Sonhos
Previous post
Now reading

Infidelidade 1

Infidelidade 1
Infidelidade 1

Ela era casada e tinha dois filhos. O caçula ainda não tinha um ano.

Cuidar da casa, da filha mais velha, do pequeno, todas as tarefas de uma administradora do lar. E qual era o reconhecimento que ela tinha? Nenhum!

O marido saía cedo para o trabalho e voltava tarde da noite, esperando encontrar o jantar pronto, os filhos dormindo e uma esposa linda e cheia de desejo, preparada para uma entrega apaixonada. Afinal, o que ela teria feito o dia inteiro? Nada!

Ele olhava para ela e a achava vazia. Era bonita, aos seus olhos. Ou melhor, tinha um encanto, algo que fazia com que ele se sentisse atraído por ela. Mas o que havia em sua cabeça? Nada que valesse a pena escutar. Enquanto ela falava, quando ele chegava em casa, exausto do trabalho, ele procurava ligar seu cérebro no piloto automático; respondia com breves “verdade?”, “não”, “sim”, “concordo”.

Ele era econômico nas palavras. Não costumava fazer elogios, nem expressar os sentimentos, nem comentar se percebesse algo diferente como uma roupa nova ou um corte de cabelo. E ela provavelmente já tinha se acostumado com esse seu jeito. E nunca tinha reclamado.

Eles saíam juntos para jantar ou ir ao cinema. Encontravam-se com amigos e familiares nos finais de semana. Faziam sexo 3 vezes por semana. Todos os protocolos eram cumpridos. A vida corria sem distúrbios.

Ela gostava daquele marido. Ele era inteligente, ganhava bem, tinham um apartamento maravilhoso, todo decorado no estilo “casa de revista”. Qual era o problema se ele mal olhava para ela? Não precisava comprar lingeries sedutoras, porque ele simplesmente a queria nua.

Ela dava algumas aulas por semana. Poucas horas de trabalho. Muito tempo livre para seus afazeres de mulher casada.

E algumas vezes, via aquele professor que olhava para ela com um desejo que há muito não via nos olhos do marido. Quando ele vinha cumprimentá-la, segurava em sua cintura, puxando-a para perto de si e lhe beijava o resto, um beijo que era quase um sussurro em seu ouvido. Ela sentia um arrepio percorrendo seu corpo, como se fosse uma brisa leve acendendo algo que estava adormecido dentro dela.

Um dia veio o convite. Um passeio, em uma tarde… algumas horas. Qual seria o problema? Nada demais. Um encontro casual entre dois colegas.

Em sua mente, ela repetia para si mesma que era uma coisa banal. Colegas de trabalho. Sempre poderia surgir uma atração. Apenas sexo. Nenhum envolvimento. Todos estavam sujeitos.

E ela foi. Teve aquela primeira e algumas outras tardes de sexo banal sem compromisso sem paixão entre dois colegas de trabalho com um tesão enorme entre eles.

Até que houve um dia… aquele dia… em que seu mundo ruiu…

Havia um grampo no telefone… Suspeitas… Confirmações…

Como reconstruir aquela história novamente, após tantos pequenos cacos espalhados pelo chão?

– Sílvia Souza

(22-08-2015)

Written by

11 Comments
  • M.Raydo disse:

    Ao culpado o direito da defesa?
    Quem errou?! Para ela o marido insosso que seguia sua rotina monótona, para ele a esposa indigna!
    Amor de desejo, ter o que não se tem e viver sem valorizar o que se tem. Me parece tão triste!
    O texto está excelente, bem escrito e faz pensar.
    Para mim fica a sensação triste da perda! De ser flagrado, de estar acuado e pressionado!
    É o grito que morre na garganta e vira choro pesado e entristecido!
    Está valendo cada segundo! Continue! 🙂

    • Sílvia Souza disse:

      De verdade???

      • M.Raydo disse:

        Se o de verdade é sobe o texto valer a pena?! Sim! Adorei! 🙂
        Se o sentimento de tristeza e sufocamento é real?! Sim! Com certeza!
        Quero ver o próximo! Virei fã! 🙂

    • Sílvia Souza disse:

      De verdade, com a opinião de quem tem quase a mesma experiência de vida que eu (😉), na maioria das vezes, existe apenas um culpado?
      São tantos fatores que vão entrando nas decisões, escolhas, desculpas…
      O problema é que há, quase sempre, um final triste e muitas mágoas.

      • M.Raydo disse:

        Me colocando na situação dos personagens, acabo por ver apenas por um ângulo, o meu próprio!
        Sendo um único ponto de vista, acabo por entender um único culpado! Mas, com certeza, são muitas possibilidades e culpas!
        A tristeza, neste caso, me parece tão sofrida!

  • j.junior disse:

    Belo texto…. adorei! Continua??!!

  • talison disse:

    Nossa!! Coisa de novela! E olhe que eu conheço uma história um pouco parecida com o início dessa…. mas são papéis invertidos. Puts… complicado!!!!

  • Darlene disse:

    Adorei o texto! Será que encontrarei uma continuação dele mais para frente? rs

Instagram
  • #jamesbaldwin #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #mikhailbakunin #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #JamesJoyce #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #gastonbachelard #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #victorhugo #citações #reflexõesdesilviasouza