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Fime: “10 anos de pura amizade” – 2011 (“10 Years”)

Fime: “10 anos de pura amizade” – 2011 (“10 Years”)
Fime: “10 anos de pura amizade” – 2011 (“10 Years”)

Não tive reunião de amigos de colégio, como acontece nos Estados Unidos. Houve comemoração de 10 e 20 anos de formados na faculdade, às quais eu não compareci. Uma atitude muito antissocial minha, eu sei.

O problema é que não sei ser falsa e tenho uma enorme dificuldade para lidar com a hipocrisia.

Eu tive pouquíssimos amigos verdadeiros na faculdade, se é que tive algum. Foram e são colegas, de faculdade e de profissão. Tenho bom relacionamento com todos aqueles com quem ainda tenho algum contato. E, contanto que as coisas permaneçam assim, no campo profissional, tudo fica bem.

Mas encontrar as pessoas em um evento social, com família (ou não), não me deixaria à vontade. Alguns estariam melhores do que eu profissionalmente, outros iguais, outros piores. Mas isso não me incomodaria de fato, porque conheço meu caminho, todas as coisas pelas quais passei, os tombos que levei e como me reergui para começar de novo.

Quantos conhecem a minha história? Um ou dois… aqueles que ficaram ao meu lado. E ainda assim, não conhecem tudo.

Eu detesto julgar as pessoas, porque cada um sabe pelo que passou e o que sofreu ao longo dos meses e anos. Mas a maioria das pessoas acha mais fácil olhar para a vida dos outros do que para a própria vida. A vida dos outros é mais tranquila… tão simples de resolver os problemas, não é verdade? Cada um tem uma saída, uma opinião, um solução.

E eu não conseguiria comparecer e falar de trivialidades apenas. Porque se alguém perguntasse da minha vida, dos meus filhos, do meu divórcio, e de tudo o mais pelo que passei, eu não saberia simplesmente sorrir e dizer que nada me abalou. E se eu rezasse um rosário da minha vida, quem de fato se importaria? Nunca ninguém esteve ao meu lado quando precisei. Nenhuma dessas pessoas que estudou comigo, seja no colégio ou na faculdade.

Tive ao meu lado minha família e algumas pessoas que permaneceram na minha vida, que se importaram e que me amaram (e amam) de verdade. Quantos são? Pouquíssimos.

Minha mãe diz que eu devo participar, ir a festas, encontrar pessoas. Será? Ter uma vida social repleta de relações superficiais fará de mim um pessoa mais feliz?

Eu realmente duvido!

Saibam as pessoas que estão na minha vida, que vocês são tudo o que tenho e, para vocês, há o mais puro e mais sincero do que eu sou. Espero que gostem, ao menos um pouquinho…

 

 

– Sílvia Souza

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4 Comments
  • M.Raydo disse:

    Eu sei bem como é esta tal de “atitude antisocial”, pode crer! Não gosto de festas, acho bem complicado uma boa conversa e conseguir a atenção de uma pessoa só! Acaba que se fala muito e não se fala nada! Também fujo de encontros forçados, porque acabo me sentindo um panaca total sem assunto. Porém [ah! porém…] as vezes precisamos desencanar e falar coisas sem sentido, dar abraços, sorrisos e atenções desatentas. Experimentar atitudes diferentes e sair do conforto pode ser uma boa pra gente e para as pessoas. Uma palavra positiva pode mudar a vida de alguém, já dizia minha mãe! Talvez, ela estivesse certa… vai saber?!
    Um dia ainda serei mais simpático também e sair do meu casco de mau humarado que criei… aí quem sabe a vida poderá sorrir mais?! Bjo e até! 🙂

    • Sílvia Souza disse:

      Então… mas acho que há duas coisas diferentes aqui…
      Uma delas é aquela conversa superficial quando você está travando contato com alguém, conhecendo. Fala-se sobre gostos, o tempo, viagens. Até que um assunto seja interessante às partes.
      (Embora, eu tenha que confessar… essas conversas só funcionam comigo se houver 2 interlocutores, eu e o outro; se houver gente de mais… fico MUDA!!! É a timidez se manifestando em seu grau máximo).
      Mas há aquela conversa de quando você encontra pessoas com quem conviveu e não vê há 10 anos. Se tiverem sido amigos de verdade, pode dar aquela nostalgia e os assuntos voltam como se nunca tivessem sido interrompidos.
      Mas se as amizades eram superficiais, cada um vai querer mostrar o melhor… a vida da fantasia, aquela que gostaria de ter sido. Ninguém quer ficar mal aos olhos dos outros. E é isso que eu detesto!
      Como Facebook, sabe, em que todos são lindos, felizes, bem sucedidos… Não dá pra mim!

      • M.Raydo disse:

        kkkk! Então, esta é a hora de se divertir! Fale também, porque não?! Eu qdo não conheço direito a pessoa, tenho a forte tendência de falar demais! Tento entender o outro e entender o que ela quer dizer. As vezes, nem quer dizer nada, só esticar o assunto mesmo! Se o silêncio e a solidão te incomodam, então o jeito é quebrar suas regras, suas leis e atitudes. O mundo está aí Silvia… bora desafiar e encarar! Tudo vale a pena, se você estiver no barato! Ah! Também acho que, se o papo de quem você estiver não for interessante… passe pro próximo! rsrsrs:)

  • Sílvia Souza disse:

    Hum… Não sei… As coisas para mim são mais complexas…
    Escreverei a respeito em um próximo post…
    Um ótimo dia e ótima semana!

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