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Livro “O amante de Lady Chatterley” de D.H. Lawrence

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Livro “O amante de Lady Chatterley” de D.H. Lawrence
Livro “O amante de Lady Chatterley” de D.H. Lawrence

Título Original: “Lady Chatterley’s Lover”

Editora: Penguin-Companhia (15-12-2010)

ISBN13: 9788563560094

Primeira publicação: 1928

Resenha: Poucos meses depois de seu casamento, Constance Chatterley, uma garota criada numa família burguesa e liberal, vê seu marido partir rumo à guerra. O homem que ela recebe de volta está paralisado da cintura para baixo, e eles se recolhem na vasta propriedade rural dos Chatterley. Inteiramente devotado à sua carreira literária e depois aos negócios da família, Clifford vai aos poucos se distanciando da mulher. Isolada, Constance encontra companhia no guarda-caças Oliver Mellors, um ex-soldado que resolveu viver no isolamento após sucessivos fracassos amorosos.

Último romance do autor, O amante de lady Chatterley foi banido em seu lançamento, em 1928, e só ganhou sua primeira edição oficial na Inglaterra em 1960, quando a editora Penguin enfrentou um processo de obscenidade para defender o livro. Àquela altura, já não espantava mais os leitores o uso de “palavras inapropriadas” e as descrições vivas e detalhadas dos encontros sexuais de Constance Chatterley e Oliver Mellors. O que sobressaía era a força literária de Lawrence e a capacidade de capturar uma sociedade em transição.

Esta edição inclui o texto “A propósito de O amante de lady Chatterley”, em que Lawrence comenta a controvérsia em torno do livro e justifica suas intenções literárias, e ainda uma introdução de Doris Lessing, vencedora do prêmio Nobel de literatura em 2007. 

 

 

Eu tinha feito uma primeira leitura dessa obra maravilhosa de D.H. Lawrence enquanto eu vivia uma história de amor bastante complicada e acabei tendo uma identificação muito grande com a narrativa do livro.

Quando a Laynne (uma pessoa incrível que se tornou uma grande amiga) comentou que gostaria de ler esse livro, nasceu nossa primeira leitura compartilhada, que foi iniciada em 27/10/2015. Passamos a ler um capítulo por dia e comentávamos por e-mail nossas impressões sobre os capítulos lidos.

Descobri que ler um livro em conjunto com alguém e manter esse tipo de diálogo é uma forma incrível de conhecer alguém de verdade e cultivar uma amizade que vai nascendo e crescendo aos poucos. No nosso caso, especificamente, foi uma identificação quase imediata. Nossos comentários eram semelhantes e complementares em muitos momentos, nossas opiniões muito parecidas e, inclusive, acabávamos marcando e citando os mesmos trechos do livro.

Ler o livro novamente acabou reavivando muitas lembranças de um passado relativamente recente e trouxe de volta muitas saudades. De qualquer forma, apesar das tristezas que acompanham as saudades, pude me apaixonar novamente pelo livro e pela história de Constance e Mellors.

O livro precisa ser analisado dentro de seu contexto histórico, logo depois da Primeira Guerra Mundial, em pleno processo de industrialização da Inglaterra e do crescimento das cidades; mas ainda com muita desigualdade social, um resquício da aristocracia (decadente) e a divisão social baseada no dinheiro e no nome de família.

D.H. Lawrence não omite sua crítica à sociedade, à hipocrisia das relações sociais, do casamento, da falsidade presente em quase tudo. Em meio a todas as críticas presentes no livro, aparece de forma marcante a crítica sobre o comportamento sexual dissimulado. Ele critica a forma como a sociedade nega o desejo, a paixão, a sensualidade e a liberdade sexual, condenando aqueles que querem viver a sexualidade plenamente.

Mas o livro está longe de ser uma obra apenas de cunho sexual. A crítica à hipocrisia em relação ao sexo vem acompanhada de toda a crítica em relação à industrialização, à sociedade que passa a destruir a Natureza, à dificuldade de mudança de casta social, da valorização do nascimento e do nome de família em relação à cultura, à honra e à força de caráter.

De forma diversa da obra de Gustave Flaubert, “Madame Bovary”, que deu início ao Realismo e que surge como uma crítica direta ao Romantismo e à visão romântica das mulheres, a obra de D.H. Lawrence é Modernista e mostra uma mulher (Constance Chatterley) firme, decidida, liberal e resolvida sexualmente e com pouca tendência à visão romântica ou do amor eterno. Mas ainda mostra a dificuldade das mulheres frente às leis, frente ao desejo de divórcio, o quanto ainda permaneciam presas aos desejos e caprichos dos maridos, que poderiam dar ou não a liberdade.

Eu tenho um amor profundo por essa obra, pelas críticas de D.H. Lawrence, pela firmeza de Constance, pelo amor de Mellors, pelas descobertas sexuais, pela paixão e pela entrega de ambos, sem vergonha e sem pudores.

O livro foi concluído há quase 100 anos. E, em muitos aspectos, continua sendo uma obra absolutamente atual.

Amo esse livro por tudo o que ele contém, pelas lembranças que ele me trás e, agora, pela experiência maravilhosa dessa leitura compartilhada com a Laynne.

É um livro super indicado!

– Sílvia Souza

 

 

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4 Comments
  • Xandy Xandy disse:

    Parabéns pela resenha, Silvinha. Este livro faz parte da minha biblioteca há bastante tempo e eu ainda não tive a oportunidade de lê-lo.
    Um grande beijo pra ti, amiga.

  • Darlene Regina disse:

    Que bela lembrança! Li este livro anos atrás, ainda bem garota… Lembro o choque de algumas pessoas mais velhas ao me verem passeando com ele por aí kkk É realmente uma excelente obra e, agora me ocorreu um pensamento/curiosidade: Há alguma adaptação para o cinema?

    Abraços

    • Bom dia, Darlene!
      Acho esse livro absolutamente maravilhoso. Gosto da caracterização da época, de forma clara e honesta, da história de amor, das críticas apontadas.
      Houve várias adaptações:
      1. Lady Chatterley’s Lover em 1955 – versão francesa
      2. Lady Chatterley’s Lover em 1981 – versão inglesa
      3. La storia di Lady Chatterley (1989) – italiana
      4. Lady Chatterley (2006) – o único que eu assisti
      5. Lady Chatterley’s Lover (2015) – filme para TV
      Fizeram também uma minissérie e há outros filmes que foram inspirados pelo livro. O filme de 2006 é muito bom, fiel ao livro e foi o que me motivou a leitura do livro.
      Espero ter ajudado!
      Um lindo domingo!

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