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Livro “O deserto dos Tártaros” de Dino Buzzati

Livro “O deserto dos Tártaros” de Dino Buzzati
Livro “O deserto dos Tártaros” de Dino Buzzati

Título original: Il deserto dei Tartari

Primeira publicação: 1940

Editora: Nova Fronteira (2015) – 176 páginas

Tradutores: Aurora Fornoni Bernardini e Homero Freitas de Andrade

ISBN13: 9788520923849

Sinopse: Ao alcançar o posto de tenente, o jovem Giovanni Drogo é designado para o Forte Bastiani, o que crê ser a primeira etapa de uma carreira gloriosa. A má impressão que tem ao chegar ao isolado forte o abala. A espera pelo inimigo, que justifica a permanência do comando militar na região, transforma-se na espera por uma razão de viver, na renúncia da juventude e na mistura de fantasia e realidade. Militares apáticos veem aos poucos seus sonhos serem minados numa rotina angustiante e alimentam a ilusão ou o temor de que um dia a batalha de suas vidas aconteça, quando os inimigos finalmente surgirem do deserto.

 

Dino Buzzati nasceu em 1906 em Belluno, Itália. Jornalista, escritor e artista plástico, foi uma das figuras mais importantes da literatura italiana e europeia contemporânea, cuja obra foi influenciada por Kafka e pelo surrealismo.

Buzzati iniciou sua carreira jornalística em 1928 no jornal milanês Corriere della Sera, onde permaneceria por mais de quarenta anos, chegando ao cargo de redator-chefe. Na mesma época, frequentou o Liceo Classico Parini di Milano, laureando-se em jurisprudência com a tese La natura giuridica del Concordato. Estreou na literatura em 1933 com Bàrnabo delle montagne, ao qual se seguiram numerosos romances e volumes de contos, entre os quais se destacam O segredo do bosque velho (1935), sua obra-prima O deserto dos tártaros (1940), As montanhas são proibidas (1949) e Um amor (1963). Também escreveu e ilustrou livros infantis, como A famosa invasão dos ursos na Sicília (1945), e se aventurou em ensaio, poesia e teatro. Nos últimos anos, acentuou suas características satíricas e mostrou interesse pela crítica social que o distinguiu dos escritores italianos de sua geração, mas sempre com a sua original interpretação da realidade.

Dino Buzzati morreu de câncer em 1972, após uma prolongada luta contra a doença.

Este foi mais um livro que coloquei na minha lista após o programa Literatura Fundamental da TV Cultura e que está disponível no YouTube. Tive um pouco de receio de que pudesse não gostar do livro, de que fosse achá-lo monótono ou cansativo. Mas o autor não permite que isso aconteça, mesmo que nos deparemos com a história imutável em sua rotina de Giovanni Drogo, o personagem principal do romance.

Giovanni Drogo é um jovem oficial do exército que deixa a casa de sua mãe para ir ao Forte Bastiani, onde deveria servir. Ele imaginava que seria algo importante, por defender a fronteira do país. Mas descobre que o forte é um lugar absolutamente isolado, ao qual ninguém dá importância. Apesar disso, os oficiais que se encontram lá passaram suas vidas naquele lugar, sempre esperando o início da guerra que viria com o ataque dos tártaros, que viviam além de um deserto interminável.

Quando Drogo tomou conhecimento dessa situação, resolveu que pediria transferência o mais rapidamente possível, alegando um problema de saúde. Quatro meses se passaram e ele resolveu ficar até completar dois anos. A cada momento em que ele pensava em partir, algo fazia com que ficasse mais algum tempo: um cavalo surgido do nada no meio do deserto; uma luz vista ao longe com a ajuda de uma luneta; uma estrada que vinha sendo construída através do deserto. E ele permanecia na esperança de ainda viver algo grandioso (uma guerra) e de ter a chance de defender o país.

Nessa história que pode parecer tão simples reside nossa inércia; a ausência de movimento esperando que a mudança chegue espontaneamente até nós, sem que tenhamos que tomar nenhuma atitude pró-ativa para que essa mudança ocorra. Com que frequência não vivemos isso e desperdiçamos nossas vidas na espera de algo que nunca chega?

O próprio Dino Buzzati descreveu de onde veio sua ideia para o livro:

De 1933 a 1939 trabalhei no Corriere della Sera no período noturno. Era um trabalho monótono e aborrecido, e os meses passavam, e passavam os anos e eu me perguntava se seria sempre assim, se as esperanças, os sonhos, inevitáveis quando se é jovem, iriam se atrofiar pouco a pouco, se a grande ocasião viria ou não.

E caso optemos pela eterna espera, essa “grande ocasião” pode não chegar nunca. Mas a morte certamente virá. E não há como voltar para reviver o que perdemos.

Aos poucos a fé se enfraquecia. É difícil acreditar numa coisa quando se está sozinho e não se pode falar com ninguém. Justamente naquela época Drogo deu-se conta de que os homens, ainda que possam se querer bem, permanecem sempre distantes; que, se alguém sofre, a dor é totalmente sua, ninguém mais pode tomar para si uma mínima parte dela; que, se alguém sofre, os outros não vão sofrer por isso, ainda que o amor seja grande, e é isso o que causa a solidão da vida.

 

 

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