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Filme “Um homem chamado Ove” (“En man som heter Ove” – 2015)

Filme “Um homem chamado Ove” (“En man som heter Ove” – 2015)
Filme “Um homem chamado Ove” (“En man som heter Ove” – 2015)

 

Este filme teve duas indicações ao Oscar 2017:

  1. Melhor filme estrangeiro
  2. Maquiagem e cabelo

Infelizmente, ele não ganhou nenhum dos dois. Foi indicado em vários outros festivais ao longo do ano de 2016, tendo ganhado alguns prêmios.

É um filme sueco, uma comédia dramática, que conta a história de um homem bastante solitário após a morte de sua esposa. Ele mora em um condomínio de casas e foi o síndico do condomínio durante muitos anos. Embora não o seja mais, ele continua agindo como se fosse e faz a ronda diariamente para se certificar de que tudo está seguindo as normas. Parece um velho ranzinza que implica com todas as pessoas e não quer ninguém por perto. E, logo no início do filme, seu plano é se suicidar para reencontrar sua esposa, que ele considera como tendo sido a única coisa importante de sua vida.

Aos pouquinhos, descobrimos que ele perdeu a mãe muito pequeno. Seu pai era um homem bom, honesto e correto em todos os aspectos, que ensinou a Ove a ser honrado, mas tinha grande dificuldade de dar demonstrações de carinho e afetividade. E Ove cresce com esse distanciamento sentimental, mas sempre sendo um homem absolutamente sincero e preocupado com os outros.

Quando ele conhece Sonja, sua esposa, ela se torna o contraponto, por ser uma mulher expansiva e capaz de demonstrar afeto pelos dois. Ela entende o jeito de ser de Ove e o ama dessa forma, reconhecendo nele sua sensibilidade escondida sob sua postura seca e contida. Por causa dessa simbiose perfeita, quando Sonja morreu, Ove passou a se isolar cada vez mais, desejando a morte.

Sua vida começa a mudar quando, durante sua primeira tentativa de suicídio, muda-se para a casa em frente à sua uma família bastante barulhenta e ele acaba tentando impor a ordem do condomínio. A mulher é uma imigrante iraniana, grávida e sempre afetuosa com Ove; e ela não aceita nunca suas tentativas de se afastar. A mulher simplesmente quer se aproximar e faz tudo ao seu alcance para conseguir seu objetivo.

Ove vai, pouco a pouco, abrindo-se para essa nova família e vai deixando aparecer seu lado prestativo e atencioso, mesmo que continue com a mesma dificuldade de demonstrar seus sentimentos.

O filme é absolutamente lindo, sensível e emocionante. Ele mostra como devemos procurar olhar o que está além de uma resposta seca, os sentimentos escondidos atrás de uma postura mais dura, a bondade presente no coração que se demonstra pelas ações muito mais do que pelas palavras. Ove é um homem bom, mas que nunca aprendeu a demonstrar seus sentimentos e que nunca soube lidar com eles. Ele criou para si uma carapaça de defesa contra o mundo, mas a bondade estava sempre presente nas atitudes de ajuda às pessoas à sua volta, conhecidas ou desconhecidas. Mesmo sendo ranzinza, ele estava pronto a ajudar um amigo inválido, a salvar um homem que caiu nos trilhos do trem, de entrar em uma casa em chamas para salvar uma mulher e uma criança que estavam lá dentro. Ele não pedia glórias ou reconhecimento. Ele apenas fazia o que achava correto, o que seu coração dizia, mesmo sem ser afável.

Adoro esse tipo de filmes que nos apresentam pessoas normais e tentam mostrar além do que nossos olhos são capazes de ver. Considero um aprendizado. O olhar rápido e superficial que destinamos às pessoas deixa escapar a essência escondida e nos engana com muita frequência. Precisamos de mais humanidade, mais contato, mais sentimento e empatia. São essas características humanas que dão sentido às nossas vidas.

Citação:

Ove: One thing is certain though: Whatever we do in this life, no one gets out of it alive.

[Uma coisa é certa: o que quer que façamos nessa vida, ninguém sai dela vivo.]

 

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