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Filme “O Maravilhoso Agora” (“The Spectacular Now” – 2013)

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Filme “O Maravilhoso Agora” (“The Spectacular Now” – 2013)
Filme “O Maravilhoso Agora” (“The Spectacular Now” – 2013)

Esse é um filme adolescente, mas com um conteúdo não habitual para um filme adolescente. O pano de fundo para o desenrolar do enredo é uma história de amor entre um rapaz e uma moça, ambos do último ano do High School. Mas eles possuem perfis muito diferentes: ele é popular e gosta de festas, enquanto ela é uma menina pouco notada, gentil e que ajuda a mãe em seu trabalho.

Eles acabam se aproximando, depois que ela o encontra desacordado em um gramado após uma noite de baladas e bebidas. Embora sejam muito diferentes, eles se tornam amigos. Ela, que nunca namorou antes, acaba ficando muito envolvida por ele, deixando-se levar pela popularidade e vai aceitando sua influência não tão positiva.

E é nessa influência que entra o tópico principal do filme: o abuso de bebidas alcoólicas.

O rapaz tem uma história de vida complicada: o pai deixou a mãe e não quis mais saber dos filhos; a mãe é uma enfermeira que tem que trabalhar muito e fazer turnos dobrados para sustentar a casa. Se esses foram fatores desencadeantes ou não (fato não explorado pelo filme), ele bebe muito. E não apenas em festas. Ele carrega uma garrafa de Whisky consigo e mistura no café, em sucos e em qualquer copo que estiver em sua mão. Dirige alcoolizado. Tem péssimo desempenho na escola e quase fica reprovado.

E a moça que se envolve com ele, que nunca bebia, passa a beber rotineiramente e a levar consigo uma garrafa de Whisky também.

E, em meio aos problemas adolescentes, ao sexo, Baile de Formatura, escolhas para o futuro, questões familiares, o ponto central do filme é o alcoolismo do rapaz, vários problemas decorrentes do vício e, finalmente, o reconhecimento de que ele era incapaz de largar a bebida, que era dependente e que fazia mal às pessoas à sua volta.

A minha impressão é que o alcoolismo, em especial em adolescentes e adultos jovens, ainda é um tabu e não há um enfrentamento real do problema, porque pais, familiares e os dependentes negam o vício. Mas não é um problema desprezível.

Segundo dados do I Levantamento Domiciliar Sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil de 2001, 48,3% dos jovens de 12-17 anos já fizeram uso de álcool na vida, ao passo que esse número atinge 73,2% dos jovens de 18-24 anos. Segundo o mesmo estudo, 5,2% e 15,5 % dos jovens de 12-17 anos e 18-24 anos, respectivamente, são dependentes de álcool. No ano de 2005, com a realização do II Levantamento Domiciliar no Brasil, os autores constataram que o uso na vida de álcool por jovens de 12-17 anos e de 18-24 anos foi de, respectivamente, 54,3% e 78,6% ao passo que a dependência dessa substância nesses mesmos grupos etários foi de 7,0% e de 19,2%, respectivamente. São dados alarmantes (fonte CISA).

Nos Estados Unidos, a restrição ao consumo de álcool por jovens é maior, sendo proibido o consumo para menores de 21 anos. Mesmo assim, o consumo de álcool abaixo dessa idade é um problema de saúde pública importante. O consumo de álcool pela população jovem nos Estados Unidos é responsável pela morte de mais de 4.300 jovens por ano. Apesar da proibição, jovens de 12 a 20 anos consomem 11% de toda a bebida alcoólica consumida no país. E eles geralmente consomem uma quantidade maior por ocasião do que os adultos (fonte CDC).

Certamente, esse não é um problema recente. Acontecia há 30 anos, quando eu era adolescente. Mas hoje em dia, sabemos mais a respeito dos riscos do alcoolismo nessa idade tão precoce.

E acho possível prevenir. A melhor forma é o diálogo. Não podemos ter medo de falar com os filhos. Podemos nos surpreender e aprender muito.

 

 

– Sílvia Souza

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7 Comments
  • Juliana Lima disse:

    Belíssima resenha Silvia!
    Como você disse o mais difícil é a aceitação e, infelizmente, esse assunto ainda é Tabu.
    Eu me relacionei com uma rapaz que bebia demais e ao longo do tempo percebi que ele era alcoólatra, mas ele nunca aceitou isso. A fala é sempre a mesma: “Eu posso controlar, paro quando eu quiser”. A maioria dos jovens acreditam mesmo que podem parar quando quiserem, mas é sempre tarde demais quando isso acontece.
    Adorei seu texto 🙂

  • Bruna disse:

    Acho preocupante também o fato de muitos pais não falarem nada contra quando as misturas são fracas entre álcool e energéticos, ainda mais quando dizem “eu bebia também, deixa meu filho (a) ver como é e aproveitar essa fase”. Li várias coisas a respeito e a reação dessa tal mistura “inofensiva” na verdade estraga os jovens, energéticos tem deixado crianças de 13 anos (digo crianças pois bem mais que a maioria tem a mentalidade muito infantil e influenciável nessa idade) viciados de forma que chega a dar medo. Gostei do filme pelo mesmo motivo!
    Abraço!

  • vileite disse:

    Belo e ótimo texto !
    Infelizmente o alcoolismo entre os jovens está cada vez mais crescente !

  • Natália disse:

    Bela resenha, e bons pontos tocados! Quero muito assistir esse filme. 🙂
    Uma pena que muitos pais não querem assumir ou enxergar algumas situações que seus filhos passam; muito mais fácil culpar outros fatores, como amigos, mídia, etc. Isso realmente deveria ser discutido mais abertemente!

    Primeira visita em seu blog – cheguei através do grupo do face! – e adorei. Abs!

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