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Hoje estou descrente

Hoje estou descrente
Hoje estou descrente

Existem pessoas que carregam ódio no coração. Quero dizer ÓDIO mesmo: aquele sentimento irracional, de uma maldade desmedida contra tudo e contra todos. Qual a origem? A infância? Ter sido desmoralizado ou humilhado em algum momento da vida?

O que ganha a pessoa que carrega o ódio? Sinceramente eu não sei. Talvez algum benefício financeiro. Certamente não ganha paz de espírito. Porque quem vive no ódio, atrai pessoas com a mesma energia. E atrai para si coisas ruins: amargura, angústia, sofrimento.

Qual é o prazer de fazer mal a outra pessoa? Como lidar com o sadismo doentio do mal pelo mal?

Não adianta apelar para que o sádico tente avaliar as consequências das suas ações e da dor que pode causar a alguém. Porque quem tem o ódio em si deseja que suas ações causem a maior aflição possível e sente prazer com isso.

E como evitar ser a vítima de tal pessoa?

Não acho que seja possível. Ela pode, simplesmente, entrar em nossa vida assim… de um segundo para outro. Achamos que estamos vivendo um dia como outro qualquer. Tocamos nossa ações com carinho, boas intenções, gentileza e… ingenuidade. E aí reside o problema. Nos esquecemos que o lobo pode estar em qualquer lugar, em sua pele de cordeiro.

O tempo passa. Seguimos em nossa rotina. E um dia, inesperadamente, vem a facada que nos dilacera. Saímos do eixo. Choramos. Sofremos. Tentamos entender os motivos. Mas não há motivo! É o mal gratuito… doente e incompreensível!

Acabamos nos reerguendo e prosseguimos na caminhada. Quando você acha que o pior já passou, que você se recuperou, que a cicatriz (finalmente) fechou… vem o segundo golpe, mais forte… aquele que quebra suas pernas. E perguntamos de novo: por quê? É inútil tentar entender. Quando percebemos que erramos em algo, que geramos um mal, conseguimos aceitar uma punição; afinal, ela não será injusta. Mas é muito difícil aceitar o sadismo, o mal gratuito de alguém. É a mesma coisa com o bullying, não é?

Superamos a segunda queda; conseguimos nos levantar de novo. Eis que chega o terceiro golpe. Mais uma vez pensado, calculado, mas inesperado para quem recebe. Certeiro. E o golpe derradeiro desse sádico de carteirinha nos reduz a cinzas. Destrói o que somos, o que há de bom e ruim. Nos aniquila.

É assim que me sinto hoje. Destruída. Aniquilada. Reduzida a cinzas. Foram 12 meses de terror, de ameaças, de golpes certeiros que atingiram o que tenho de mais nobre em mim. Chega uma hora que as forças acabam. Sinto meu coração esmagado por um sadismo irracional, sem motivo identificável. Estou debilitada, esgotada.

A Fênix renasceu das cinzas. Forte e bela.

Quem sabe haja um pouco da Fênix em mim… Quem sabe aos pouquinhos eu me refaça e volte a acreditar no mundo e nas pessoas.

Hoje estou descrente. Perdi minha fé e minha esperança. Não creio que a humanidade tenha uma chance de continuar existindo. Hoje… simplesmente não creio.

– Sílvia Souza

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24 Comments
  • sibilahonda disse:

    Muitos vivem nas trevas e tentam arrastar outros para lá!

  • Embora seja uma crônica, eu já me senti assim algumas vezes. Sabe aquela embarcação afundando nas águas e você precisa se agarrar em algum pedaço de madeira com o único propósito de lhe manter boiando até conseguir chegar em algum local mais seguro? E dependendo da distância que você está, você não consegue mais se sustentar segurando esta madeira quando você precisa tomar uma decisão entre desistir ou continuar? Sem dúvida perdemos as resistências e como eu digo sempre, precisamos nos agarrar em algo que nos faça permanecer motivados para continuarmos perseverando sempre. Para alguns é a fé em Deus, para outros a família. Abraço Silvia.

  • Silvia, o tempo cura, mas a sabedoria das lições aprendidas no passado é que nos poupa de decepções no futuro. Aprendemos, levantamos e seguimos. A estrada é longa, mas deve ser percorrida. Se olhamos para nossos sonhos no futuro o presente acaba revelando o seu sentido. Fique bem! E por falar em música: https://www.youtube.com/watch?v=5ud5T5I4XcA

  • KAMBAMI disse:

    Oi Silvia!
    Então pelo que li são coisas mesmo do cotidiano (que não deveriam ser) e que fazem ou participam na vida de quase toda pessoa de bem.Em um momento você cita a palavra “ingenuidade”, sim acredito que aproveitam-se disso mas não que seja a ingenuidade uma fraqueza e sim uma natureza pura. Há muitos sábios que nos falam com propriedade sobre o mal, a maldade, a perversidade, e todos quando assim os descrevem primeiro deixam claro que mesmo não sendo aceito a princípio pelas pessoas de bem, o “mal” assim como o “bem” estão dentro de nós, são forças oposta que se deflagram conforme o movimento. Esse movimento são os desejos, as necessidades coisas que tentamos entender por caminhos digamos mais descentes, porém, muitos pegam esses caminhos em “atalhos”.
    Nesse equilíbrio, outros dizem e muitas vezes de forma afirmativa, que o mal não existe e sim o que há é uma ausência do bem. Entendi que nessa afirmativa só podemos sustentá-la quando vivemos em uma sociedade sadia e não em uma doentia, alias bem dito pelas frases de Jiddu Krishnamurti. Alias se ler um pouco sobre esse grande mestre verás que ele também se refere muito ao tempo.
    Sim todos nós passamos por experiencias assim e devemos sempre lutar para não se deixar contaminar.
    Em um poema que fiz chamado Kitembu ( https://kambami.wordpress.com/2013/04/13/127/ ) falo sobre esse mal e o desejo de retirá-lo do seio da terra. Acredito que seja uma vontade de diversas pessoas, enquanto isso não acontece podemos lutar para ignorá-lo e retirar a força dessa ferramenta destrutiva e inválida que não agrega em nada a evolução de nossa espécie.
    Paz e luz! 🙂

    • Silvia Souza disse:

      Claudio,
      Eu agradeço muito seu comentário e suas palavras (que vão além de um comentário ao meu texto). São palavras sinceras de motivação, estímulo e carinho… coisas que têm sido cada vez mais raras.
      Eu não conhecia Jiddu Krishnamurti. Certamente, tentarei conhecer alguma coisa dele.
      Eu concordo que todos nós temos o “bem” e o “mal” dentro de nós. O ideal é haver um equilíbrio ou um predomínio do bem, usando nossa razão na tomada das decisões. Mas, em algumas pessoas, a parte do mal é grande demais e o sadismo predomina. É um mal gratuito, sem vantagens reais, apenas pelo prazer doentio que ele desperta.
      Obrigada mais uma vez!
      Um beijo e um ótimo fim de semana.

  • Marcos Rocha disse:

    Olá, Silvia. Li seu texto e, como sempre me encanto com sua escrita, apesar do assunto triste. Gostaria de te dizer que acima de tudo, lembre-se que você tem talento, tem classe e inteligência e já te deixa muito acima do que qualquer um desses sádicos que tente te perturbar. Vivemos em uma época que torna cada vez mais comum conviver com seres, mas em todo caso nunca se esqueça que sempre existirão pessoas para te apoiar. Como diria Zeca baleiro:

    “Nêgo sinta-se feliz
    Porque no mundo
    Tem alguém que diz:
    Que muito te ama!”

    Que amanhã você possa acordar e cantar essa música: http://www.vagalume.com.br/zeca-baleiro/telegrama.html#ixzz3onSDuMnS

    Forte abraço. Tenha força.

    • Silvia Souza disse:

      Olá, Marcos!
      Obrigada por suas palavras!
      Agradeço os elogios, mas, principalmente, agradeço pelo apoio.
      Às vezes, acho que não estou preparada para o mundo… mas ainda não fui abatida… continuo batalhando.
      Um beijo grande!
      Um lindo domingo!

  • M.Raydo disse:

    E não é que estamos aqui para viver?! Interagir, errar, acertar, ser um pouco vítima e um outro tanto de acusador cruel?!
    Não adianta se esconder em sua casa e achar que nada vai acontecer, alguém dará um jeito de te achar, te retirar da sua segurança e te introduzir em algum drama, problema ou aventura. Pode crer! Isto já aconteceu milhares de vezes comigo! Já até cheguei a atender o telefone, ironicamente, com a frase: Próximo problema, boa tarde! 🙂
    Em grande parte desta vida sou compreensível, bom ouvinte, tranquilo e risonho, mas também sei ser cão, se necessário for.
    Dê a liberdade e a educação até onde for possível, mas não permita invasões, se isto estiver incomodando.
    Não tenho lindas palavras para te consolar, sei um pouco deste clima, pois me encontro em apuros também e isto me dá um certo ódio!
    Apenas, conte comigo! Seja lá o que for! Sei dar umas muquetas em umas fuças!kkk
    Beijo e até! 🙂

    • Silvia Souza disse:

      Obrigada pelas palavras…
      Mas não sei se conseguirei me reerguer… Há momentos em que acho que sim…
      Agora estou na fase do não…

      • M.Raydo disse:

        Onde posso te ajudar?! O que um cara comum pode fazer por você?! Estou falando sério! Conte comigo, mesmo! 🙂

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