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Livro “O livro dos abraços” de Eduardo Galeano

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Livro “O livro dos abraços” de Eduardo Galeano
Livro “O livro dos abraços” de Eduardo Galeano

Título original: El Libro de los Abrazos

Primeira publicação: 1989

Editora: L&PM Editores (19 de Outubro de 2005) – 272 páginas

Tradutor: Eric Nepomuceno

ISBN13: 9788525414885

Sinopse: Tratar a memória como coisa viva, bicho inquieto: assim faz Eduardo Galeano quando escreve. Sua memória pessoal e a nossa memória coletiva, da América. Quando escreve, ele mostra que a história pode – e deve – ser contada a partir de pequenos momentos, aqueles que sacodem a alma da gente sem a grandiloqüência dos heroísmos de gelo, mas com a grandeza da vida.
Assim é este Livro dos abraços. Em suas andanças incessantes de caçador de histórias, Galeano vai ouvindo de tudo. O que de melhor ouviu ele transforma em livros como este, onde lembra como são grandes os pequenos momentos e como eles vão se abraçando, traçando a vida. A memória viva, diz Galeano, nasce a cada dia. Ele diz e demonstra, em livros como “As Veias abertas da América Latina”, “Dias e noites de amor e de guerra”, “Os nascimentos”, “As caras e as máscaras”, “O século do vento” e, agora, neste Livro dos abraços. Nada que possa ser dito numa apresentação é capaz de chegar perto da beleza e da emoção que estas páginas contêm. Abra este livro com cuidado: ele é delicado e afiado como a própria vida. Pode afagar, pode cortar. Mas seja como for, como a própria vida, vale a pena.

 

 

Eduardo Hughes Galeano nasceu em Montevideu, no Uruguai, em 03 de setembro de 1940, em meio a uma família católica de classe média de ascendência europeia. Na infância, Galeano tinha o sonho de se tornar um jogador de futebol; esse desejo é retratado em algumas de suas obras, como O futebol de sol a sombra (1995). Na adolescência, Galeano trabalhou em empregos nada usuais, como pintor de letreiros, mensageiro, datilógrafo e caixa de banco. Aos 14 anos, vendeu sua primeira charge política para o jornal El Sol, do Partido Socialista. Ele iniciou sua carreira jornalística no início da década de 1960 como editor do Marcha, influente jornal semanal que tinha como colaboradores Mario Vargas Llosa e Mario Benedetti. Foi também editor do diário Época e editor-chefe do jornal universitário por dois anos. Em 1971 escreveu sua obra-prima As Veias Abertas da América Latina. Posteriormente, em 2014, declarou que não se identificava mais com sua essa sua obra anticapitalista. Sobre ela, disse o autor: “Para mim, essa prosa da esquerda tradicional é extremamente árida, e meu físico já não a tolera”.

Em 1973, com o golpe militar do Uruguai, Galeano foi preso e mais tarde seu nome foi colocado na lista dos esquadrões da morte. Temendo por sua vida, exilou-se na Argentina e, depois, na Espanha, onde deu início à trilogia Memória do Fogo. Em 1985, com a redemocratização de seu país, Galeano retornou a Montevidéu, onde viveu até sua morte, em 13 de abril de 2015. Ele faleceu de um câncer de pulmão.

Autor de inúmeras obras literárias e jornalísticas, traduzidas em mais de vinte idiomas, ele exercitava seu estilo literário compondo pequenas histórias que abordam desde temas políticos significativos no contexto histórico da América Latina até uma temática singela, enfocando fatos do dia-a-dia e até mesmo o futebol. Neste sentido, ele é considerado um escritor da estirpe de John dos Passos e Gabriel García Márquez.

Sua obra tem sido amplamente reconhecida e premiada. Nos anos de 1975 e 1978 ele conquistou o prêmio Casa de Las Américas; recebeu o Aloa, oferecido pelas editoras da Dinamarca, em 1993; sua trilogia Memória do Fogo foi condecorada pelo Ministério da Cultura do Uruguai; foi agraciado também com o American Book Award, pela Washington University, dos Estados Unidos, em 1989.

Posteriormente, em 1999, Eduardo Galeano tornou-se o primeiro escritor a receber um prêmio doado a quem contribuísse para a Liberdade Cultural, da parte da Lannan Foundation, do Novo México. Ele também foi homenageado com o título de primeiro cidadão ilustre do Mercosul. Em 2001, no mês de Dezembro, ele recebeu o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade de Havana, de Cuba. Em 2006, ganhou o Prêmio Internacional de Direitos Humanos através da Global Exchange, instituição humanitária americana. Em 2010, o Prêmio Stig Dagerman.

Algumas de suas principais obras são: De pernas pro ar, Dias e noites de amor e de guerra, Futebol ao sol e à sombra, O livro dos abraços, Memória do fogo (que inclui Os nascimentos, As caras e as máscaras e O século do vento), Mulheres, As palavras andantes, Vagamundo e As veias abertas da América Latina.

 

 

O título do livro já me foi bastante atraente: O Livro dos Abraços. Pensa-se em algo acolhedor, amigo, querido. E o livro tem bastante de tudo isso.

Eu não conhecia a escrita de Eduardo Galeano antes de ler este livro. Fiquei encantada. Como quem está conversando com um amigo, contando pequenas lembranças ou histórias da vida, ele escreve pequenos contos (micro contos talvez?) narrando suas memórias, seja envolvendo assuntos da família, de conhecidos, da América Latina (sobre as ditaduras militares, corrupção, etc), do seu exílio. São cerca de 270 páginas, com algumas ilustrações e contos de um parágrafo até, no máximo, de duas páginas. E ele consegue resumir uma história inteira naquelas poucas palavras.

Quando iniciei, pensei se deveria ler aos poucos ou se valia a pena ler de forma contínua, como qualquer outro livro. A verdade é que não faria diferença. Mas optei pela leitura contínua, apenas pelo fato que eu não tinha vontade de interromper a leitura.

Este livro apenas me abriu o apetite para devorar outras obras do autor. Maravilhoso!

Vou deixar aqui apenas um gostinho…

O mundo

Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus.

Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.

– O mundo é isso – revelou. – Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.

Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.

 

A ventania

Assovia o vento dentro de mim.

Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara.

 

 

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2 Comments
  • Carlos Moya disse:

    Olá Silvia, Domingo Feliz, eu gostei de sua apresentação no vídeo. Muito obrigado. Mal sabia do autor e eu ainda não li qualquer trabalho dele. Após essa análise pretendo lê-lo para a próxima semana. Um abraço forte.

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