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Livro “As aventuras do bom soldado Svejk” de Jaroslav Hasek

Livro “As aventuras do bom soldado Svejk” de Jaroslav Hasek
Livro “As aventuras do bom soldado Svejk” de Jaroslav Hasek

Título original: Osudy dobrého vojáka Švejka za světové války #1-4

Autor: Jaroslav Hašek

Primeira Publicação: 1921

Tradutor: Luís Carlos Cabral

Editora: Alfaguara Brasil (01-05-2014)

ISBN13: 9788579622656

Se me pedissem que apontasse três obras literárias deste século que, em minha opinião, farão parte da literatura universal, diria que uma delas é, sem dúvida, “As aventuras do bom soldado Švejk”.

– Bertolt Brecht


Švejk é o homem em toda a sua pungente e primitiva humanidade, frente ao anti-humano das criaturas descarnadas e desossificadas pelo militarismo e a guerra.

– Dias Gomes


Resenha: Escrito pouco depois da Primeira Guerra Mundial, na qual o autor lutou, “As aventuras do bom soldado Švejk” narra a história do anti-herói Josef Švejk, soldado tcheco com incrível e hilariante capacidade de se meter nas piores confusões. Personagem ambíguo, entre o tolo e o dissimulado, ele se envolve em inúmeras e impagáveis trapalhadas que, no entanto, não decorrem apenas de sua sagaz ingenuidade ou desastrada esperteza. O mundo de Švejk é extremamente cruel; ruma para a destruição, apesar da aparente hilaridade que cerca a ele e seus inconstantes companheiros.

Ambientada nos anos iniciais da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a narrativa acompanha a labiríntica trajetória desse militar do Exército austro-húngaro, que já nas primeiras páginas é preso por “alta traição” e, logo em seguida, declarado demente por uma junta médica. Internado num manicômio, de onde é expulso, alista-se para combater no grande conflito global. Acaba relegado à ordenança de um capelão mulherengo, perdulário e alcoólatra, que o “vende” no jogo de cartas a um tenente. Os incontáveis episódios e contratempos fazem da leitura de “As aventuras do bom soldado Švejk”, em edição traduzida diretamente do tcheco, uma experiência ímpar. 

Longe de ser mero “testemunho” da barbárie, o romance de Jaroslav Hašek usa a comicidade para refletir sobre o absurdo da guerra e dos regimes antidemocráticos. Ao encarar esse mundo como objeto de ficção, o riso talvez não tenha sido apenas uma escolha de Jaroslav Hašek, mas a única forma de expressar uma visão implacável da humanidade. Caudalosa e inacabada, a obra é sobretudo uma incômoda certeza de que para a humanidade não resta qualquer salvação.

 

Em 1605, Miguel de Cervantes publicou uma das maiores obras primas da literatura mundial “O engenhoso cavaleiro Dom Quixote de la Mancha” (pode haver variações na tradução do título em português). É uma obra maravilhosa, com um personagem central entre cômico e trágico, louco aos olhos da sociedade da época, defensor da honra e dos princípios que ele julgava corretos.

Era de se esperar que tal obra inspirasse outros escritores de outras épocas a tentar criar obras incríveis também. Não diria que seria copiar ou plagiar. Apenas uma inspiração mesmo, no estilo de herói improvável, com suas incongruências e uma certa beleza ingênua e no sentido de uma história épica e longa, com a interposição de várias pequenas narrativas.

Nesse ano de 2015, li dois livros que poderiam ser enquadrados nessa categoria de que tenham sido inspirados pela obra de Cervantes. Um deles foi “A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy” de Laurence Sterne (tradução de José Paulo Paes), que foi publicado pela primeira vez em 1759. Não cheguei a escrever a respeito dessa leitura no blog.

Ontem, terminei o segundo livro que me lembrou muito do mesmo tipo de estrutura de Dom Quixote: “As aventuras do bom soldado Švejk”. Švejk é um soldado tcheco que vai combater na Primeira Guerra pelo império austro-húngaro.

Ele é uma figura absolutamente simpática e cativante, ingênuo em muitos aspectos, que se envolve em inúmeras trapalhadas, sempre tentando fazer o melhor pelos outros. É honesto, correto, sincero; mas está vivendo em uma época conturbada. Sua falta de jogo de cintura cria as várias complicações e dificuldades, com várias passagens pela prisão.

É um livro bastante extenso e, ainda assim, uma obra inacabada. O autor morreu aos 40 anos, escrevendo o livro 4 da obra (que deveria ter 6 livros), em decorrência do alcoolismo.

No início, fiquei bastante envolvida pela narrativa, pelo personagem principal, pelos aspectos históricos e pelas descrições da sociedade da época, com todos os seus pecados, inclusive com críticas importantes ao Clero, ao Exército e à Polícia.

Até o final do livro 3, a leitura foi muito bem. A partir do momento em que ele está com o Regimento do Exército, comecei a achar o livro um pouco cansativo, sem muitas novidades, repetindo o mesmo padrão inúmeras vezes. Prossegui até o final, mas não houve grandes evoluções.

De qualquer forma, o livro é muito bom, irônico, engraçado em algumas partes, bastante crítico. Apenas um pouco repetitivo na metade final.

– Sílvia Souza

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