Infidelidade 1
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Infidelidade 1 – Continuação

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Infidelidade 1 – Continuação
Infidelidade 1 – Continuação

Embora não tenha pensado em continuar a narrativa do meu (breve) primeiro conto sobre Infidelidade, algumas pessoas escreveram pedindo. A verdade é que não sei se cabe uma continuação.

Pensei, então, em 3 possibilidades para essa história, sendo que uma delas é a que aconteceu de fato.

 

UMA VEZ QUEBRADO, NÃO PODERÁ SER REFEITO

Quando o marido jogou a verdade no colo da esposa e mostrou que não eram apenas suspeitas vazias, mas fatos comprovados, ela ficou desesperada. Olhava para aquela realidade escancarada e chorava ao perceber que o tempo não podia voltar e suas ações não poderiam ser corrigidas. Percebeu que o marido não a perdoaria e teve medo. Teve medo de perder seus filhos, sua vida, seu conforto. Teve medo até mesmo por sua vida.

Ela chorava e se desculpava… humilhava-se arrependida… sinceramente arrependida…

Mas ele estava frio, seco e irredutível. Já tinha conversado com um advogado. Não quis escutar o lado dela da história. Em casos assim, não havia lados. Os fatos falavam por si mesmos. Não importava que tinham sido 10 anos de casamento. Era algo imperdoável!

Não havia a possibilidade dele confiar nela novamente! Ele queria o divórcio e a guarda dos filhos. E se negaria a pagar pensão. Não queria mais ter que se dirigir a ela. Conversariam por e-mail, o mínimo possível, apenas sobre o que envolvesse os filhos.

 

OS CACOS PODEM SER COLADOS, MAS AS MARCAS SEMPRE FICAM

Quando o marido expôs que sabia o que tinha acontecido, ela começou a chorar, nitidamente arrependida. Pediu desculpas e disse que não entendia bem como tinha chegado a fazer tudo aquilo. Sabia que ele não merecia e tinha medo da atitude que ele pudesse tomar.

Ele estava transtornado; as mãos geladas e trêmulas. Pediu para que ela contasse tudo; toda a história. E queria que ela fosse sincera se ainda houvesse um pouco de dignidade. Queria dar a chance de reconstruir o relacionamento, mas, para isso, precisava da maior honestidade e transparência.

Ela percebeu que não teria outra chance como aquela e acolheu a proposta como sua tábua de salvação. Falou tudo. Falou sobre o distanciamento dele, sobre a carência em que vivia, sobre sentir-se desvalorizada como mulher, como mãe e como esposa. Abriu seu coração. Arrependia-se de ter cedido a um impulso.

Depois dos dois terem falado… depois de alguns dias de reflexão de ambas as partes… eles perceberam que ainda havia sentimento, que ainda se gostavam. Viram que havia a chance de reconstruírem o casamento, fundamentado no diálogo, pelos filhos e por eles mesmos.

Não era uma certeza. Apenas uma tentativa. Mas uma tentativa que valia a pena.

 

PASSANDO UM BOM VERNIZ, AS RACHADURAS NÃO APARECEM

O marido estava irado. Agredia a esposa verbalmente, mas de forma inteligente e superior. Conseguia humilhá-la. Mostrou a ela tudo o que ela tinha arriscado perder. Ela chorava arrependida… o arrependimento maior por ter arriscado tudo o que tinham construído juntos.

Mas não iriam se separar. Ele ficaria de olho nela. Todos os seus gastos seriam rigorosamente controlados, assim como seu telefone. E não queria que nada daquilo fosse comentado com ninguém! Ela aceitou todas as imposições.

Por algum tempo, ele tentou valorizá-la mais. E ela fazia todos os desejos do marido e assumiu um papel de completa submissão.

Conforme o tempo foi passando, as relações voltaram a ser aquelas de antes, mas ainda mais distante.

Eles completaram 20 anos de casados. Aos olhos das pessoas, vivem bem e não têm maiores desentendimentos. Ele teve uma amante mais duradoura, sobre a qual ela descobriu. Ela teve outros namorados, mas ele não ficou sabendo.

O mais importante é que (quase) ninguém sabe de nada e eles formam um casal exemplar.

Os filhos? Eles estão adolescentes, cada um leva sua vida e não querem saber se os pais vivem bem, desde que os pais também não se metam na vida deles.

***

Essas foram as possibilidades que eu enxerguei.

A infidelidade não faz bem para ninguém. E nenhum dos envolvidos sairá livre de cicatrizes, maiores ou menores. Mas ela não acontece do nada (pelo menos, eu acho que não).

O que será que vamos deixando de ver pelo caminho até que a infidelidade aconteça? Quantas mentiras contamos, inclusive para nós mesmos? Quanto nos enganamos e enganamos os outros?

Sei que é um assunto indigesto, mas ele ainda me traz questionamentos e não consigo ter uma opinião definida a respeito.

– Sílvia Souza

 

 

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