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Filme “Insubstituível” (2016)

Filme “Insubstituível” (2016)
Filme “Insubstituível” (2016)

O filme francês “Insubstituível”, do diretor Thomas Lilti, tem como ator principal o excelente François Cluzet. O nome na versão original é “Médecin de campagne“, que seria algo como médico do campo, alguém que faz medicina de família, generalista, mas que exerce sua função em pequenas cidades e na zona rural.

O filme se passa em uma pequena localidade do norte da França. O médico Jean-Pierre Werner (François Cluzet) é o único médico que atende a região. Ele trabalha todos os dias, sem descanso, atendendo na casa das pessoas ou em um centro médico bastante simples que conta com infraestrutura básica.

Mas Jean-Pierre acaba de descobrir que está com um tumor cerebral e terá que iniciar um tratamento com quimioterapia. Ele não quer contar para ninguém, nem quer uma pessoa para ajudá-lo no trabalho.

Mesmo assim, uma médica recém formada, Nathalie, é encaminhada para trabalhar com ele. Ela não é jovem, porque tinha sido enfermeira por mais de 10 anos, em atendimento de urgências, até que conseguisse fazer o curso de Medicina.

Jean-Pierre é muito duro com ela no início e vai com ela aos pacientes mais difíceis como uma forma de testá-la. Mas ela é absolutamente paciente e está preparada para aguentar seu jeito rabugento e está aberta a aprender tudo o que ele tem para lhe ensinar.

Aos poucos, Nathalie vai conquistando a confiança de Jean-Pierre. E eles passam a trabalhar bem em conjunto. Ela também é bastante atenciosa e cuidadosa com os pacientes e com a população do local e se mostra mais habilidosa em algumas situações.

Aproveitando o enredo desse filme, pensei bastante sobre a profissão médica.

Talvez, a maioria dos médicos e das pessoas que olham para os médicos admirem de forma especial aqueles que estão na vanguarda, produzindo ciência e novos tratamentos de ponta para doenças comuns e para as doenças raras também. É claro que acho esse papel absolutamente admirável e não estaríamos onde estamos sem esse perfil de profissionais.

Mas, no meu ponto de vista, a maior beleza da medicina está no contato humano, em escutar os outros, prestar atenção aos pequenos detalhes; eu gosto mais desse tipo de medicina, que é tão importante quanto a outra que produz ciência e inovação.

Meu avô, pai do meu pai, era médico. Ele exercia a medicina em uma pequena cidade no interior do estado de São Paulo. Era um desses médicos de família, extremamente humano, com o consultório no andar térreo da casa onde morava com a família. Todos o conheciam. Quando eu estava no primeiro ano de residência no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, um colega estava atendendo um paciente idoso e comentou que eu era da mesma cidade que esse paciente. E o paciente contou ao meu colega que ele conheceu um médico nessa cidade que era uma alma muito humana, um homem excepcional. E depois falou o nome do meu avô, na verdade, a forma como ele era conhecido: Dr. Areinha. Isso mais de 30 anos depois dele ter conhecido meu avô! (Eu mesma não cheguei a conhecer meu avô)

Eu sei que não consigo desempenhar a medicina da mesma forma. Hoje os tempos são outros. Muitas pessoas não valorizam o trabalho médico e abusam de forma desmedida; outros simplesmente querem o médico de maior renome, independente do acolhimento. Em São Paulo, temos todos os perfis de profissionais.

Mas eu tento me espelhar nesse perfil mais acolhedor. Algum dia, espero conseguir chegar lá.

 

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