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Livro “Da Vida Feliz” de Sêneca

Livro “Da Vida Feliz” de Sêneca
Livro “Da Vida Feliz” de Sêneca

Título Original: De vita beata

Primeira Publicação: 59

Editora: WMF Martins Fontes (2009)

ISBN13: 9788578271305

Sinopse: ‘Da vida feliz’, escrito por volta de 50 d.C. pelo filósofo romano Sêneca, é uma franca polêmica contra o hedonismo de Epicuro. Sêneca opõe o ideal da virtude ao ideal da volúpia, e faz uma referência ao discurso do filósofo Sócrates, que defende a virtude como forma de felicidade suprema, dizendo que tal teoria prepara um tipo de vida apenas de acordo com a natureza.

Lucius Annaeus Seneca (4 AC – 65 DC) foi um filósofo, político e escritor romano. Ele foi tutor e conselheiro do Imperador Nero. Acabou sendo forçado a cometer suicídio depois de ser acusado como cúmplice na conspiração para assassinar o Imperador.

Em seu texto, Sêneca discorre sobre o problema da felicidade e o que faz uma vida feliz.

Ele propõe que devemos buscar a felicidade longe do senso comum, porque o caminho da felicidade não é o que a maioria segue, mas aquele em que abrimos mão dos prazeres imediatos e do excesso de consumo que apenas desperta a inveja e o desejo de mais.

Acho interessante que, por mais que haja correntes muito diferentes dentro da Filosofia, quando fala-se em Felicidade, tenho a sensação (de uma completa leiga) de que todas as receitas são semelhantes. O caminho para uma vida feliz parece estar sempre na moderação, no equilíbrio, sem excessos ou extremos.

Ele faz algumas defesas da Filosofia de Epicuro e critica a forma como muitas vezes ele é mal interpretado (inclusive até os dias de hoje).

O caminho do equilíbrio e da moderação parece muito simples quando colocado no papel, quando descrito. Mas colocá-lo em prática não é nada simples.

Muitas vezes, em especial nos dias de hoje, nessa sociedade do consumo exagerado, pensa-se muito na brevidade da vida e surge a necessidade de viver com intensidade, aproveitando cada segundo antes que o tempo acabe. Mas o que significa “viver com intensidade”?

Seria fazer todas as loucuras? Ceder a todos os prazeres? Viver ao extremo sem medir as consequências e sem se importar se essas atitudes irão magoar os outros ou não?

Não acredito que seja nada disso.

Se o objetivo da vida é buscar a felicidade, prazeres transitórios não farão uma vida feliz. Consumir sem controle, magoar outras pessoas, arriscar a própria vida… tudo isso pode levar a uma sensação temporária de excitação, que não conseguirá ser mantida. E acaba-se buscando mais ações extremas que nunca irão satisfazer completamente.

É tudo isso o que esse pequeno livro de 80 páginas propõe. E ensinamentos muito semelhantes já foram propostos por outros pensadores antes dele.

Apenas gostaria que fosse algo simples de colocar em prática… e todos nós poderíamos ser felizes.

Algumas citações do livro:

Ora, nada nos enreda em maiores males do que o fato de agirmos conforme a voz comum. Julgamos ser melhor o que é aprovado pelo consenso geral e, assim, vivemos à imitação dos inúmeros exemplos que se nos apresentam, e não conforme a razão.

Nas coisas humanas não se procede com acerto tentando agradar à maioria, pois a multidão é a prova do que é pior. Busquemos, portanto, o que é melhor e não o que é mais comum, aquilo que nos estabelece na posse de uma felicidade eterna e não o que é aprovado pela massa, o pior intérprete da verdade.

Busquemos um bem que não seja aparente, mas sólido e constante, e seja tanto mais belo quanto mais íntimo. Vamos, por assim dizer, garimpá-lo.

Portanto, a vida feliz é a que concorda com a sua natureza. Ora, isso não poderá ocorrer se, em primeiro lugar, a mente não for sã e não estiver em perpétua posse da própria saúde e, em seguida, corajosa e enérgica, nobre, paciente e acomodada às várias situações. Ela deverá também cuidar sem ansiedade do corpo e do que se refere a ele, das coisas que adornam a vida, sem se deixar deslumbrar por nenhuma, e estar pronta a utilizar os dons da fortuna, sem ser escrava deles.

 

– Sílvia Souza

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7 Comments
  • Pessoalmente não acredito em felicidade.
    Felicidade é um ideal que nunca se alcança, mas acredito em alegria, está pode estar presente nos pequenos e modestos momentos de nossa vida, como tb nos momentos mais importantes.

    Vc me pareceu frustrada com o velho Sêneca rs.

    Hug

    • Silvia Souza disse:

      A minha impressão de felicidade é paz de espírito. Não é a alegria nem o entusiasmo permanentes. Apenas a tranquilidade e o estar bem consigo mesmo.
      Se considerarmos dessa forma, acho que praticamente todas as correntes filosóficas estão certas. A paz de espírito vem do equilíbrio, da ponderação nas atitudes, nas decisões, nas palavras; ela vem de tomar atitudes conscientes, ajudar os outros… Nesse sentido, acho que a felicidade pode existir sim.
      Não fiquei frustrada com o Sêneca, não. Foi mais um filósofo que conheci, falando sobre a Felicidade, e mostrando um caminho que, no meu ponto de vista leigo, se assemelha aos outros que eu já conhecia. Como tudo na vida, não há milagre. É um caminho a trilhar que implica em mudanças e reavaliações das prioridades.
      Acho que eu fico é desanimada com essa sociedade de hoje… onde cresce mais o consumo, o desejo de posse, de aparecer… como se esses prazeres fugazes fossem o caminho para ser feliz…
      Escrevi demais, né?
      🙂

  • Escreveu demais não, apenas quis se fazer entender sua posição sobre a tal felicidade 😀

    Hug

  • Deu sim,entendi tudinho 😉

  • melramos2 disse:

    Olá! Gostaria de saber se esta edição da Martins Fontes é bilíngue. Grata.

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