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Livro “A Metamorfose” de Franz Kafka

Livro “A Metamorfose” de Franz Kafka
Livro “A Metamorfose” de Franz Kafka

Título Original: Die Verwandlung

Primeira Publicação: 1915

Editora: Companhia das Letras (2006)

Tradutor: Modesto Carone

ISBN13: 9788571646858

Sinopse: A Metamorfose é a mais célebre novela de Franz Kafka e uma das mais importantes de toda a história da literatura. O texto coloca o leitor diante de um caixeiro-viajante – o famoso Gregor Samsa – transformado em inseto monstruoso. A partir daí, a história é narrada com um realismo inesperado que associa o inverossímil e o senso de humor ao que é trágico, grotesco e cruel na condição humana – tudo no estilo transparente e perfeito desse mestre inconfundível da ficção universal.

Embora já tivesse escutado muito sobre essa obra de Franz Kafka, até hoje não tinha me rendido à sua leitura. Eu sabia que era uma história triste e um pouco angustiante. E não queria correr o risco de me sentir deprimida, porque sei que sou muito afetada pelo humor de livros e filmes.

Eis que a escola do meu filho mais velho indicou a leitura de “A Metamorfose” como parte da disciplina de Filosofia (leitura do primeiro bimestre). Aproveitando o estímulo, resolvi separar algumas horas do meu dia e travar conhecimento do homem metamorfoseado em inseto, Gregor Samsa.

É um livro curto e sua escrita é muito limpa e objetiva. Isso faz com que a leitura seja rápida. Imaginava uma leitura densa e difícil, coisas que não se confirmaram. Além dessa escrita bem trabalhada, sem elementos supérfluos, comparada pelo tradutor ao estilo de Gustave Flaubert, que é, justamente, um dos grandes gênios da literatura mundial, quais são as outras qualidades da obra que a tornaram um sucesso imediato (coisa que não era comum na época)?

Franz Kafka faz uma descrição muito crua (e estranha) de um homem, que trabalhava como caixeiro-viajante, e acorda transformado em um inseto gigante. Simples assim. Já no início do livro, há a situação altamente improvável do homem que se percebe mudado, mas sua maior preocupação é ter perdido a hora e o fato de que chegaria atrasado ao trabalho. Ele nunca se atrasara e nunca faltara; portanto não imaginava o que o chefe poderia pensar disso. Ele não demonstra desespero, nem angústia, nem pavor, nem medo… nada! Apenas a preocupação com o horário e a dificuldade de se mover naquele novo corpo, o que fazia com que se atrasasse ainda mais.

A reação das pessoas da família e do gerente da empresa (que vai até a casa dele saber o que estava acontecendo) é mais realista: ficam apavorados quando conseguem vê-lo e descobrem o ocorrido. O gerente foge, deixando todas as suas coisas para trás. E a família percebe que não poderá mais contar com o trabalho de Gregor, que sustentava os pais e a irmã havia anos. E passam a conviver com aquele inseto, enojados e distantes.

A partir desse momento, a história vai construindo sua maior crítica (na minha percepção). Apesar de Gregor ter vivido sempre para o trabalho e permitido à família ter conforto, quando a situação muda e ele não terá mais condições de trabalhar, ele passa a ser tratado com desprezo crescente e como um estorvo, um peso morto, um animal indesejável.

O fato é que isso acontece com muita frequência, em vários casos de doenças crônicas, em que um dos membros da família não pode contribuir financeiramente e/ou exige cuidados especiais. Há os casos de pais, irmãos, filhos que continuam sendo carinhosos, atenciosos e reconhecem a necessidade especial, acolhendo sua função adicional sem raiva ou revolta.

Mas conheço pessoas que vivem com amargura perante a situação e procuram formas de se desfazer do “problema”, como se esse fosse um objeto velho e sem utilidade que pudesse ser jogado no lixo. E é muito triste perceber que esse lado “humano” pode ser realmente revelado nessas situações extremas, onde o egoísmo passa a se destacar.

É muito difícil julgar a vida de cada pessoa ou de cada família. Analisar todos os sentimentos guardados, inconscientes, latentes e que podem surgir quando as relações mudam por qualquer motivo. Não é uma questão de julgamento. Mas da observação das diversas facetas do comportamento humano.

E Kafka expõe essa ferida aberta sem maquiagem, com uma linguagem fria e desprovida de sentimento ou julgamento.

– Sílvia Souza

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