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Livro “Enclausurado” de Ian McEwan

Livro “Enclausurado” de Ian McEwan
Livro “Enclausurado” de Ian McEwan

Título Original: Nutshell

Primeira publicação: 01 de Setembro de 2016

Editora: Companhia das Letras (27 de Setembro de 2016) – 200 páginas

Tradutor: Jorio Dauster

ISBN13: 9788535928013

Sinopse: O narrador deste livro é nada menos do que um feto. ‘Enclausurado’ na barriga da mãe, ele escuta os planos da progenitora para, em conluio com seu amante que é também tio do bebê , assassinar o marido. Apesar do eco evidente nas tragédias de Shakespeare, este livro de McEwan é uma joia do humor e da narrativa fantástica. Em sua aparente simplicidade, ‘Enclausurado’ é uma amostra sintética e divertida do impressionante domínio narrativo de McEwan, um dos maiores escritores da atualidade.

 

Ian McEwan nasceu em 21 de junho de 1948 em Aldershot, Inglaterra. Estudou Literatura Inglesa na Universidade de Sussex. Ele já ganhou vários prêmios literários.

Este livro foi mais um dos livros recebidos da parceria com o Grupo Companhia das Letras. Foi um dos lançamentos de setembro e chegou até mim no final de outubro.

Enclausurado conta uma história sob a perspectiva de um feto. Ele não vê nada, mas escuta o que as pessoas falam e tenta construir as imagens em sua mente. Conhece muito sobre o que se passa no mundo, porque a mãe escuta muitos programas em rádios, documentários, notícias, e o feto consegue fazer análises dos problemas globais, inclusive sobre política e meio ambiente.

É claro que isso é muito pouco crível. Não é uma obra que pretende fazer sentido na sua narrativa, já que é impossível imaginar um feto com tamanha construção de ideias e reflexões, inclusive com a capacidade de imaginar cores.

Quando comecei a minha leitura, achei que seria algo chato e que não conseguiria me envolver na trama, em especial por este aspecto do narrador ser um feto tão consciente do mundo à sua volta.

Então aqui estou, de cabeça para baixo, dentro de uma mulher. Braços cruzados pacientemente, esperando, esperando e me perguntando dentro de quem estou, o que me aguarda. Meus olhos se fecham com nostalgia quando lembro como vaguei antes em meu diáfano invólucro corporal, como flutuei sonhadoramente na bolha de meus pensamentos num oceano particular, dando cambalhotas em câmera lenta, colidindo de leve contra os limites transparentes do meu local de confinamento, a membrana que vibrava, embora as abafasse, com as confidências dos conspiradores engajados numa empreitada maléfica.

Não parece um início de livro particularmente atraente, pelo menos, não para mim.

Mas segui adiante, na expectativa do que viria.

O feto sabe sobre sua mãe e sabe que ela vive com Claude, um homem que não é seu pai. Sabe que seu pai se chama John e que ele é um poeta sem sucesso, dono de uma editora especializada em obras poéticas, que tem muitas dívidas.

O feto começa a perceber que há uma trama criminosa e vai tentando entender do que se trata. Ele percebe que sua mãe e Claude estão tramando a morte de seu pai, John.

A narrativa que envolve o crime, como planejam executá-lo e os aspectos emocionais inevitáveis, torna a história muito interessante. Em um determinado momento, precisei parar a leitura por causa do horário. Mas acabei tendo que retomá-la, porque eu não conseguia dormir. Precisava saber o que aconteceria a seguir.

A forma como Ian McEwan escreve realmente nos envolve e nos vemos inseridos na trama, em meio àquela descrição cega das cenas, de alguém que capta os diálogos de forma incompleta e tenta construir as imagens, os movimentos, as expressões e os fatos apenas baseado em impressões, sons, batimentos cardíacos da gestante que carrega aquele feto altamente criativo.

Algumas coisas incomodam, por serem inverossímeis demais. A mulher grávida, Trudy, bebe demais; ela está o tempo todo tomando vinho ou whisky, mas é o vinho que aparece com mais frequência. E o feto descreve as características dos vinhos, seus aromas, a região onde é produzido, suas preferências. Pequenas coisas como estas acabavam me irritando, por deixar a irrealidade do narrador transparente demais.

Alguns minutos atrás o rádio nos disse que eram quatro horas. Estamos dividindo uma taça, talvez uma garrafa, de sauvignon blanc da região de Marlborough. Não seria minha primeira escolha e, para a mesma uva e um gosto menos marcado de grama, eu teria partido para um Sancerre, de preferência de Chavignol. Um toque de mineral teria mitigado o ataque brutal da luz direta do sol e o calor de forno emitido pela fachada com rachaduras da nossa casa.

Apesar destes trechos, gostei bastante do livro. É uma leitura de um dia que não dá vontade de parar antes de terminar.

 

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4 Comments
  • Carlos Moya disse:

    Olá Sílvia embora pareça uma leitura muito fantasioso e pouco edificante eu penso que apresenta um ponto muito de vista original. Vou deixar reserva um tempo. Um abraço.

  • Tive muita resistência com este livro, pq as pessoas que conheço que leram não gostaram.
    E realmente é uma narrativa arriscada, porém interessante e curiosa.
    Talvez eu leia

    Hug

    • Silvia Souza disse:

      Olá, Marcia!
      Existem aspectos interessantes nesse livro e ele é curtinho, de leitura rápida.
      Mas não acho que seja um super livro… Se você tiver outras coisas boas pra ler, deixa esse de lado.
      Beijo!

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