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Livro “Dilmês: O Idioma da Mulher Sapiens” de Celso Arnaldo Araujo

Livro “Dilmês: O Idioma da Mulher Sapiens” de Celso Arnaldo Araujo
Livro “Dilmês: O Idioma da Mulher Sapiens” de Celso Arnaldo Araujo

Primeira Publicação: 02-12-2015

Editora: Record

ISBN13: 9788501106766

Sinopse: A sátira política que honra a melhor tradição do gênero com uma viagem ao centro do saara cerebral de Dilma Rousseff. Já em meados de 2009, no exato instante em que a funcionária pública mineira de origem búlgara começou a se apresentar aos brasileiros como presidenciável, era possível notar que havia algo de errado naquele discurso no qual palavras eram despejadas a esmo, sem dar liga a uma única ideia à altura do cargo que postulava. A partir dos discursos presidenciais transcritos na íntegra pelo Portal do Planalto, Celso Arnaldo Araujo, pioneiro na análise sintática e política da língua falada pela presidente da República, destrincha e documenta os verdadeiros espetáculos de comédia bufa protagonizados pela dramática inaptidão da oratória de Dilma. 

 

Escutar a presidente Dilma Rousseff falar é algo que sempre causa risos. Sua incapacidade de traçar um raciocínio lógico e de construir frases que façam sentido é notória até para uma criança.

Quando li a resenha desse livro feita por Gerson de Almeida no site Falando em Literatura…, fiquei bastante interessada. Uma das frases de sua resenha que mais me chamou a atenção foi:

“Comprei o livro pensando em rir e acabei aos prantos, com pena desta senhora.”

E minha experiência foi exatamente essa.

O livro é muito bem escrito pelo jornalista Celso Arnaldo Araujo. Ele coleciona as frases da presidente desde de muito antes de ela se candidatar ao primeiro mandato… de quando ainda era Ministra do governo Lula. Ele descreve a primeira vez em que a escutou falando e sua fala sem sentido já lhe chamou a atenção. Desde então, passou a procurar por vídeos, discursos e entrevistas.

Conforme ele menciona no livro, o próprio site do Palácio do Planalto facilitou muito seu trabalho quando passou a transcrever todos os discursos da Dilma na íntegra, sem correções das frases desconexas e dos erros grosseiros.

O livro não está organizado por temporalidade, mas por assuntos:

  1. Dilma fala: “Pra mim sê pré”
  2. A “bichinha palanqueira” e a “imensa capacidade” do dilmês – que controla até avião
  3. A sapiência da Mulher sapiens foi chacoalhada pela caxirola
  4. A única mulher que hesitou entre o balé e o Corpo de Bombeiros – e se tornou presidente

E daí em diante até o Capítulo 15. São todos muito interessantes.

Era de se esperar que o livro contivesse uma crítica política também. Não é possível ler ou escutar suas frases desconexas e achar que sua limitação de raciocínio seja apenas para a construção verbal. É de se supor que uma pessoa que seja incapaz de expressar suas ideias de forma clara não tenha competência para exercer o cargo de Presidente da República. E, apesar disso, chegou a ele e ainda foi eleita para um segundo mandato.

O livro acrescenta alguns fatos que foram omitidos (ou mentidos) pelo Governo Federal por muito tempo, como o fato de ela ter feito Mestrado e Doutorado em Economia, sendo que nenhuma das duas pós graduações foi concluída (nem chegaram perto de serem concluídas).

Celso Arnaldo Araujo cita todos os discursos e entrevistas vergonhosos feitos defronte a imprensa mundial, falando do meio ambiente ou do dentifrício ou demonstrando o desconhecimento da forma de governo de Portugal. Seu despreparo é evidente; e chegou um momento do livro em que eu passei a ficar encabulada por Dilma, por seu papel vexatório ao representar o Brasil em tantos eventos internacionais.

“Foi muito, houve uma procura imensa, tinham seis empresas que apresentaram suas propostas, houve um deságio de quase… foi um pouco mais de 38%, mas eu fico em 38% para ninguém dizer: ‘Ah, ela disse que era 38, mas não é não. É 39, 38 e qualquer coisa ou é 36. Trinta e oito, eu acho que é 39, mas vou dizer 38. Também não tem ser humano que guarde todos os números.”

Dilma, enquanto ser humano, não guarda número algum — pelo menos os certos. Aliás, o deságio da ponte não foi de 39 nem 38, mas de 36%. Menos mal. Mal mesmo ficaram os portugueses depois que ela os submeteu a seu senso de proporção — e também à sua gramática. A presidente ainda por cima aumentou o desemprego no país irmão. Foi na volta de uma viagem à terrinha, em 12 de junho de 2013. Já em Brasília, com o dedo em riste, tenta dizer que viu gente pior do que nós: “Em Portugal, daonde (sic) eu… aonde eu cab… ac … di (sic) onde eu acabei de vir, o desemprego béra (sic) 20%. Ou seja: um em cada quatro (sic) portugueses estão (sic) desempregados. E eles vêm dizê (sic) qui (sic) o Brasil é um país em situação difícil.”

Em Portugal, segundo o Teorema de Dilma, o desemprego béra o escárnio: o algarismo 1 é plural e, num conjunto de 4, representa 20% — não 25%, como insiste Pitágoras. É por essa sua paixão pela inexatidão dos números que se tornou uma espécie de sátira feminina de Malba Tahan (O homem que calculava). O homem e também a mulher.

E apesar de sua formação em Economia, o livro cita inúmeras passagens em que ela deixa evidente sua dificuldade com os números. E não é em nenhuma conta complexa. São contas simples ou ordens de grandeza, como dizer que a população da China é de 1 trilhão de pessoas.

Seu desejo de citar os gêneros masculino e feminino em separado, evitando o uso do plural no masculino conforme manda a língua portuguesa, também é exemplificado à exaustão. E chega a extremos descabidos:

“Eu quero cumeçá (sic) dirigindo um comprimento (sic) às prefeitas e aos prefeitos, às primeiras-damas e aos primeiros-damos (sic) aqui presentes.”

Aliás, o livro faz com que seja possível identificar quando um texto foi escrito ou proferido por Dilma.

Quero deixar aqui apenas mais um trecho do livro. Não é o mais engraçado (ou mais triste), mas é um que cita minha cidade natal, durante um evento recente em que ela compareceu para entregar as chaves do Minha Casa, Minha Vida:

Os discursos em dilmês, como já se disse aqui, têm um plano de obra. No dia 16 de setembro de 2015, em Presidente Prudente, para a entrega de unidades do Minha Casa, Minha Vida, o instante ternura foi ainda mais esparramado:

“Bom dia. Eu quero dizer bom dia e muito bom destino, muito bom futuro para cada uma das famílias dos homens, das mulheres, dos meninos, dos menininhos e das menininhas que hoje aqui receberam a sua chave. Quero dizer também bom dia para toda a população aqui de Presidente Prudente, de todos os municípios aqui que compõem esse centro administrativo. E vou cumprimentar aqui as mulheres, os homens, os casais que vocês viram com filhos, que receberam, em nome de vocês, a chave.”

Os moradores de Presidente Prudente devem ter ficado emocionados de ouvir sua presidente desejar-lhes “muito bom destino” e “muito bom futuro” — o que também jamais tinham ouvido de ninguém. Mas os menininhos e as menininhas da cidade ainda se ressentem de não terem sido chamados de “prudentinozinhos e prudentinozinhas”.

Essa foi uma leitura interessante e recomendo a todos os que querem rir um pouco, deprimir-se no final e aprender o que é uma gramática portuguesa mal empregada, na tentativa de não cometer os mesmos erros que a nossa presidente.

 – Sílvia Souza

 

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7 Comments
  • Alex André disse:

    Uma semi analfabeta com diploma universitário, reelegeu-se “presidenta” de uma república da América do sul.
    Um grande beijo, Silvinha querida, e parabéns pela excelente resenha.

  • Lari Reis disse:

    Talvez seja um passatempo interessante esse livro.
    Eu sempre prezo pelo respeito e pelo bom senso. Não gosto de fazer piadinhas com o que Dilma fala de errado ou louco, mas há momentos em que é impossível não rir. Em meio a isso, acho impossível também negar que ela passa vergonha ou nos faz passar vergonha, não raro. Só não esperava (mesmo!) que isso fosse virar livro, hehe

    • Lari, o livro foi muito bem escrito. Não senti, durante a leitura, nenhum tom de chacota. Acho apenas que é o sentimento de qualquer pessoa que consiga falar um bom português de indignação ao ver que a Presidente da República não consegue traçar uma linha de raciocínio para completar frases que façam sentido. Acho muito triste na verdade. Na minha opinião, é apenas um reflexo da falta de educação de bom nível em nosso país.
      De qualquer forma, acho que é uma leitura interessante e que vale a pena.
      Beijo!

  • Estou para resenhar esse livro desde o carnaval… rs Adorei sua resenha, Silvia! Também me deu um pouco de desespero a leitura, mas foi minha mãe quem mais se desesperou comigo lendo porque eu sempre pegava o livro, abria aleatoriamente e lia alguma fala de Dilma imitando o jeito de falar da própria hahahaha Quase fui ao lançamento do livro aqui no Rio para ter meu exemplar autografado, mas uma tempestade se anunciava e eu resolvi vir direto para casa depois do trabalho… Felizmente não fui, pois o bairro onde seria o lançamento e mesmo o bairro em que trabalho encheram :/ Beijos!

    • Confesso que estava esperando por sua resenha… Fui ao seu blog para ver se você já tinha escrito, porque você me contou que pretendia escrever.
      É algo que mistura tristeza ao lado cômico do livro… E ainda que ele não citou sobre dobrar a meta inexistente e sobre estocar ar… 🙁
      Um ótimo sábado e uma Feliz Páscoa!
      Beijo!

      • E respondendo sua pergunta nos comentários do outro post, devo publicar minha resenha até o final dessa semana 😉

        Excelente sábado e feliz Páscoa

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