Autocrítica
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Livro: “As Brasas” de Sándor Márai

Livro: “As Brasas” de Sándor Márai
Livro: “As Brasas” de Sándor Márai

Título original: A gyertyák csonkig égnek

Primeira Publicação: 1942

Editora: Companhia das Letras (15/12/1999)

Tradutor: Rosa Freire d’Aguiar

ISBN: 8571649545 (ISBN13: 9788571649545)

Sinopse: As brasas é um romance sobre a amizade, a paixão amorosa e a honra. Conta a história de dois homens que não se vêem há 41 anos. Foram amigos inseparáveis na infância, mas um dia, em 1899, um deles desapareceu. Algo muito grave aconteceu naquele dia, e é esse o enigma que agora, já no fim da vida, eles vão decifrar. Move-se entre os dois o fantasma de Kriztina, por quem eles travarão um duelo que se inicia como um civilizado jogo de esgrima, mas logo se torna uma luta árdua, embora os duelistas só disponham de uma arma: as palavras.

Gostei ou não gostei desse livro?

É uma leitura rápida, que flui bem. Fica fácil imaginar o que está por vir. Ele faz algumas colocações interessantes sobre amor, amizade, fidelidade, casamento, relações humanas.

O problema é que achei a história muito irreal. Embora os problemas e as questões humanas sejam os mesmos que permeiam a minha vida, ficou difícil para mim, perceber tudo isso no contexto em que a narrativa se desenvolve.

Como eu conseguiria explicar melhor?

O livro é quase um monólogo. Entretanto, esse monólogo que acontece em mais da metade do livro é, na verdade, uma conversa entre dois amigos. Um ajuste de contas. Um desabafo. Mas apenas um deles fala.

Fiquei imaginando essa situação. Uma conversa que se estendesse pela noite toda e madrugada, cheia de acusações com a visão unilateral dos fatos, e o outro (o acusado) se cala? Não se manifesta? Não se defende? Não tem vontade de explicar nada?

Pode ser apenas uma comprovação da culpa. Mas achei tão improvável. Eu não consegui me ver em uma conversa de horas com alguém onde apenas um fala incansavelmente. Eu não conseguiria ser o que fala nem o que escuta. Nem consegui entender o que aquele desabafo unilateral poderia trazer de tranquilidade de espírito para esse homem. Ele fala o que está guardado dentro dele há mais de 40 anos! Imagina ficar revivendo as mesmas mágoas por 40 anos!

Não esclarecer, não conversar, não dialogar.

Eu tenho tanta necessidade de esclarecer as coisas, escutar o outro ponto de vista, rever minhas atitudes. Tenho dificuldade de esperar 24 horas para esclarecer algum fato duvidoso… A angústia vai crescendo… E essa espera, esse pensamento constante sobre os mesmos fatos, faz com que a mente trabalhe contra. Ela cria sua própria versão, que geralmente vem carregada de fantasias, fantasmas, sombras e armadilhas.

Então, não consegui saber objetivamente se gostei do livro. Sim e não.

 

– Sílvia Souza

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5 Comments
  • Achei um porcaria este livro. Me fiz as mesmas perguntas de sua resenha e tudo a situação não soja real pra mim.

    É um livro que poderia ficar na gaveta do autor sem o menor problema.

    Hug

    • Silvia Souza disse:

      Não é?
      É engraçado uma coisa que eu penso… posso ler um livro de ficção científica impossível. Não é o fato da coisa ser real, palpável.
      Mas há algo na construção dos personagens e na forma de narrar a trama que tem que fazer sentido pra mim…
      Será loucura da minha cabeça?
      Beijo!

  • Loucura nenhuma, o autor viajou na batatinha com a reação do personagem no desfecho final.

    Não consegui comprar a ideia 😖

    Vc citou muito bem o exemplo do gênero ficção científica, pode ser maluco e não existir, mas o universo criado pelo autor funciona e é crivel, o que não acontece neste livro.

    Mas muita gente gosta dele e eu não consigo ver nada de positivo nesta narrativa 😵
    Hug

    Hug

  • Não, vc não tá louca 😂.
    Quem tá biruta é o autor 😵

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