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Filme “O Natal dos Coopers” (“Love the Coopers” – 2015)

A Praça
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Filme “O Natal dos Coopers” (“Love the Coopers” – 2015)
Filme “O Natal dos Coopers” (“Love the Coopers” – 2015)

 

Em todos os anos, lançam um novo filme sobre o Natal. Diferente de quando eu era criança, em que na época de Natal sempre eram reprisados filmes antigos sobre a vida de Jesus, como Ben-Hur, os filmes atuais falam de presentes, Papai Noel e, se sobrar um espaço, sobre o real espírito do Natal e seu significado.

Eu sei que o Natal já passou há quase dois meses. Mas assisti a esse filme no último final de semana e queria comentar a respeito.

Embora seja mais uma comédia que usa o Natal como cenário, eu gostei de alguns questionamentos que o filme traz (de forma superficial). É claro que ninguém quer ficar pensando seriamente em problemas na época de Natal. Na verdade, acho que essa é a postura da maioria das pessoas sempre: simplesmente varre todos os problemas para baixo do tapete e faz de conta que vive uma vida perfeita.

Acho que por já ter vivido mais da metade da minha vida, não tenho muitas ilusões. E meu jeito extremamente questionador e reflexivo faz com que eu queira entender o que se passa, tente ver os problemas de frente e resolvê-los para o bem das pessoas que convivem comigo e meu próprio.

Sei que estou divagando um pouco e saí das questões do filme. O filme aborda basicamente as relações familiares e suas dificuldades:

  1. o casal que, após 40 anos de casamento, resolveu se separar
  2. as irmãs que não conseguem se relacionar bem por causa de ciúmes e mágoas; e cada uma vê a outra como a mais forte entre elas
  3. a filha que acha que é sempre uma decepção para os pais
  4. o idoso que vive solitário
  5. a dificuldade de diálogo entre o casal divorciado

E outras pequenas questões surgem em paralelo, até para trazer alguma leveza à história. Mas dentro de todos os temas, dois pontos foram os que me prenderam: casamento e suas dificuldades e a diferença entre a nossa percepção sobre as coisas e a percepção dos outros e a realidade dos fatos.

Quando a gente se casa, existe uma ilusão de amor eterno e de convivência harmoniosa. Nenhum dos dois quer parar para pensar que são duas pessoas diferentes, com passados diferentes, com desejos diferentes… e não se aceita que algumas coisas não sejam ditas e permanecerão como segredos, guardados para alguns raros momentos em que se está só. Vejo casais que afirmam que isso não acontece; que um sabe tudo sobre o outro; que não brigam; que têm sempre a mesma opinião… e daí em diante. A verdade é que eu não acredito em nada disso. Gostaria que fosse possível, mas não acho que seja. Há sempre nossos segredos inconfessos, os pontos obscuros da nossa alma que nós mesmos não conseguimos desvendar, quanto mais verbalizar e contar isso para o outro. E mudamos o tempo todo; mesmo sem querer. A cada nova experiência, a cada pessoa que conhecemos, a cada livro lido, tudo isso contribui para reflexões e transformações. O casal pode mudar na mesma direção, mantendo o diálogo e, assim, continuam falando a mesma língua e compreendendo os desejos um do outro. Mas muitas vezes isso não acontece. Um passa a sonhar com uma viagem para a África e o outro está vivendo em função dos filhos. E quando percebem, não conversam mais e, se tentam conversar, não se comunicam, como se falassem idiomas diferentes.

Um dos problemas que tenho na vida é que quero alguém que queira desvendar todos os meus segredos, mesmo os mais obscuros, e isso é quase impossível. Tive isso uma única vez… e não durou… e a dor que sobra é ainda maior, porque é como se alguém tivesse levado uma parte minha embora…

A outra questão do filme que fez com que eu pensasse muito sobre minha vida é a forma como nos vemos e como achamos que os outros nos vêem. Muitas vezes temos nossos traumas e dificuldades para encarar alguns problemas ou situações. E acaba sendo mais fácil culpar os outros por essas dificuldades, por não tomarmos uma atitude em nossas vidas, por fugirmos das nossas responsabilidades… E passamos a vida sendo aquilo que achamos que os pais, ou o namorado, ou os irmãos gostariam que fôssemos; mas, na maioria das vezes, nem mesmo perguntamos se aquilo é real ou apenas uma ilusão criada por nós mesmos. O papel da Olivia Wilde é de uma mulher assim, que passa a vida se sentindo julgada e rejeitada pelos pais, porque acha que não consegue nunca superar suas expectativas em relação a ela.

E eu estou sempre vivendo isso… tentando caber no que esperam de mim… mas será que eu sei de verdade o que esperam de mim? Será que não é apenas uma fuga, por medo de enfrentar aquilo que quero para minha vida?

Se acontecer de alguém assistir a esse filme, provavelmente a pessoa vai achar um filme bobinho e talvez não consiga ver essas coisas onde me prendi e nas quais parei para pensar. Tudo isso é muito individual e depende da nossa vivência. Mas eu gostei do filme e pensei sobre esses e outros pequenos aspectos que tornam os relacionamentos tão complicados, quando tudo deveria, na verdade, ser simplificado.

– Sílvia Souza

 

 

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2 Comments
  • Eduarda Naidel disse:

    Engraçado, falam das mães… Mas toda casa é igual, juntamente com todos os seus “personagens”. Cada um com uma questão não resolvida, uma alegria e uma tristeza guardadas e mil faces que se adequam a cada contexto em que se vive. Amo a época do Natal, mas infelizmente aqui em casa, há anos que não temos uma comemoração digna. E é uma pena porque mesmo que muitos se reúnam por “obrigação”, no fim, acabam percebendo que não há nada mais agradável do que ter consigo as pessoas que fazem parte da sua história…

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