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Livro “O Paraíso são os Outros” de Valter Hugo Mãe

Livro “O Paraíso são os Outros” de Valter Hugo Mãe
Livro “O Paraíso são os Outros” de Valter Hugo Mãe

Primeira Publicação: 2014

Ilustração: Nino Cais

Editora: Cosac Naify

ISBN13: 9788540507852

Sinopse: A narradora de “O paraíso são os outros” é uma menina intrigada com um estranho comportamento dos animais – e dos humanos: a necessidade de viver em casal. Ela observa que há casais de pinguins, golfinhos e também de homem com mulher, homem com homem, mulher com mulher. “Tudo por causa do amor.” A inspiração para este livro surgiu de uma visita ao ateliê do artista Nino Cais que trabalhava em fotos antigas de casamentos colando pedras de bijuteria infantil sobre os rostos dos casais retratados. Seis dessas imagens dialogam com o texto no livro. A partir dessas fotos manipuladas, Valter Hugo reflete sobre a maneira moderna de se amar: não mais da forma tradicional, mas sim evocando temas como homossexualidade, adoção, lealdade, segundo casamento, felicidade e também solidão.

 

Um amigo indicou-me esse livro de Valter Hugo Mãe. Há algumas pessoas que, quando me indicam uma leitura, não penso duas vezes. São pessoas com gostos semelhantes e sensibilidade compatível. Comprei o livro que pode ser considerado uma leitura infantil.

São poucas páginas, com um texto curto em cada uma delas, intercalado com ilustrações de Nino Cais. As ilustrações são fotografias antigas, em preto e branco, de casamentos, onde os rostos das pessoas estão cobertos por pedras coloridas. Em algumas das fotos, aparecem as dedicatórias e nomes das pessoas, aumentando a emoção daquelas lembranças imortalizadas.

O texto é a narrativa de uma menina, falando sobre seus questionamentos e percepções dos relacionamentos entre as pessoas. Por que, afinal, vivemos em casal?

Os adultos apaixonam-se ao acaso, ainda que façam um esforço para escolher muito ou com muita inteligência. Já aprendi. O amor é um sentimento que não obedece nem se garante. Precisa de sorte e, depois, empenho. Precisa de respeito. Respeito é saber deixar que todos tenham vez. Ninguém pode ser esquecido.

Não tenho dúvida de que nossa vida tende a ser mais alegre quando a dividimos com alguém que amamos. Entretanto, discordo das percepções da menina quando ela assume que precisamos ter um parceiro (a) para sermos felizes.

A minha mãe diz que só crescemos quando reconhecemos os nossos erros. Enquanto não o fizermos seremos menores. Crescer é diferente de aumentar de tamanho ou ganhar idade. A minha mãe diz que são grandes os que se corrigem.

Há momentos em que acho que dividir a vida com outra pessoa, em um relacionamento falido em que não há mais amor sincero, torna-se muito mais angustiante do que seria viver sozinho (a). E a felicidade não é algo que depende de alguém; não recebemos felicidade de presente; ela surge de dentro de nós, dependendo das nossas reflexões, de nossa forma de ver o mundo e da aceitação das imperfeições que nos acompanham.

Acho que invento a felicidade para compor todas as coisas e não haver preocupações desnecessárias. E inventar algo bom é melhor do que aceitarmos como definitiva uma realidade má qualquer. A felicidade também é estarmos preocupados só com aquilo que é importante. O importante é desenvolvermos coisas boas, das de pensar, sentir ou fazer.

Independente disso, dessas minhas observações, o livro é lindo, sensível e deve agradar crianças e adultos.

– Sílvia Souza

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