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Filme “Julgamento em Nuremberg” (1961)

Filme “Julgamento em Nuremberg” (1961)
Filme “Julgamento em Nuremberg” (1961)

Apenas recentemente assisti a este filme clássico e maravilhoso. Na minha busca por compreender o que aconteceu no mundo na época da Segunda Guerra Mundial, com todos os seus eventos terríveis, acabo lendo muito a respeito e vendo muitos filmes com diferentes visões ou mostrando detalhes ainda não abordados.

Não achei que este filme fosse ser tão bom. Por ser uma produção americana, achei que fosse dar, mais uma vez, sua versão da história, como o grande salvador do mundo e responsável pela derrota de Hitler. Mas não foi assim. O enredo do filme é muito bom e tenta colocar todos os aspectos dos acontecimentos.

O filme retrata o julgamento de alguns juízes que atuaram sob o Terceiro Reich. A maioria dos militares e médicos nazistas já tinham sido julgados e condenados, alguns à pena de morte. Neste momento, o julgamento era dos juízes e a colocação central é se havia como eles serem culpados se o que eles fizeram durante o regime foi apenas seguir a lei. Cabia a eles questionar a lei? Ou apenas fazer com que fosse cumprida?

Um juiz dos Estados Unidos vai presidir o julgamento. E o grande mérito do filme são as falas e os diálogos dos personagens. O juiz é extremamente sensato e tenta cumprir seu dever, apesar das pressões do governo americano para evitar as condenações, já que eles queriam ter a Alemanha como aliada e não correr o risco de perdê-la para a influência crescente do comunismo. E o advogado de defesa alemão dá um show nas suas considerações finais. Nada foi simples no que envolveu a Segunda Guerra. A maioria dos países tinha o peso na consciência por ter permitido que as coisas chegassem àquele horror. Estados Unidos e Inglaterra demoraram a tomar uma atitude; União Soviética foi quase aliada da Alemanha nos primeiros 2 anos da Guerra; muitos optaram por se manter neutros por interesses econômicos; muitos dos que foram conquistados, praticamente se entregaram, porque havia um pensamento ideológico parecido.

É um filme altamente recomendado para todas as pessoas que gostam de filmes clássicos.

Gostaria de citar alguns fatos interessantes que envolveram alguns atores que integraram o elenco.

    1. Marlon Brando queria interpretar o advogado alemão Hans Rolfe. Mas o diretor estava tão impressionado pelo desempenho de Maximilian Schell no papel que ele já interpretava na TV, que eles decidiram arriscar e ficaram com ele, apesar de ser um ator desconhecido. Maximilian Schell acabou ganhando o Oscar de Melhor Ator e tornou-se o ganhador do Oscar nesta categoria mais mal remunerado.
    2. Muitos dos atores do elenco trabalharam no filme por um cachê abaixo do que recebiam normalmente, porque acharam que o assunto retratado era muito importante.
    3. Sempre negando sua idade e cuidadosa em relação à sua imagem, Marlene Dietrich submeteu-se a uma cirurgia estética (não era a primeira) antes do início das filmagens. O resultado, acentuado pela iluminação, foi uma limitação dos movimentos de sua boca e de suas expressões faciais.
    4. As cenas de filmes que são exibidas durante o julgamento são reais dos campos de concentração.
    5. Em 2013, este filme foi selecionado pela Biblioteca do Congresso americano para ser preservado no National Film Registry.
    6. Foi difícil para Marlene Dietrich filmar a cena de sua personagem Mrs. Bertholt com o Juiz Haywood quando ela afirma que os alemães não sabiam das atrocidades que os nazistas cometeram durante a guerra. Marlene Dietrich trabalhou para os Aliados durante a guerra, contra os nazistas e teve dificuldade de manter a concentração durante sua fala.
    7. Foi o primeiro papel oferecido para Judy Garland desde do filme “Nasce uma estrela”, no qual ela trabalhou fazia 7 anos.
    8. As filmagens foram em Nuremberg, na Alemanha.
    9. Quando o filme foi lançado em 1961, 29 estados americanos tinham fronteiras eugênicas que praticavam ativamente esterilizações forçadas. Além disso, as leis de miscigenação estavam ativas e eram legais em muitos estados americanos até 1967.
    10. Judy Garland tinha engordado bastante desde sua atuação em “Nasce uma estrela” e queria fazer uma dieta antes das gravações; mas como ela interpretou uma alemã pobre, o diretor Stanley Kramer achou que sua aparência estava de acordo com o papel.

Considerações finais do advogado de defesa alemão:

Meritíssimo, é meu dever defender Ernst Janning, mas Ernst Janning disse que é culpado. Não há dúvida, ele sente sua culpa. Ele cometeu um grande erro ao acompanhar o movimento nazista, esperando que fosse bom para seu país. Mas, se ele deve ser considerado culpado, há outros que também seguiram e que também devem ser considerados culpados.

Ernst Janning disse, “Nós tivemos sucesso além de nossos sonhos mais selvagens”. Por que tivemos sucesso, Meritíssimo? E o resto do mundo? Não conheciam as intenções do Terceiro Reich? Não ouviram as palavras das transmissões de Hitler em todo o mundo? Não leram suas intenções em “Mein Kampf“, publicado em todos os cantos do mundo?

Onde está a responsabilidade da União Soviética, que assinou em 1939 um pacto com Hitler, permitindo-lhe fazer a guerra? Não devemos julgar a Rússia culpada?

Onde está a responsabilidade do Vaticano, que assinou em 1933 o Concordat com Hitler, dando-lhe seu primeiro tremendo prestígio? Não devemos julgar o Vaticano culpado?

Onde está a responsabilidade do líder mundial, Winston Churchill, que disse em uma carta aberta ao London Times em 1938 – 1938, Meritíssimo! – “se a Inglaterra sofrer um desastre nacional, deve orar a Deus para enviar um homem da força de mente e de vontade de um Adolf Hitler!” Não devemos julgar Winston Churchill culpado?

Onde está a responsabilidade dos industriais americanos, que ajudaram Hitler a reconstruir seus armamentos e lucraram com essa reconstrução? Não devemos julgar os industriais americanos culpados?

Não, Meritíssimo. Não! A Alemanha não é culpada sozinha: o mundo inteiro também é responsável pela Alemanha de Hitler.

É uma coisa fácil condenar um homem no banco dos réus. É fácil condenar o povo alemão a falar da falha básica no caráter alemão que permitiu que Hitler subisse ao poder e, ao mesmo tempo, ignorasse positivamente a falha básica de caráter que fez os russos firmarem pactos com ele, Winston Churchill o elogia, os industriais americanos lucram com ele!

Ernst Janning disse que é culpado. Se for, a culpa de Ernst Janning é a culpa do mundo – nem mais nem menos.

Fonte das informações: IMDB

 

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