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Livro “O Mito de Sísifo” de Albert Camus

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Livro “O Mito de Sísifo” de Albert Camus
Livro “O Mito de Sísifo” de Albert Camus

Título Original: Le mythe de Sisyphe

Primeira Publicação: 1942

Editora: Best Seller (05-07-2010)

ISBN: 8577992691 (ISBN13: 9788577992690)

Sinopse: Este ensaio sobre o absurdo tornou-se uma importante contribuição filosófico-existencial e exerceu influência profunda sobre toda uma geração. Camus destaca o mundo imerso em irracionalidades e lembra Sísifo, condenado pelos deuses a empurrar incessantemente uma pedra até o alto da montanha, de onde ela tornava a cair, caracterizando seu trabalho como inútil e sem esperança. O autor faz um retrato do vazio em que vivemos e do dilema enfrentado pelo homem contemporâneo: “Ou não somos livres e o responsável pelo mal é Deus Todo-Poderoso, ou somos livres e responsáveis, mas Deus não é Todo-Poderoso.” 

Como o livro começa:

CAPÍTULO 1 – “O absurdo e o suicídio”

Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder à pergunta fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, vem depois.

É incrível esse pensamento. Quais são as coisas das quais temos controle de fato? Não controlamos quase nada. A decisão que posso tomar é de continuar vivendo ou não no minuto seguinte, a menos que a fatalidade do destino chegue antes.

Eu sei o quanto o tema suicídio é delicado. A maioria das pessoas não quer pensar na morte e, muito menos, na possibilidade de alguém poder decidir acabar com a própria vida. Os suicídios não são noticiados. As estatísticas são omitidas. As causas não são reveladas.

Fiquei sabendo recentemente que, se alguém se mata nos trilhos do metrô em São Paulo, a orientação é de nunca divulgar. A notícia da paralisação dos trens relata problemas técnicos. Eles têm medo de que o comunicado possa aumentar o número de tentativas. Assunto proibido e ponto final.

Sempre se tratou o suicídio apenas como um fenômeno social. Aqui, pelo contrário, trata-se, para começar, da relação entre o pensamento individual e o suicídio. Um gesto desses se prepara no silêncio do coração, da mesma maneira que uma grande obra.

Matar-se, em certo sentido, e como no melodrama, é confessar. Confessar que fomos superados pela vida ou que não a entendemos. (…) Trata-se apenas de confessar que isso “não vale a pena”. Viver, naturalmente, nunca é fácil.

Um mundo que se pode explicar, mesmo com raciocínios errôneos, é um mundo familiar. Mas num universo repentinamente privado de ilusões e de luzes, pelo contrário, o homem se sente um estrangeiro. É um exílio sem solução, porque está privado das lembranças de uma pátria perdida ou da esperança de uma terra prometida. Esse divórcio entre o homem e sua vida, o ator e seu cenário é propriamente o sentimento do absurdo.

Da mesma maneira, e em todos os dias de uma vida sem brilho, o tempo nos leva. Mas sempre chega uma hora em que temos de levá-lo. Vivemos no futuro: “amanhã”, “mais tarde”, “quando você conseguir uma posição”, “com o tempo vai entender”. Essas inconsequências são admiráveis, porque afinal trata-se de morrer.

As frases acima escritas por Camus no livro falam por si. Não tenho a capacidade de resumir. Talvez me falte a base filosófica. E não encontrei nenhum consolo na leitura. Apenas a comprovação das minhas angústias.

Se percebo as incongruências da vida, seus aspectos ilógicos e insólitos, eu me torno um ser absurdo, para quem a vida, vista com clareza e isenta de máscaras de crenças, religiões e superstições, perde o sentido. Não estarei mais vinculada a nada.

Viver mais; em sentido amplo, esta regra de vida não significa nada.

Um homem é mais homem pelas coisas que silencia do que pelas que diz. Vou silenciar muitas.

Entre a história e o eterno, escolhi a história porque amo as certezas. Dela, ao menos, tenho certeza, e como negar essa força que me esmaga?

Sempre chega o momento em que é preciso escolher entre a contemplação e a ação. Isto se chama tornar-se homem. Tais dilaceramentos são terríveis.

E aqui eu silencio.

 

– Sílvia Souza

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