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Filme “Meu Rei” (“Mon Roi” – 2015)

Filme “Meu Rei” (“Mon Roi” – 2015)
Filme “Meu Rei” (“Mon Roi” – 2015)

Este é um filme de produção francesa, indicado para a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2015. É um drama tenso, bastante sofrido e que mantém um grande suspense sobre os problemas centrais até a metade do filme, mais ou menos.

Emmanuelle Bercot, ganhadora do prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes 2015 (juntamente com Rooney Mara por Carol), interpreta Tony, uma advogada que sofre um grave acidente de ski e precisa ficar um tempo em uma clínica de reabilitação para se recuperar de uma lesão em um dos joelhos. Enquanto ela permanece internada, vai fazendo uma retrospectiva da sua vida e da relação bastante tumultuada com Giorgio, interpretado por Vincent Cassel.

Eles se conheceram em uma casa noturna, sem maiores pretensões. Acabaram se envolvendo e Giorgio usava toda sua capacidade de sedução para manter Tony na relação, ocultando dela vários aspectos sobre si mesmo e sobre seus relacionamentos. Estas questões vão despontando pouco a pouco ao longo das lembranças e vamos entendendo a instabilidade emocional que Tony passa a apresentar depois de alguns meses de relacionamento.

Ele pede a Tony um filho e ela, envolvida pela paixão, acaba cedendo a esse desejo. Mas desde o início da gravidez, Giorgio passa a deixá-la sozinha, vai viver em outro apartamento, mantém uma relação extremamente próxima com a antiga namorada e demonstra um total desequilíbrio financeiro.

Tony fica cada vez mais depressiva, dependente de ansiolíticos, calmantes e outras medicações, que precisa usar, inclusive, durante a gestação. Ela não tem coragem de romper a relação, porque sonha em construir uma família tradicional para o filho, com pai e mãe vivendo juntos; mas ao fazer esse esforço, ela vai, pouco a pouco, destruindo-se, chegando a tentar o suicídio. Como se não bastasse, todas as suas falhas decorrentes da depressão e da ansiedade serão usadas por Giorgio contra ela quando ela ameaça pedir o divórcio. E ela passa a ter medo de perder a guarda do filho.

Sei que é um drama tenso e que não agrada a todas as pessoas. Mas o que mais me conquistou nesse filme foi o aspecto absolutamente real dessa relação. Não é uma relação impossível, dessas que existem apenas na ficção. Esse relacionamento doentio entre Tony e Giorgio é muito mais comum do que podemos imaginar. Eu já vi acontecer com muitos casais e eu mesma já vivenciei algo semelhante.

E é impressionante como podemos, de fato, entrar em um estado psiquiátrico totalmente descompensado por causa de outra pessoa. E é óbvio que o outro (da mesma forma que Giorgio) vai negar qualquer responsabilidade em nossa mudança emocional. E ele de fato acredita nisso e não conseguirá nunca enxergar o retrato completo da convivência patológica entre os dois. Vejo como existem pessoas egocêntricas e tão vaidosas que são incapazes de ver algo que esteja a um palmo de distância dos olhos. Algumas pessoas olham apenas para si mesmas e nem ao menos é para seu interior, para seu comportamento, mas apenas para seu prazer e como obter benefícios das outras pessoas à sua volta.

O filme retrata tudo isso. Essa relação mórbida que quase destruiu a vida de Tony, até ela ter coragem de mudar.

 

 

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