido. Ele recebe um telefonema no trabalho pedindo para que compareça a uma audiência que será no domingo em algum endereço que ele desconhece. Mas ele não anota o horário e se perde ao longo do caminho, fazendo com que chegue muito atrasado e, portanto, não será informado do motivo do processo. E o local da audiência é um quarto da casa de uma lavadeira, cujo marido é oficial de justiça. A mulher se envolve sensualmente com um dos juízes e se insinua para Josef K. também.

A notícia do processo de Josef K. se espalha e até mesmo um tio dele que mora em outra cidade fica sabendo e vem para saber o que está acontecendo. Acaba levando-o a um advogado, um antigo colega do tio, que está doente e acamado e recebe os acusados no seu quarto. Ele é cuidado por uma moça muito jovem que tem prazer em se relacionar com os acusados e que gosta de narrar tudo o que se passa para o advogado, como uma forma de entretê-lo. Na primeira visita ao advogado, ele se esquece do seu processo e vai atrás da moça e passa horas com ela, deixando o tio e o advogado sem nenhuma explicação.

Agora me digam após este meu breve resumo da primeira parte… isso não é absolutamente irreal?

A segunda metade ainda continua neste universo fantástico, mas se torna um pouco mais interessante. Não saberemos qual é a acusação contra Josef K. Posso estar estragando o livro para alguns, mas o fato é esse; não saberemos o motivo do processo ou quem o está processando.

Ele passa a se envolver mais em sua defesa e tenta entender o forma como a burocracia jurídica é encaminhada. Mas vai percebendo que qualquer esforço é inútil. Tudo é arbitrário e a corrupção parece ser determinante para definir quem vai ser inocentado ou não. O sentimento que nos preenche ao longo desta segunda parte é de uma enorme angústia, porque não há escapatória. Nada faz sentido; não existe justiça; o processo burocrático vai causando entrave atrás de entrave.

Ainda existem inúmeras sensações delirantes, como quando ele vai conversar sobre o seu processo com um pintor que tinha influência com os juízes. O pintor era muito pobre e morava em um quartinho minúsculo que também era seu ateliê. Na hora de ir embora, o pintor sugere que ele saia pela outra porta, que fica bloqueada pela cama. Quando ele passa pela porta, ele percebe que está no prédio da justiça, onde os processos ficam arquivados. E, enquanto ele caminha e fala com as pessoas, em meio àquele ar opressivo, ele descobre que os funcionários moram e trabalham ali e já não sentem mais o vento fresco das ruas.

Confesso que o livro nos prende nessa teia desvairada. Mas não é um livro que me agrade muito.

O que eu realmente gostei foi da forma como ele nos coloca neste labirinto sem saída, frente a um problema insolúvel que poderia acometer cada um de nós.

 

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