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Filme “Sully: O Herói do Rio Hudson” (2016)

Filme “Sully: O Herói do Rio Hudson” (2016)
Filme “Sully: O Herói do Rio Hudson” (2016)

 

Este filme foi indicado ao Oscar 2017 na categoria Edição de Som. Além disso, foi indicado para vários outros prêmios e ganhou alguns.

Para quem não sabe, trata-se da história do voo da US Airways que teve problemas nas turbinas e precisou fazer um pouso de emergência em pleno rio Hudson, em Nova York. Nenhum passageiro ou tripulante morreu. Duas linhas para resumir a história. O piloto foi um herói e conseguiu algo absolutamente inédito.

Ok. Resumo feito. História contada. O filme é legal, prende a atenção e o melhor: a gente sabe que tudo vai acabar bem no final. Isso é Hollywood.

E o objetivo de comentar esse filme é justamente para falar sobre isso, sobre o cinema americano. Eu já abordei esse mesmo tópico quando escrevi sobre o filme “A travessia“.

Vou tentar estabelecer uma diferença que para mim parece clara, mas tenho dificuldade de colocar em palavras. Vamos lá…

Recentemente, escrevi sobre o filme “Um homem chamado Ove“. Ele conta a história de vida de um homem comum, que fez coisas boas e deixou sua marca para quem conviveu com ele. Ove poderia ser meu avô, meu tio ou qualquer pessoa ordinária (de acordo com o significado: conforme ao costume, à ordem normal; comum). Às vezes, penso que a maioria das pessoas vive pequenas coisas maravilhosas que poderiam render um filme ou um livro. São os pequenos detalhes de uma amizade, um amor, um gesto de gentileza, percepção das belezas do mundo. Quantos não poderiam contar sobre um acidente em que quase morreram e foram salvos porque recorreram a Jesus? Mulheres poderiam falar sobre o milagre de dar à luz; outros poderiam falar sobre guerras a que sobreviveram ou atos de heroísmo que não serão nunca mencionados. Cada vida é linda e especial.

Se o filme “Sully” contasse um pouco mais sobre a vida do piloto, quem ele era, méritos e defeitos, talvez eu até achasse que realmente o filme valeria a pena. Mas não é o caso. Foram 95 minutos relatando alguns eventos de antes, durante e depois do voo, com a suspeita de falha humana (que foi rapidamente afastada), consagrando de fato o piloto como um herói. Não discuto isso. Mas não havia enredo para o filme! Até a demonstração de segurança das comissárias de bordo antes do voo foi acrescentada. Para que? Para mostrar que todas as normas foram seguidas? O intuito era de fazer uma defesa à companhia aérea?

Não quero fazer parecer que o filme seja ruim. Não é. É uma boa diversão. Mas não acrescenta nada. São 95 minutos perdidos apenas com a visualização de efeitos especiais e boa edição de som.

Vou fazer outra comparação com outro filme que também concorreu ao Oscar 2017: “Até o último homem“. Ele também conta sobre um ato de heroísmo de um homem que, durante a Segunda Guerra, salvou sozinho 75 soldados. Eu acho ainda mais incrível, porque ele salvou durante os ataques, com japoneses atirando nele o tempo todo. Mas a história vai além do salvamento em si; conta sua história de vida, o que o levou a ir para a Guerra, quais eram seus princípios e o que o motivava.

Não sei se estou conseguindo ser clara na minha explicação. Nem mesmo sei porque estou escrevendo sobre tudo isso, quando sei que se perde tempo com filmes ainda muito piores do que “Sully”.

Talvez eu apenas gostaria de ver mais histórias de vida bonitas e significativas no cinema, mas a história inteira de vida, mesmo com as falhas das pessoas, e não apenas com a construção de heróis perfeitos. Porque os verdadeiros heróis são pessoas humanas que realizam alguns atos grandiosos e expressivos durante suas vidas.

 

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2 Comments
  • Não assisti o filme, mas gostaria de e achei bastante interessante o ponto que você aborda, pois eu provavelmente não teria pensado nele. Engraçado que neste momento estou fazendo a resenha de uma biografia de Winston Churchill que eu achei uma leitura fantástica justamente por contar vários elementos da vida do estadista e como eles fizeram com que Churchill fosse quem foi. Como você disse, não basta conhecer os feitos, queremos conhecer como são aqueles que estão por trás dos feitos e suas motivações e limitações.

    Beijos e excelente Páscoa!
    Thais

    • Silvia Souza disse:

      Olá, Thais!
      Obrigada por passar por aqui!
      Eu gosto muito de filmes e gosto do cinema americano. Mas existem alguns filmes que acho que eles fazem na pressa, no desejo de recontar uma história e o roteiro não é tão bem montado. Só fiquei imaginando que a mesma história poderia ter sido contada de forma muito mais rica e interessante…
      Beijo!
      Feliz Páscoa!

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