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Genética

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Em 1997, eu estava formada fazia quase 3 anos e estava concluindo a minha Residência Médica. Nesse ano, estreou o filme “Gattaca” de Andrew Niccol, com Ethan Hawke, Uma Thurman e Jude Law. A ideia proposta no filme ainda parecia coisa de ficção científica, embora já estivessem disponíveis muitos conhecimentos de Biologia Molecular e Genética. Mas o código genético humano ainda não estava completamente identificado. A ideia, que parecia fantasiosa para a maioria das pessoas, soava real em um futuro distante para aqueles que conhecessem um pouco de Biologia Molecular.

Dezoito anos se passaram desde que o filme foi lançado. A ciência decifrou completamente o código genético humano, embora ainda falte conhecer completamente a função de cada gene e suas interações; isso ainda pode levar muitos anos. Mas já é possível selecionar embriões saudáveis para serem implantados em mulheres que optam pela fertilização in vitro, assim como é possível escolher o sexo do descendente da mesma forma.

Os avanços na Medicina são incríveis, porque ajudam a salvar muitas vidas, evitar doenças, melhorar a qualidade de vida e trazer esperança.

Mas podemos confiar que sempre prevalecerá a ética, o bom senso e o uso adequado das tecnologias que vêm sendo desenvolvidas? Em um mundo onde o dinheiro compra praticamente tudo, de carros esportivos a viagens espaciais, podemos acreditar que os responsáveis por clínicas de fertilização, onde a seleção gênica pode ser feita, manterão sua honra evitando que os casais escolham livremente o sexo dos fetos a serem implantados? A decisão de escolha pelos pais manterá o equilíbrio entre homens e mulheres no mundo? Eu sei que o número de fertilizações ainda é pequeno; que essas escolhas não são feitas de forma corrente.

De qualquer forma, saímos de um filme de ficção científica em 1997 e que, em menos de 20 anos, está muito próximo de poder se tornar real. Métodos de reparo e de modificação do DNA já foram desenvolvidos, como descritos pelos próprios pesquisadores nas palestras do TED, cujos links coloquei abaixo.

Eu não costumo ser retrógrada nas minhas concepções e não me agrada leis ou receios infundados que barrem o desenvolvimento da ciência. Mas, mesmo acreditando ser uma médica com uma visão aberta e vislumbrando os inúmeros benefícios de toda a tecnologia que vem sendo desenvolvida, eu não acredito na índole dos homens. Quase tudo o que é usado como arma de destruição partiu de descobertas que se acreditavam benéficas.

Qual é o limite de intervenção do homem com a Natureza? Com os animais? Com o próprio homem?

Criar regulamentações adequadas conseguirá, de fato, coibir qualquer ação inadequada, com tantos países diferentes e mais de 7 bilhões de seres humanos com índoles completamente diversas?

Eu sei que tenho uma tendência muito grande de me preocupar com antecedência, muito antes das coisas acontecerem. Mas é melhor pensarmos nisso agora, antes que seja tarde demais.

 

We Can Now Edit Our DNA. But Let’s Do it Wisely | Jennifer Doudna | TED Talks

 

A cure for no cures – the next generation of medicine | Ashkan Fardost | TEDxBerlin

 

 

– Sílvia Souza

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