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Filme “Mil Vezes Boa Noite” (“Tusen ganger god natt” – 2013)

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Filme “Mil Vezes Boa Noite” (“Tusen ganger god natt” – 2013)
Filme “Mil Vezes Boa Noite” (“Tusen ganger god natt” – 2013)

Esse filme pode despertar inúmeras sensações diferentes.

Para mim, o aspecto que mais tocou e fez pensar foi a dificuldade de conciliar a maternidade com a realização profissional completa. O filme chegou a me dar aquela sensação de desconforto no peito pela identificação, pelas escolhas que já se foram, por aquilo de que tive que abrir mão.

A maternidade não é algo obrigatório na vida da mulher. Mas a decisão de ter ou não filhos tem que ser feita cedo, se possível antes dos 40 anos. E coincide com a idade de dedicação à profissão. A decisão final não deveria ser tomada em meio à pressão; mas, com muita frequência, é o que acontece.

Ter filhos é uma das maiores alegrias que podemos ter na vida. Em contrapartida, nunca mais seremos as mesmas de antes, nem poderemos fazer tudo o que fazíamos como quando éramos soltas no mundo. O filho cria laços, amarras, nos prende ao chão, pede raízes, cuidado, responsabilidade.

Por mais que eu soubesse disso e tivesse refletido sobre isso antes de optar pela maternidade, não conseguia ter a noção exata do tamanho dessa renúncia do meu “eu” como profissional e mulher. E talvez outras mulheres tenham vivido a mesma situação que eu vivi: só compreender isso DE FATO depois do parto, depois de olhar aquela pequena pessoa, completamente indefesa no mundo, como alguém que precisava de mim INTEGRALMENTE.

E quando a profissão “MÃE” deixa de ser necessária, quando os filhos não dependem mais de nós, já se passaram 10 anos. Talvez não seja possível retomar tudo aquilo que foi deixado em segundo plano.

Eu não tenho resposta. Se eu tivesse a capacidade de voltar no tempo, faria alguma coisa diferente? Eu não sei!

Meus filhos são maravilhosos! Inteligentes, independentes, responsáveis. Uma escolha diferente poderia mudar o resultado final. Por isso é tão difícil saber.

E a mulher que é mãe carrega essa culpa eterna, feliz pelo resultado, mas sempre se questionando sobre as renúncias que teve que fazer.

 

 

– Sílvia Souza

(31/01/2015)

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6 Comments
  • Vanessa disse:

    Não assisti ao filme, mas acabo de me deparar com uma das maiores problemática que as mulheres “modernas” tem de enfrentar. Ao mesmo tempo de realizar-se profissionalmente e como mãe, um verdadeiro dilema a ser encarado!
    Caso se interesse, este é meu blog: https://quasemcrise.wordpress.com/

    • Silvia Souza disse:

      Olá, Vanessa!
      Obrigada por deixar seu comentário.
      Você já é mãe?
      Tenho 2 meninos maravilhosos e que dão sentido à minha vida.
      Mas confesso que já passei (e ainda passo) por vários questionamentos na minha vida… O fato de não estar mais sozinha e de ter que tomar TODAS as decisões levando em conta que tenho os 2 meninos que dependem de mim torna tudo mais complexo.
      Beijo e um lindo dia!
      (Obs: Passei a seguir seu Blog)

      • Vanessa disse:

        Não, não sou mãe. E, ainda tendo 17 anos, tenho uma mente mais voltada para meu futuro profissional do que nesses quesitos de ser mãe ou casamento. Mas, hoje, meu foco maior é minha carreira, mas daqui há 10 anos ou menos, não sei qual será. E, claro, vendo diversos casos vividos neste dilema, não posso deixar de colocar-me no lugar e sensibilizar-me!
        Desejo tudo de melhor para você e seus filhos. Não há nada mais precioso que eles, tenho certeza disso! Um belo dia!

        • Silvia Souza disse:

          Obrigada, Vanessa!
          O assunto da maternidade é muito, muito, muito complexo. Talvez mais do que você consiga imaginar por não o ter vivido ainda.
          Talvez, algum dia, eu consiga apontar todos os aspectos envolvidos…
          Eu tenho 44 anos, sou médica, tenho meus 2 meninos (adolescentes) e sou divorciada. Cuidei deles, amamentei, abri mão do meu investimento profissional por muitos anos. Tudo pesa muito pra mulher. E temos a questão do relógio biológico… ou seja, não dá para ser mãe depois de todas as conquistas profissionais.
          Eu não tenho soluções. Apenas dúvidas. Alegrias e sofrimentos.
          E se eu conseguir ajudar os outros com as minhas experiências, já ficarei feliz!
          Um lindo dia!

          • Vanessa disse:

            Um belo histórico de mulher! Primeiramente, parabenizo-a, pois só de olhar suas conquistas descritas, a vejo como alguém bem realizada. E faço minha as suas palavras. É um verdadeiro complexo para a mulher quando chega a fase de estar em meio a esta escolha. E, particularmente, acredito que quando chegar uma certa idade, de uma forma ou de outra, a mulher acaba tendo essa necessidade de abrir mão da carreira profissional para encarar essa nova etapa. Não sei bem como lidarei, e não sei como é passar por isso, mas assim como desejo a mim, desejo a todas que seja realmente uma fase na qual não seja frustrante. Já ouvi diversos relatos de mulheres que simplesmente são insatisfeitas pela opção de ter filhos e haver um certo “abandono” da carreira, por mais temporário que seja. Assim como relatos contrários! Prefiro crer que tudo depende muito de momentos, e para mim, espero que chegue o momento na qual sinta que a prioridade já não é tanta a carreira profissional! Com certeza, muitas mulheres deveriam ler suas palavras. Principalmente aquelas que neste momento vivenciam tal fase!

          • Silvia Souza disse:

            Obrigada, Vanessa, por tudo o que você escreveu!
            Beijo!

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