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Livro “O Estrangeiro” de Albert Camus

Livro “O Estrangeiro” de Albert Camus
Livro “O Estrangeiro” de Albert Camus

Título Original: L’Étranger

Tradutor: Valerie Rumjanek

Primeira Publicação: 1942

Editora: Best Bolso

ISBN: 8577992705 (ISBN13: 9788577992706)

Sinopse: Este livro traz a história de um argelino que trabalha num escritório em Argel e, em consequência de situações absurdas, mata um árabe.

 

Pertencente a uma família operária, Albert Camus (1913-1960) cresceu na Argélia, onde estudou filosofia. Filho de um francês e de uma descendente de espanhóis, o escritor perdeu o pai na Batalha do Marne, em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial. Marcado pela guerra, pela fome e pela miséria, foi um dos principais representantes do existencialismo francês, influenciando de modo decisivo a visão de mundo da geração de intelectuais rebeldes da época do pós-guerra. Em 1957, Camus recebeu o Prêmio Nobel de Literatura.

O personagem principal, Meursault, é um funcionário de escritório em Argel. O livro tem início com a notícia de que sua mãe tinha acabado de falecer. Meursault assiste ao enterro da mãe indiferente e logo após vai tomar um banho de mar e se envolve em um relacionamento amoroso. Por situações casuais que vão se sucedendo, ele acaba se envolvendo em uma trama de vingança amorosa alheia a ele mesmo, mas cujos acasos o levarão a cometer um assassinato.

O livro é muito curto e de leitura rápida e fácil. A escrita de Camus é muito limpa, transparente e neutra. A narrativa é em primeira pessoa e o personagem descreve sua história de forma objetiva a partir de suas lembranças.

É interessante a forma como ele narra os eventos como se lhe fossem alheios; ele não parece se afetar emocionalmente por nada que vai acontecendo ao longo dos dias: nem pela morte da mãe, nem pela proposta de promoção no trabalho, nem pela proposta de casamento que recebe da moça com quem se envolve. Tudo passa por ele como se fossem fatos da vida e são aceitos dessa forma natural. É como se nada disso fosse causar maiores repercussões em sua vida.

A partir do assassinato, ele passa a lidar com a interrupção de sua liberdade. Seu sofrimento não acontece pela ausência da liberdade com seu significado abstrato, mas com a ausência concreta da liberdade: a impossibilidade dos banhos de mar, a falta dos cheiros das mulheres, todos os pequenos detalhes que passam despercebidos na vida cotidiana.

Ele não sofre de remorsos. Ele não nega sua culpa. Ele mesmo não entende a forma como tudo se passou. Ele não entende seu julgamento e a forma como o advogado e o promotor falam sobre ele como se ele não estivesse ali, como se fosse outro alguém sendo analisado por visões diferentes que supunham conseguir analisá-lo e ler seus pensamentos.

Tudo parece ir ocorrendo a ele como em um sonho (ou melhor, pesadelo). Ele não opina, envolve-se nas situações quase inconscientemente, e acaba condenado à morte.

Num universo repentinamente privado de ilusões ou de luzes, o homem se sente um estrangeiro.

– Albert Camus, em “O mito de Sísifo”

O único momento do livro em que a descrição sai do transe é próximo ao final, quando o padre vai conversar com ele após a sentença da pena de morte. Ele consegue liberar sua raiva, suas insatisfações e o rancor por aquilo que ele não teria mais.

Um livro maravilhoso.

– Sílvia Souza

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