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Livro “Depois de Auschwitz: o emocionante relato da irmã de Anne Frank que sobreviveu ao horror do Holocausto” de Eva Schloss

Livro “Depois de Auschwitz: o emocionante relato da irmã de Anne Frank que sobreviveu ao horror do Holocausto” de Eva Schloss
Livro “Depois de Auschwitz: o emocionante relato da irmã de Anne Frank que sobreviveu ao horror do Holocausto” de Eva Schloss

Título original: After Auschwitz: A story of Heartbreak and Survival by the Stepsister of Anne Frank

Primeira publicação: 2013 por Hodder & Stoughton

Editora: Universo dos Livros (2013) – 304 páginas

Tradução: Amanda Moura

ISBN13: 9788579305399

Sinopse: Em seu aniversário de quinze anos, Eva é enviada para Auschwitz. Sua sobrevivência depende da sorte, da sua própria determinação e do amor de sua mãe, Fritzi. Quando Auschwitz é extinto, mãe e filha iniciam a longa jornada de volta para casa. Elas procuram desesperadamente pelo pai e pelo irmão de Eva, de quem haviam se separado. A notícia veio alguns meses depois: tragicamente, os dois foram mortos. Este é um depoimento honesto e doloroso de uma pessoa que sobreviveu ao Holocausto. As lembranças e descrições de Eva são sensíveis e vívidas, e seu relato traz o horror para tão perto quanto poderia estar. Mas também traz a luta de Eva para viver carregando o peso de seu terrível passado, ao mesmo tempo em que inspira e motiva pessoas com sua mensagem de perseverança e de respeito ao próximo – e ainda dá continuidade ao trabalho de seu padrasto Otto, pai de Anne Frank, garantindo que o legado de Anne nunca seja esquecido.

 

Eva Schloss nasceu em Viena, Áustria, em 1929, mesmo ano em que Anne Frank nasceu na Alemanha. Com a anexação da Áustria à Alemanha antes do início da Segunda Guerra e com a perseguição aos judeus, seu pai passou a trabalhar na Holanda, mas não tinha autorização para levar a família; então, Eva, sua mãe e seu irmão ficaram morando em Bruxelas, na Bélgica, como refugiados. Após algum tempo, a família se reuniu em Amsterdã, na Holanda, onde passaram a morar em um bairro que acolheu muitos judeus que fugiam dos nazistas. Era o mesmo bairro onde vivia Anne Frank, embora elas não tivessem estabelecido uma amizade.

Com a piora da perseguição aos judeus, eles passaram a viver escondidos. Muitos cidadãos denunciavam os judeus, colaborando com os nazistas, em troca de dinheiro ou alguma proteção. Dessa forma, seu pai e seu irmão foram presos e, a seguir, Eva e sua mãe. Todos foram levados para Auschwitz-Birkenau.

Apenas Eva e sua mãe sobreviveram. Posteriormente, após já terem retornado a Amsterdã ao final da Guerra, foi que sua mãe e Otto Frank, pai de Anne Frank se aproximaram e acabaram se casando. Com a morte de Otto e de sua mãe, Eva assumiu muitas atividades da Fundação Anne Frank e passou a levar a exposição a vários países, com o intuito de manter a mensagem de tolerância e paz e contrária a todo tipo de preconceito.

Embora Eva tenha um livro anterior que descreve sua experiência no campo de concentração, A história de Eva, no livro Depois de Auschwitz: o emocionante relato da irmã de Anne Frank que sobreviveu ao horror do Holocausto, ela relata toda sua vida praticamente: desde o tempo em que viveu em Viena, a história de sua família e, em especial, de seus pais, as mudanças pelos países para fugir dos Nazistas, sua prisão, a viagem ao campo de concentração, sua vida no campo e como ela e a mãe sobreviveram, a libertação pelos soldados soviéticos, a viagem para a União Soviética com o fim da Guerra, o retorno para a Holanda, sua vida posterior, casamento, filhos, sua dificuldade em falar sobre a Guerra. O livro é praticamente toda a história de sua vida.

Ela não escreveu o livro sozinha. Contou com o apoio de Karen Bartlett para colocar todas as suas memórias em palavras. Como a maioria das histórias que eu li, a maioria das pessoas não quer reviver os sofrimentos da Guerra. Ela não contava nada sobre suas lembranças, nem mesmo para o marido e para as filhas, até um dia ser chamada para dizer algumas palavras em uma exposição da Fundação Anne Frank que estava sendo aberta. Esse convite foi de surpresa e, ao subir ao palco, ela descreve que não sabe bem o que aconteceu, mas que começou a falar e a contar tudo aquilo que tinha ficado guardado por tantos anos.

A partir deste momento, ela viu que poderia também assumir um papel na luta contra a intolerância, a violência e as guerras, ao narrar sua história e tudo o que sofreu.

Eu sei que o tema da Segunda Guerra Mundial é recorrente aqui, seja nas resenhas dos livros ou dos filmes. Gostaria de poder afirmar que algo assim jamais poderia acontecer novamente. Mas não posso. Porque é muito possível que novas guerras aconteçam. E torturas, violência e sofrimento como os que aconteceram continuam acontecendo em várias partes do mundo. Infelizmente, ainda existem muitas pessoas más e capazes de tudo em sua sede pelo poder. É uma pena. Gostaria de deixar para os meus filhos um mundo de tolerância, de aceitação, de respeito, de liberdade… Mas tenho a sensação de que eles viverão em um mundo ainda pior do que eu vivi.

Apesar do livro de Eva Schloss contar todas as suas tristezas e os sofrimentos que viveu, acho que é um livro que estimula o que existe de melhor em nós, para que possamos fazer nossa parte, mesmo que pareça muito pouco.

Coloco uma pequena transcrição do livro:

Anne Frank escreveu no final de seu diário, pouco antes de ser capturada, que ainda acreditava que as pessoas tinham bons corações, mas eu me pergunto o que ela pensaria se tivesse sobrevivido aos campos de concentração de Auschwitz e Bergen-Belsen. Minhas experiências revelaram que as pessoas têm uma capacidade única para crueldade, brutalidade e completa indiferença aos sentimentos humanos. É fácil afirmar que o bem e o mal existem dentro de cada um de nós, mas eu vi a realidade de perto, e isso me levou a uma vida de questionamentos sobre a alma humana.

Depois de falar sobre as minhas experiências por mais de vinte e cinco anos, já posso prever a maioria das perguntas que as pessoas me farão, mas isso não significa que eu tenha todas as respostas.

Há alguns meses, quando terminei meu discurso em uma determinada ocasião, olhei para a sala repleta de alunos. Uma garota de olhos escuros da Somália levantou a mão, hesitante, e perguntou:

– Você acha que isso pode voltar a acontecer?

Não posso responder isso, mas talvez você possa. Será que pode voltar a acontecer? Eu espero que não.

 

 

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17 Comments
  • Carlos Moya disse:

    Olá Silvia, eu acho que o nosso papel como pais é especialmente bom educar as pessoas e dar-lhes os seus próprios critérios. O mal existe em nossa sociedade, muitas vezes dissimulada entre mentiras. Eu não sei como ele poderia erradicar da mente humana por que às vezes cresce com base em nosso próprio comportamento inconsciente. Um abraço.

    • Eu fiquei pensando tanto no que você escreveu, Carlos.
      Será que conseguimos ter um comportamento tão cruel de forma inconsciente?
      O pior é que acho que talvez seja possível…

      • Carlos Moya disse:

        Olá Silvia, eu não culpo ninguém. Mais é o caso nós compramos por exemplo, camarões e, consequentemente, uma floresta de mangue, é cortada e algumas pessoas são vilentamente expulsos do seu modo de vida tradicional baseada na pesca costeira. Há muitos exemplos de injustiças similares. Explotação de crianças e mulheres nos textiles no terceiro mundo. Mesmo reduzindo as oportunidades de desvantagem porque não podem contar com a ajuda de lição na casa. O sucesso em todas as nossas decisões torna-se impossível. Voçe não acredita?. Um abraço.

        • Carlos Moya disse:

          Mas você não se esqueça de ser feliz, que é muito mais importante do que parece à primeira vista. Um beijo.

          • Sabe… eu tenho refletido muito sobre minha vida.
            Estou passando por um daqueles momentos em que tenho que escolher um caminho, implementar mudanças, tomar uma decisão.
            E olhar para minha vida faz com que eu veja como sou feliz de fato.
            Passo muito tempo com meus filhos, com carinho e afeto real. Tenho meus pais… minhas irmãs…
            O que mais preciso de verdade?
            Uma boa noite e uma semana maravilhosa!
            P.S.: Meus filhos irão com o pai para a Espanha nas férias de dezembro; passarão 10 dias entre Madri e outras cidades (ainda não decididas).

          • Carlos Moya disse:

            Olá Silvia, quando uma oportunidade às vezes temos que considerar se a assumir que as mudanças resultantes podem alterar a vida dos nossos mais queridos, A reflexão pode ser uma boa ajuda. Que a boa notícia é a próxima viagem para os seus filhos. Madrid é uma cidade com uma grande actividade cultural e reúne os melhores museus em Espanha como El Prado, em pintura e Casón onde é o Guernica Picasso ou Reina Sofia para a arte moderna. O Arqueológico Nacional. O etnográfico. As Ciências Naturais e muitos showrooms das fundações mais importantes e outras de caráter municipal. Eu aconselho a eles preparar um guia antes de embarcar na viagem, quase tudo é ao longo do Paseo de la Castellana, que é uma das mais belas avenidas da cidade, como são algumas das atracções circundantes. O Mosterio do Escorial, Aranjuez. Toledo a capital das três culturas, judaica, moura e cristãos. Segovia, onde você pode encontrar o aqueduto romano e Avila como um exemplo de cidade murada medieval, que é a cidade onde eu moro. Espero que eles têm um grande momento. Um abraço.

          • Olá, Carlos!
            Obrigada pelas dicas e sugestões!
            Estou certa que eles irão aproveitar muito.
            Abraço!

        • Você tem toda razão nesses seus exemplos. Vivemos uma época complicada em que parece não haver uma saída, uma solução…
          Eu tento ser uma pessoa justa e tento fazer o bem e vejo que, inconscientemente, faço inúmeras coisas que comprometem outras pessoas… não que seja meu desejo, mas de forma indireta.
          Como devemos agir?

  • Bia Perez disse:

    Sílvia que livro emocionante… adorei sua resenha. Bjs querida.

  • Tati Iegoroff disse:

    Excelente resenha. Fiquei com muita vontade de ler, tenho uma curiosidade enorme sobre este tema e sempre acabo lendo livros relacionados a ele.

  • Thais Gualberto disse:

    Como diria Ronald Reagan, a liberdade está sempre a uma geração de ser perdida… Não costumo ler relatos de sobreviventes da guerra, mas certamente é um grande livro e sua resenha é excelente! Beijos e excelente final de semana!

    • Olá, Thaís!
      Obrigada pelos comentários!
      Meus filhos acham que eu tenho uma visão muito pessimista e eu digo para eles que eu espero, sinceramente, estar errada. Mas tenho a sensação de que o mundo está caminhando em uma direção muito perigosa, onde cada país quer se fechar por medo e tem optado por escolher dirigentes extremistas e perigosos… Espero que mude e espero estar errada.
      Você citou Reagan… ele foi um presidente que soube manter uma postura muito correta em um momento muito complicado nas brigas ideológicas. Não sei se ele era inteligente, mas sei que ele se cercou de pessoas muito preparadas para assessorá-lo. Eu ainda era pequena, mas me lembro muito bem dessa época da história mundial.
      Espero que as coisas não saiam dos trilhos nas próximas escolhas nesses países que determinam os destinos do mundo.
      Um beijo grande!

      • Thais Gualberto disse:

        Particularmente considero Reagan muito inteligente (não mais que Chruchill ou Thatcher haha, mas ainda assim, muito sábio) e, de fato, cercado por pessoas competentes. Particularmente acredito que as escolhas passadas foram mais determinantes para o futuro próximo do que as escolhas atuais, pois foi a inação de autoridades atualmente no poder ou que há pouco deixaram o poder que fizeram o mundo caminhar para a atual instabilidade. Aliás, foi a própria abertura incondicional que nos colocou em tão delicada situação; ficamos demasiado vulneráveis aos que abertamente pregam nossa destruição. E bem, muitos dos que a mídia pinta como radicais não necessariamente o são, mas apenas dizem o que hoje é fato e, infelizmente assusta, pois o politicamente correto tem cegado a humanidade. Uma boa leitura a respeito é “A Síndrome de Vichy”, do psiquiatra britânico Theodore Dalrymple (um dos meus autores favoritos quando se trata de política e com uma visão bastante realista dos fatos, ainda que, por vezes, incômoda), que compara os tempos atuais com os que antecederam as primeira e segunda guerras mundiais. Devo começar a lê-lo esta semana e espero em breve publicar a resenha dele no portal Sul Connection, onde escrevo quase que semanalmente sobre política, economia e cultura.
        Beijo grande excelente semana!!

        Thaís

        • Não conhecia esse portal onde você escreve. Vou passar a segui-lo. E obrigada pela dica do livro! Acrescentado à minha lista…
          Ando um pouco cansada de tudo… do politicamente correto… e de uma série de outras coisas…
          É um absurdo, mas tenho até medo de dizer abertamente o que penso, porque a intolerância está em todo canto…
          Obrigada por estar sempre presente aqui… gosto das suas opiniões e dos seus comentários.
          Acho que temos algumas ideias parecidas.
          Um beijo grande!

          • Thais Gualberto disse:

            O Sul Connection ainda é jovem rs Um ano apenas… E eu comecei a escrever para lá faz cinco meses, quando recebi o convite de um dos editores. Do próprio Dalrymple, acredito que você iria gostar tanto como eu de “A Vida na Sarjeta”, que traz um compilado de artigos sobre a miséria moral que ele escreveu no final dos anos 90 e começo dos 2000, e também de “Podres de Mimados: As consequências do Sentimentalismo Tóxico”, que analisa profundamente o politicamente correto e elementos corrrelatos.
            E o mais interessante é que, em geral, na atualidade, os mais intolerantes são justamente os que bradam ser tolerantes…

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