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Filme “Um belo verão” (2015)

Filme “Um belo verão” (2015)
Filme “Um belo verão” (2015)

Título original: La belle saison

 

As chances de Carole, uma professora de espanhol de Paris e militante feminista, e de Delphine, filha de dois fazendeiros Limousin, se encontrarem eram muito pequenas. Mas elas acabam se encontrando casualmente, tornam-se amigas e, depois, amantes. Infelizmente, o pai de Delphine ficou inválido, vítima de um acidente vascular cerebral, e a jovem não teve outra escolha senão voltar para casa para ajudar a mãe a gerir a fazenda da família. Carole, que estava tão apaixonada por Delphine, não podia suportar o distanciamento e decidiu ir para a fazenda, onde ficaram vivendo juntas. Tudo isso se passava em 1971, época em que as mulheres começavam a lutar por seus direitos e em que o homossexualismo ainda era visto como uma doença.

O maior desafio talvez não fosse lidar com a aceitação das pessoas; cada vez mais percebo que o maior problema está na forma em que olhamos para nossos defeitos. Como não nos aceitamos, achamos que os outros não irão nos aceitar, qualquer que seja a questão envolvida.

Na história do filme, Delphine, criada em uma fazenda, próxima a uma pequena cidade ligada à vida rural, não aceitava sua atração por outras mulheres. Ela não concebia que outras pessoas pudessem saber ou, nem mesmo, suspeitar. Não havia a menor possibilidade de falar sobre seu amor por Carole com a mãe. E quando esta descobre, Delphine não luta por assumir quem é; ela não encontra forças para se opor à toda a criação que recebeu.

Com exceção da mãe de Delphine, o filme não mostra muita intolerância à relação homossexual das duas. O principal aspecto abordado é realmente na dificuldade da aceitação de si mesma de Delphine.

Dia a dia, percebo a importância que pais e educadores têm na vida das crianças. Não pelo que dizemos diretamente, mas por nossas atitudes, comentários, comportamento.

As crianças seguirão os exemplos que recebem. E se tratarmos de forma intolerante alguma pessoa que tenha um comportamento diferente do nosso, os filhos tenderão a olhar da mesma forma. E situações assim fazem mal aos jovens, à sociedade e ao mundo.

Sei que, como mãe, acabo cometendo erros. O que procuro fazer é melhorar a cada dia, ser cada vez mais tolerante, não julgar as pessoas de forma precipitada, demonstrar respeito pelos outros, não ultrapassando meu espaço de liberdade.

Sei que as pessoas não têm o mesmo comportamento e sei que meus filhos podem enfrentar dificuldades ao lidar com as pessoas espertalhonas do mundo. Mas é a forma que eu enxergo de construir um mundo melhor, mais tolerante e no qual cada pessoa possa se aceitar da forma que é, mesmo que não se enquadre entre a maioria.

– Sílvia Souza

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