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Filme “Um Pouco de Caos” (“A Little Chaos” – 2014)

Filme “Um Pouco de Caos” (“A Little Chaos” – 2014)
Filme “Um Pouco de Caos” (“A Little Chaos” – 2014)

Sinopse: Um drama romântico envolvendo Sabine (Kate Winslet), uma talentosa projetista de jardins, que estava envolvida nas construções dos jardins de Versailles para o Rei Luís XIV (Alan Rickman). Sabine tem que lidar com problemas de envolvendo classes sociais quando ela se envolve com o projetista de jardins da corte, o já famoso André Le Nôtre (Matthias Schoenaerts).

 

Acho que não é um filme que agrade aqueles que gostam de filmes intensos, cheios de ação ou de romance. A mim, entretanto, o filme agradou muito.

A personagem Sabine é interpretado por Kate Winslet, que é uma atriz que adoro e por quem tenho uma enorme admiração. Ela é uma mulher madura, que perdeu o marido e a filha em um acidente. Ela precisou trabalhar para se sustentar, em uma época em que isso não era habitual. Tornou-se projetista de jardins. Acabou sendo chamada para projetar uma área dos imensos jardins de Versailles e desempenhou com enorme dedicação sua função.

Mas nesse trabalho, acabou se apaixonando e se envolvendo com André Le Nôtre, um projetista de jardins, parte da corte e casado.

É uma história altamente improvável. Por outro lado, foi dirigida com enorme sensibilidade por Alan Rickman. Apesar de ser algo difícil de ser imaginado para a época, uma mulher cheia de antagonismos, forte e delicada, segura e atormentada, soube manter sua nobreza, apesar de não ser nobre nem membro da corte. Conquistava a todos com sua sinceridade e honestidade.

O que fazer quando o amor e a admiração insistem em surgir, mesmo quando são impossíveis de serem demonstrados e vividos? É correto chamar os amantes de pecadores e de condená-los quando eles já sofrem de forma cruel apenas pelo fato de não poderem ficar juntos? De não poderem viver uma história juntos?

O filme mostra o contraste da hipocrisia que imperava nas relações, na corte, nas amizades. Os casamentos eram desvinculados do amor, da admiração, da paixão. Tinha o intuito de gerar descendentes, mas marido e mulher quase não conviviam e era de conhecimento geral que todos tinham seus amantes.

Mas o amante que exista apenas para apimentar os desejos era mais aceito e tolerado do que aquele que viesse através de um sentimento sincero, porque isso altera o equilíbrio da sociedade e a superficialidade dos contatos entre as pessoas.

Apesar de todas as críticas que o filme recebeu, eu gostei. Acho que me identifiquei com essa mulher que construiu sua vida de forma autêntica, apesar de todas as adversidades, e que manteve seus princípios apesar das atribulações.

 

 

– Sílvia Souza

 

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