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Filme “Neruda” (2016)

Filme “Neruda” (2016)
Filme “Neruda” (2016)

Este filme chileno conta um pouco sobre a história do poeta Pablo Neruda, especialmente no período que a perseguição do governo por ele ser do partido comunista. Ele era senador e fazia duras críticas ao presidente. Mas como Neruda era uma figura importante no país, não podiam simplesmente desaparecer com ele. Ele consegue fugir e fica exilado na Europa por anos.

O filme não é convencional. Ele foi construído sob a óptica de Óscar Peluchonneau, interpretado por Gael García Bernal, e que é o investigador que persegue Neruda para prendê-lo. E a imagem do poeta no filme, não sei se representando a verdade ou não, é de um homem vaidoso, bonachão, mulherengo e adepto da boa vida. Não é uma caracterização nada romântica, como seria de se esperar pelos poemas maravilhosos que Neruda escreveu.

O filme é caracterizado como surreal, tendo cenas imaginadas, como se fossem retiradas de um sonho. Esse tipo de construção não agrada todas as pessoas, especialmente para quem gostaria de ter uma ideia real da vida de Pablo Neruda de forma imparcial.

Eu fui buscar na Internet o que era real ou não sobre os fatos apresentados no filme. Achei uma reportagem da BBC e me baseei nela para colocar algumas informações aqui.

 

1. Ilegalidade do Senado e perseguição policial

O filme parte de uma premissa real. Em fevereiro de 1948, o então senador Pablo Neruda foi ultrajado pela Corte Suprema chilena, a pedido do então presidente do Chile, Gabriel González Videla. Durante meses, ele aguçou o conflito entre o governo de González Videla e do Partido Comunista.

Segundo informa à BBC Jaime González Colville, um membro da Academia Chilena de História, Neruda acusou o presidente do Chile de entregar uma “mapa milimétrico do litoral, ou seja, segredos militares da Defesa Nacional, ao Estado Maior dos Estados Unidos”. Ele também acusou o presidente de ter dado as costas ao Partido Comunista, que o ajudara a chegar ao poder. González Videla entrou com um processo por difamação e calúnia contra o poeta e aí começou a ação que levou ao impeachment.

Neruda decidiu escapar e o governo colocou em ação uma campanha para desacreditar sua figura, chamando-o de traidor e comunista, além do início da perseguição com o objetivo de prendê-lo.

 

2. A travessia arriscada para a Argentina

Treze meses depois, após várias mudanças de casa e várias tentativas de deixar o país por estrada e mar, Neruda conseguiu deixar Chile pelo sul e a cavalo, indo para Argentina. Com uma barba cheia e sob a identidade falsa de Antonio Ruiz Legarreta, profissão ornitólogo, ele cruzou as montanhas para a Argentina e, de lá, para a Europa. A fuga foi toda organizada pelo Partido Comunista.

 

3. Promulgação da chamada “Lei Maldita”

O presidente do Chile, Gabriel González Videla promulgou a Lei de Defesa Permanente da Democracia, popularmente conhecida como Lei Maldita, declarando a ilegalidade do Partido Comunista em 1948.

 

4. Apoio de Pablo Picasso

No filme, vê-se o pintor espanhol Pablo Picasso pronunciando um discurso de apoio ao poeta chileno. E, de fato, a primeira documentação que existe de amizade entre os dois artistas é precisamente o breve discurso dedicado a Neruda que Picasso leu em Wroclaw, na Polônia, em 25 de Agosto de 1948 no Congresso dos Intelectuais pela Paz.

 

5. Sua paixão por romances policiais e outros detalhes pessoais

Ao longo do filme, vemos referências constantes da paixão de Pablo Neruda por romances policiais. Na verdade, o estilo da polícia retratada no filme “Neruda” também pode ser lido como uma homenagem ao próprio poeta.

 

As informações que não são confirmadas:

  • O aventureiro final: o filme adquire, cada vez mais, um tom surrealista a partir da segunda metade. Começamos a duvidar da existência real da polícia que persegue Neruda, que vai ganhando destaque para se tornar o centro das cenas finais.
  • O personagem Óscar Peluchonneau: o policial que persegue incansavelmente Pablo Neruda no filme, Óscar Peluchonneau, existia na realidade, mas não como vemos em “Neruda”.
  • O papel desempenhado pela segunda esposa de Neruda, Delia del Carril: para Bernardo Reyes, a figura de Delia del Carril, segunda esposa do poeta e sua companheira na fuga, está deturpada no filme. “Ignorar, por exemplo, que Delia del Carril não era uma simples dona de casa empenhada em transcrever seus poemas, é imperdoável”, disse Reyes.

Para alguém que gostaria de ter uma ideia real da vida do poeta, o filme pode ser bastante decepcionante.

Fonte: BBC

 

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