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Filme “Olmo e a Gaivota” (“Olmo & the Seagull” – 2015)

Filme “Olmo e a Gaivota” (“Olmo & the Seagull” – 2015)
Filme “Olmo e a Gaivota” (“Olmo & the Seagull” – 2015)

 

Faz bastante tempo que não comento algum filme aqui. Tenho ido pouco ao cinema. E os filmes que tenho visto em casa não têm me agradado em especial a ponto de eu desejar comentá-los.

No último domingo, assisti a esse filme no Now. É uma produção associada da Dinamarca, Brasil, França, Portugal e Suécia.

Logo no início, Olívia, uma atriz de teatro de origem italiana, descobre que está grávida do namorado, Serge, um ator francês, seu companheiro de palco. Seus planos seriam de continuar interpretando seu papel até que precisasse se afastar por causa do parto. Mas, como sempre, as coisas acontecem de tal forma a nos mostrar que não temos o controle de tudo: um risco de abortamento faz com que Olívia tenha que fazer repouso absoluto. Ela não pode mais atuar durante a gravidez e, praticamente, não pode sair de casa, já que o prédio onde moram não tem elevador.

De repente, há aquela mulher que sempre teve uma história de rebeldia e de ir atrás dos seus sonhos, no auge de sua carreira como atriz, tendo que ficar presa em casa, sozinha o dia todo, sentindo algo crescer dentro dela… algo que lhe é estranho.

E tudo isso acontece em meio a um relacionamento que não estava totalmente estabelecido, no qual não havia um comprometimento total, nem planos de uma vida juntos. Serge continua na peça, precisa viajar, deixar Olívia sozinha; ele tenta ter paciência para lidar com sua justificada irritação.

A maternidade é uma coisa maravilhosa. Mas não gosto da aura de santidade que se coloca em volta dela. Nem todos os sentimentos da gestante ou da jovem mãe são nobres. Ficamos cansadas, quase nada no corpo funciona bem, sentimos algo que se mexe dentro do nosso corpo e temos que amar aquele ser, quando, muitas vezes, estranhamos esses movimentos incontroláveis, que nos acorda no meio da noite, que empurra nossas costelas e causa dor. A maternidade é algo natural; mas não é algo celestial. E abrimos mão de muitas coisas para acolher o novo ser que chega.

O filme mostra tudo isso. Mostra os aspectos nem sempre nobres e bonitos da gestação. Mostra os pensamentos mais secretos que, geralmente, a grávida não tem coragem de verbalizar, porque não se aceita quem possa criticar um momento tão especial. Gostei muito do filme por causa dessa sua sinceridade, sem ser grosseiro ou perder seu encanto.

E o interesse aumenta ainda mais, porque logo se percebe que aquilo tudo é real. Olívia Corsini e Serge Nicolaï interpretam eles mesmos. A evolução da gravidez é real. O corpo que vai se transformando é real. A realidade da gestação na forma de um documentário mistura-se a trechos interpretados por atores desempenhando seus papeis. A pequena Nina nascerá e também estará presente no filme.

Não é um filme de ação. Não é um drama. É apenas a história da vida real, com seus aspectos bons e os não tão bons.

Vale muito a pena assistir.

 

– Sílvia Souza

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11 Comments
  • Carlos Moya disse:

    Parece um filme corajoso sobre os eventos que acontecem para todos nós. Eu não costumo ir ao cinema por questões mais atuais que parecem além de minha vida diária ou mostrar violência desnecessária. Um abraço.

    • Quase não tenho ido ao cinema também. Esse filme assisti em casa mesmo.
      Até acho que muitos filmes europeus acabam tendo boas histórias… eu gosto.
      Um grande abraço!

      • Carlos Moya disse:

        Quando minha filha vem para a Espanha, que geralmente vemos especialmente realistas comédias do cinema francês: Eu desenho um link abaixo no caso dos títulos não coincidem. Um abraço.
        http://www.filmaffinity.com/es/search.php?stype=director&sn&stext=Francis%20Veber

        • Onde sua filha mora?

          • Carlos Moya disse:

            Quatro anos atrás, elle vive na Alemanha, infelizmente para mim, como você pode supor.

          • Imagino que seja muito ruim ficar distante dos filhos… Mas eles vêm ao mundo para seguir sua própria vida, não é?
            Você a vê sempre?
            Estou me preparando para deixar meus filhos saírem do ninho, o que deve acontecer em breve com o mais velho…
            Ainda tenho medo do que será minha vida depois disso… acho que vou me mudar para uma pequena cidade europeia, à beira mar… esse seria meu sonho… Pelo menos, seria uma solidão bonita…

          • Carlos Moya disse:

            Felizmente hoje podemos ficar em contato através de videoconferência. O dia deve vir quando as crianças começam a sua vida independente. Eu não acho que a sua profissão você tem problemas para resolver na Europa, no máximo homologar o seu grau, mas isso é uma decisão que deve ser pensada. Eu sei que há muitos médicos espanhóis, galegos especialmente, a trabalhar em Portugal. Quanto a solidão, seja agradável ou não, eu não poderia te dizer, desfruto da companhia e têm múltiplas atividades quando eu estou sozinho. Um abraço.

          • Ah, Carlos…
            Mas não quero ser médica na Europa, não…
            Acho que quando for (se algum dia eu for), quero já estar com meu pé de meia e poder viver lendo e escrevendo… E, quem sabe, tendo um pequeno quintal onde pudesse cultivar girassóis…

  • claudio kambami disse:

    No meu caso, fujo dessa realidade por conhece-la e saber que é bem assim mesmo. Também não gosto do que entendo como irresponsabilidade entre um casal. Entendo que não há entre casais “acidentes”, todos são bem adultos para entender o que ocorre em uma relação, logo, se por parte dele ele não abraça essa situação e deixa ela dúbia, no meu entender ele não ama.
    A mãe sim entendo os desconfortos e por esse motivo o Ser feminino é chamado de geradora, pois é ela e somente ela que mistura, assenta e alimenta o Ser, algo mais que maravilhoso e espetacular, vejo como algo divino.
    Até mesmo entre os animais selvagem a fêmea é quem defende a cria nunca ou quase nunca o macho.
    Não conheço o filme, mas pelo que descreveu ele me parece quase que um documentário mesmo do que é real em uma simulação de vida entre um casal. 🙂

    • Acho que foi uma mistura de documentário e ficção, se é que isso existe.
      Toda a história da gravidez e do casal foi real. O filme foi feito durante a gestação da atriz e eles são casados de fato (ou vivem juntos, não sei).
      Achei muito interessante.
      A gravidez e a capacidade de gerar um filhor são coisas absolutamente mágicas. O que eu não gosto muito é do desconforto que surge quando alguém ousa dizer que há momentos ruins, que existem questionamentos… A maternidade não é um paraíso. A gente se cansa, abre mão de inúmeras coisas… Isso é fato. E vejo muitas mulheres encarando o problema apenas quando já é tarde demais.

      • claudio kambami disse:

        Interessante Silvia que já havia visto filmes dessa categoria mas geralmente feitos sim como documentários mesmos seja pela BBC que tem centenas deles ou History Channel que é uma associação segundo descrevem de A&E, H2, Lifetime Channel. Beijos! <3

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