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Livro “Cartas Portuguesas” atribuídas a Mariana Alcoforado

Livro “Cartas Portuguesas” atribuídas a Mariana Alcoforado
Livro “Cartas Portuguesas” atribuídas a Mariana Alcoforado

Título Original: Lettres portugaises traduites en français

Primeira Publicação: 10-1668

Tradutor: Eugénio de Andrade

Ilustradora: Ilda David

Editora: Assírio & Alvim (04-1998)

ISBN13: 9789723703221

Sinopse: Desde Luciano Cordeiro, Camilo, Cortesão e Sardinha aos investigadores atuais, sucedem-se as tentativas de traduzir com rigor a preciosidade literária que é o testamento sentimental da monja de Beja. A verdade, porém, é que essa prosa lúcida e requintada tem escapado aos tradutores que se lhe têm aventurado. O leitor que confronte esta tradução do poeta Eugénio de Andrade com quaisquer outras conhecidas compreenderá os motivos que nos levaram a publicar a nova versão. É que ela segue tão fielmente as sóbrias delicadezas do original que deixa na sombra as versões anteriores. Sem dúvida, a tradução de Eugénio de Andrade, agora em 5.a edição, é um marco na bibliografia de Mariana Alcoforado, a primeira que apreendeu as sutilezas dessa obra-prima epistolar.

Não é conhecida a autoria exata dessas 5 cartas que foram escritas no Século XVII em um convento de Beja, na região do Alentejo em Portugal. Atribui-se a Mariana Alcoforado. Também não se sabe o nome daquele a quem as cartas eram destinadas.

Mariana Vaz Alcoforado, nascida em Santa Maria da Feira, Beja, a 22 de abril de 1640 e falecida em Beja, a 28 de julho de 1723, foi uma freira portuguesa que vivia no Convento de Nossa Senhora da Conceição em Beja, Portugal.

Alguns estudiosos consideram que as cartas sejam ficcionais e sua autoria caberia a Gabriel-Joseph de La Vergne, Conde de Guilleragues (1628–1685), embora tenha realmente existido uma freira chamada Mariana Alcoforado. Em uma publicação recente, Myriam Cyr volta a afirmar que a autoria das cartas caberia à freira.

A versão que eu comprei, de publicação portuguesa, é a mais recente. É uma edição bilíngue, com as cartas em português (um trabalho maravilhoso do poeta tradutor Eugénio de Andrade) e com a versão em francês das mesmas.

São apenas 5 cartas, que podem ser lidas em pouco tempo. Mas elas retratam toda a entrega, o amor, o sofrimento e as angústias de uma mulher, presa em um Convento, abandonada pelo amante que fez inúmeras promessas e depois partiu para a guerra. As cartas mostram a evolução desse sentimento: o início, quando ela ainda acredita que ele vai voltar; o meio, com a decepção e a desilusão ao perceber que ele se mantinha distante e frio; o final, quando ela já perdeu todas as esperanças e o trata com desprezo e raiva.

Para uma mulher romântica (como eu), sonhadora (como eu), que já sofreu por amor (como eu), essa obra poética é encantadora! Independentemente do fato de ter sido escrita pela freira Mariana ou não, o autor conseguiu descrever toda dor, tristeza, desânimo e desespero que acompanham o sofrimento de ser deixada por alguém que desaparece e não dá notícias; por alguém que parece brincar com os sentimentos de outra pessoa.

Eu me apaixonei pelas “Cartas Portuguesas”. E me identifiquei com o padecimento dessa mulher, que estava trancada, impossibilitada de fazer algo e sem ter com quem contar ou a quem confessar seu infortúnio.

Um pequeno trecho do início da Primeira Carta:

Considera, meu amor, a que ponto chegou a tua imprevidência. Desgraçado!, foste enganado e enganaste-me com falsas esperanças. Uma paixão de que esperaste tanto prazer não é agora mais que desespero mortal, só comparável à crueldade da ausência que o causa. Há-de então este afastamento, para o qual a minha dor, por mais subtil que seja, não encontrou nome bastante lamentável, privar-me para sempre de me debruçar nuns olhos onde já vi tanto amor, que despertavam em mim emoções que me enchiam de alegria, que bastavam para meu contentamento e valiam, enfim, tudo quanto há?

 

– Sílvia Souza

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