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Lazer: Theatro Municipal de São Paulo

Lazer: Theatro Municipal de São Paulo
Lazer: Theatro Municipal de São Paulo

Minhas férias com minha família, nesse mês de julho, foi na cidade em que moro: São Paulo.

São Paulo possui lugares maravilhosos para serem visitados, com muitas atividade culturais, mas eu acabo me esquecendo de verificar as programações com a frequência com que deveria.

Eu tinha ido ao Theatro Municipal apenas uma vez há quase 30 anos. Eu morava em São Paulo fazia pouco tempo e uma amiga me convidou para ir com ela ver uma apresentação do Ballet Bolshoi. O teatro tinha passado por uma reforma e estava muito bonito. Eu não gostei muito do ballet (por mais que pareça um sacrilégio escrever isso), mas achei o teatro maravilhoso.

O que é curioso é que achei o teatro enorme e muito majestoso quando fui naquela ocasião. Eu vinha de uma cidade do interior e tudo me maravilhava aqui na capital. Em nossa programação nesse mês, acabei ficando um pouco decepcionada com o tamanho do teatro. Ele está muito bem conservado e é, realmente, majestoso. Mas não é tão grande quanto eu tinha em minha memória. A Sala São Paulo acomoda muito mais pessoas do que o Theatro Municipal.

Um pouco da história desse espaço no centro da cidade.

O Theatro Municipal surgiu para a cidade de São Paulo como um grande símbolo das aspirações cosmopolitas do início do século 20. Cada vez mais refinada e com mais recursos provenientes do ciclo do café, a alta sociedade paulistana espelhava-se em valores europeus e desejava uma casa de espetáculos à altura de suas posses para receber grandes artistas da música lírica e do teatro.

Com incentivos fiscais e investimentos dos próprios barões do café, o arquiteto Ramos de Azevedo e os italianos Cláudio Rossi e Domiziano Rossi iniciaram a construção em 1903 e, em 12 de Setembro de 1911, o Theatro Municipal foi aberto diante a uma multidão de 20 mil pessoas que acompanhavam a chegada dos ilustres convidados.

A luxuosa construção, fortemente influenciada pela Ópera de Paris, foi considerada ousada para a época, com traços renascentistas e barrocos na fachada e, em seu interior, muitos adornos e obras de arte: bustos, bronzes, medalhões, afrescos, cristais, colunas neoclássicas, vitrais, mosaicos e mármores. São Paulo integrava-se, finalmente,  ao roteiro internacional dos grandes espetáculos.

Pelo palco do Theatro Municipal passaram as mais importantes companhias artísticas da primeira metade do século 20, que trouxeram a São Paulo nomes como Enrico Caruso, Beniamino Gigli, Mario Del Monaco, Maria Callas, Renata Tebaldi, Bidu Sayão, Arturo Toscanini, Camargo Guarnieri, Villa-Lobos, Francisco Mignoni, Magdalena Tagliaferro, Guiomar Novaes, Pietro Mascagni, Ana Pawlova, Arthur Rubinstein, Claudio Arau, Duke Ellington, Ella Fitzgerald, Isadora Duncan, Margot Fonteyn, Nijinsky, Nureyev, Baryshnikov, dentre muitos outros.

O Theatro foi também cenário de um dos principais eventos da história das artes no Brasil, a Semana de 22, que entre 11 e 18 de fevereiro de 1922 reuniu um grupo de jovens artistas que questionou os valores da arte e da cultura vigentes, nos campos da música, da escultura, pintura, poesia e literatura. Neste grupo estavam Mário e Oswald de Andrade, Heitor Villa-Lobos, Víctor Brecheret, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Plínio Salgado, Menotti Del Pichia, Guilherme de Almeida e outros que deram início ao movimento modernista brasileiro.

Nos mais de 100 anos de história, três grandes reformas marcaram as mudanças e renovações no Theatro. A primeira delas, em 1954, criou novos pavimentos para ampliar os camarins, reduziu os camarotes e instalou o órgão G. Tamburini; a segunda, de 1986 a 1991, restaurou o prédio e implementou estruturas e equipamentos mais modernos.

 Para celebrar o centenário, o Theatro Municipal de São Paulo passou pela terceira reforma, bem mais complexa que as anteriores, que restaurou o edifício e modernizou o palco. 
As fachadas e a ala nobre foram restauradas, os vitrais recuperados, as pinturas decorativas, com base em fotos antigas, foram refeitas e o palco foi equipado com modernos mecanismos cênicos, sem, entretanto, resolver os problemas de estrutura e espaço nos camarins e salas de ensaio, solucionados somente com a construção  e inauguração da Praça das Artes, que em 2013 passou a abrigar os grupos artísticos do Theatro e as escolas municipais de música e dança.

O Theatro Municipal de São Paulo foi transformado em 27 de maio de 2011 de departamento da Secretaria Municipal de Cultura a Fundação de direito público, com um corpo artístico formado pela Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, Coro Lírico Municipal de São Paulo, Balé da Cidade de São Paulo, Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, Coral Paulistano Mário de Andrade, Orquestra Experimental de Repertório, Escola Municipal de Música de São Paulo e pela Escola de Dança de São Paulo, e tendo como espaços o Theatro Municipal, a Central Técnica do Theatro Municipal e a Praça das Artes.

No site do Theatro Municipal consta toda a programação das apresentações. Por conta da disponibilidade com minha família, fomos assistir a uma apresentação do Coral Paulistano. Saímos do Mosteiro de São Bento após a missa e fomos caminhando em direção ao Theatro. Passamos pelo Viaduto do Chá e já estávamos no teatro.

Todos os ingressos para as apresentações podem ser comprados com antecedência pela internet e os preços são bastante acessíveis. O valor do ingresso inteiro para ver o Coral Paulistano foi de R$6,00 por pessoa.

Há um café logo na entrada. O Salão Nobre estava aberto para visitação é absolutamente maravilhoso.

Para quem nunca foi ao teatro, é um passeio obrigatório, na minha opinião. Mesmo para quem já foi, a programação é muito vasta e existem apresentações para crianças, sinfônicas e óperas. Recomendo olhar regularmente a programação.

 

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