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Filme “Um Senhor Estagiário” – 2015 (“The Intern”)

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Filme “Um Senhor Estagiário” – 2015 (“The Intern”)
Filme “Um Senhor Estagiário” – 2015 (“The Intern”)

Eu não sabia se deveria falar sobre esse filme logo que assisti ou se deveria refletir um pouco. No final das contas, uma semana se passou.

Antes das minhas reflexões, vou resumir o que achei do filme: ADOREI!

Gosto do Robert De Niro e da Anne Hathaway, o que já é um bom começo. Mas o que realmente conquista nesse filme é a história. É uma comédia leve, sutil, com muito drama, muito da vida real e dos problemas que a maioria das pessoas enfrentou ou vai enfrentar na vida.

O Robert De Niro faz o papel do perfeito cavalheiro, que viveu um casamento longo e cheio de amor, até que, após sua aposentadoria e a morte de sua esposa, ele sente necessidade de preencher sua vida com alguma atividade útil.

Aquele homem de 70 anos, que se candidatou ao programa de internos de terceira idade, conquista todas as pessoas com quem convive, com sua tolerância, capacidade de adaptação, gentileza, solicitude. Quando eu construí a imagem dele no meu cérebro, fiquei pensando se o personagem não era perfeito demais. Talvez pela capacidade de interpretação do De Niro ou talvez porque haja alguns momentos de ansiedade, tristeza, solidão, desconforto (entre outros momentos sutis de sentimentos tão reais e humanos), percebi que era sim um personagem possível mesmo fora das telas.

A Anna Hathaway representa uma mulher bem sucedida, dessas que sobe meteoricamente por causa de uma boa ideia no mundo virtual. E ela é como tantas mulheres: uma excelente profissional, mas é mãe e esposa. E tenta equilibrar todas as funções, o que se mostra absolutamente impossível.

Sempre fazemos escolhas. Não dá para querer ser perfeita em tudo. Ou seremos um desastre em tudo. E o que eu acho difícil na escolha não é olhar para as opções naquele momento. Mas é tentar imaginar o caminho a partir daquela escolha e as consequências inevitáveis que virão com o questionamento ao analisarmos tudo o que renunciamos.

E ela viu sua vida desabando. E não há como voltar atrás. A única coisa possível é analisar o que pode ser feito dali em diante.

Como é difícil!

Quantas vezes, eu (e provavelmente muitas outras pessoas) não parei e me martirizei perguntando para mim mesma: “e se eu tivesse feito aquela outra coisa? E se eu tivesse escolhido o outro caminho? E se eu tivesse tomado a outra decisão?”

O que essas perguntas trazem além de angústia e sofrimento? O tempo não volta! Não dá para fingir que voltamos ao zero e tentar refazer o percurso, porque o momento será outro, as pessoas serão diferentes, as cicatrizes que surgiram nesse tempo não irão mais se apagar.

Eu já me culpei imensamente por escolhas que julguei erradas; já culpei outras pessoas por outras escolhas que foram minhas, porque eu não sabia lidar com o peso das consequências. E, no final das contas, quando olho para trás, apesar de todo o sofrimento que causei a mim e aos outros, vejo o quanto cresci, o quanto aprendi a olhar para a vida de outra forma; tenho muito mais serenidade nas minhas reflexões e ações (é certo que ainda me irrito muito, me angustio, perco a paciência, me revolto… mas já melhorei MUITO!).

Eu entendi totalmente a mulher bem sucedida do filme. Uma mulher que tem que aprender a olhar o mesmo fato por outros ângulos, que tem que se colocar no papel de outras pessoas; porque essa é a única forma de tentar ser justa e de aceitar os tropeços e as quedas que surgem no meio do caminho.

 

 

– Sílvia Souza

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3 Comments
  • laynnecris disse:

    Adoro esses dois também… vou assistir assim que der…Como sempre, ótima reflexão! Realmente nunca saberemos se uma escolha ou outra teria dado certo ou não…

  • M.Raydo disse:

    Perfeito! Sua visão foi excelente e muito humana! Por que não escolhi aquele outro caminho?! Por que não insisti naquela história?!
    Então, aqui neste exato momento, olho pro espelho logo ali e vejo um cara de barba branca, os óculos surrados e o olhar cansado sobre eles. Pois é… eu! Um jovem senhor amável!
    Quem me conhece mais de perto, sabe que levo a vida a sorrir, mesmo com minhas milhares de reclamações diárias e maluquices!
    Tudo e todas aqueles caminhos que não foram, me deram a oportunidade de ser este cara que estou vendo aqui. Único!
    Talvez um grande idiota, errado e estúpido, mas, lá no fundo, uma ótima pessoa!
    Que os erros venham, que os acertos aconteçam, mas que eu ainda possa sorrir pra mim mesmo no espelho e entender o humano gente boa que está logo ali… ou melhor, bem aqui!
    E graças a ele conheci pessoas queridas e completamente humanas como eu!
    Obrigado pelo seu texto! 🙂

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