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Le Grand Musée du Parfum (O Grande Museu do Perfume) – Paris

Le Grand Musée du Parfum (O Grande Museu do Perfume) – Paris
Le Grand Musée du Parfum (O Grande Museu do Perfume) – Paris

Infelizmente, não estou em Paris. No dia 22 de Dezembro, será aberto ao público o Grande Museu do Perfume. É até de se estranhar que não existisse um museu como esse em uma cidade como Paris. Já visitei pequenos museus sobre perfumaria e perfumes tanto em Grasse como em Paris. Mas a expectativa sobre este projeto é enorme. Foram 2 anos de preparação, projetos e obras.

No dia 12 de Dezembro, o museu foi aberto exclusivamente à imprensa especializada. Escrevo este artigo fundamentada na visita de Jeanne Doré do site Au Parfum. Este é um site inteiramente dedicado à perfumaria, com artigos bastante interessantes e todas as novidades sobre este mundo sedutor e os grandes lançamentos.

Os jornalistas iniciaram a visita guiada pelo sub solo, onde estava exposta a história do perfume ao longo de quatro espaços; os comentários foram feitos pela historiadora Elisabeth de Feydeau, com doutorado na Sorbonne em História, tendo sempre estudado assuntos ligados aos perfumes. Em 2006, trabalhando com Francis Kurkdjian, ela conseguiu reconstituir o perfume de Maria Antonieta, Le Sillage de la Reine e, em 2011, ela lançou sua própria marca (Arty Fragrance by Élisabeth de Feydeau).

A Galerie des séducteurs (Galeria dos sedutores), ilustrada pelas imagens de personalidades, forma casais reais ou imaginários e invoca os perfumes que os ligaram; como exemplo, Cleópatra e Marco Antonio.

 

© Au Parfum

 

Fontes sagradas (Sources sacrées), numa adega abobadada com uma iluminação intimista, pretende descrever as origens do perfume, do Egito ao Império Romano. Pode-se sentir o kyphi, o primeiro perfume  nascido no Egito, o incenso, a resina da qual se faz o incenso e a mirra nas bacias brancas que transmitem estes perfume sagrado.

O Gabinete de curiosidades (Cabinet de curiosités), situado ao lado, apresenta a história do perfume desde a Idade Média até o século XIX, como o nascimento da Água de Colônia e a lenda do Vinagre dos Quatro Ladrões, uma mistura secreta que teria sido usada por ladrões ao roubar vítimas contaminadas pela peste, que evitava que eles fossem contaminados.

O último espaço evoca o Crescimento da perfumaria francesa (Essor de la parfumerie française) a partir de meados do século XIX até o advento da perfumaria dos designers de moda, que surgiu por volta da década de 1950. Este espaço está decorado como uma rua de Paris com vitrines, nas quais podem ser vistos os frascos antigos ou, em particular, o mobiliário de uma perfumaria Houbigant que data do Segundo Império.

Chegando ao primeiro andar, há uma sala para Imersão sensorial (Immersion sensorielle), que lembra como funciona o olfato através da ajuda de um vídeo que descreve o caminho de moléculas odoríferas no cérebro, e da intervenção de Roland Salesse, engenheiro agrônomo e pesquisador do Olfato e do Paladar. O cheiro da rosa é uma desculpa para se sentir um buquê de flores frescas, e três de seus principais componentes (álcool feniletílico fenil, eugenol e citronelol) em uma montagem engraçada de Erlenmeyer com chaminés de cobre.

 

© Au Parfum

 

A tecnologia do Head Space é explicada por Judith Gross, diretora de criação para a maison IFF (International Flavour & Fragrance), que compara a ferramenta às nossas câmeras digitais, que “captura” cada imagem como odor. IFF é também um dos principais patrocinadores deste museu privado.

O Jardim de Aromas (Jardin des senteurs) é um dispositivo monumental, composto de grandes pétalas brancas, que transmitem os aromas do cotidiano quando aproximamos o nariz. Na sala ao lado, os Jogos Olfativos (Jeux olfactifs) propõem jogos de aromas com a ajuda de telas e difusores.

 

© Au Parfum

 

O segundo andar dedicado à Arte do Perfumista (Art du parfumeur) abre-se na Coleção de matérias-primas (La collection des matières premières) composta de 25 ingredientes, naturais e sintéticos, os mais comumente usados pelos perfumistas.

 

© Au Parfum

 

© Au Parfum

 

© Au Parfum

 

 

É claro que no final tinha que haver uma loja (Concept Store), com várias marcas e perfumes. Nota: um dispositivo de “avatar olfativo” permite que sejam anotados os aromas e materiais que mais seduziram; na loja, os conselheiros terão a tarefa de ajudar na busca do perfume que mais combina conosco, baseado nesse “avatar”.

O Grande Museu do Perfume teve sucesso ao oferecer um lugar em Paris que seja moderno, elegante e dedicado à perfumaria, com grande destaque ao design, à originalidade dos dispositivos visuais e olfativos, além da presença do perfumista. Não vejo a hora de poder conhecê-lo e dar minha própria opinião.

Recentemente, li uma entrevista com Mathilde Laurent, perfumista da Maison Cartier, e ela coloca de uma maneira muito interessante (que nunca tinha me ocorrido) como a perfumaria é uma arte que trabalha com o olfato, da mesma forma que a música agrada a audição, as pinturas agradam a visão e a gastronomia agrada o paladar. Talvez pelo fato da perfumaria estar relacionada ao consumo, acaba sempre distorcendo essa visão da arte associada à criação de belas composições olfativas. O aspecto sensorial do Olfato é um dos mais belos, que mais traz boas lembranças e é impossível se privar dele, porque não vivemos se não respiramos.

– Sílvia Souza

 

 

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