Passei a ser o nada
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Filme “Gemma Bovery” – 2014

Filme “Gemma Bovery” – 2014
Filme “Gemma Bovery” – 2014

Eu sou uma romântica incurável. Embora eu saiba, por experiência própria, que as histórias na vida real não têm finais felizes, estou sempre me imaginando em contos de fadas, romances impossíveis e lindas histórias de amor. Não é raro eu me apaixonar por um personagem de um livro ou pelo protagonista de um filme, em especial nos filmes românticos com intérpretes lindos.

Raramente me identifico com personagens fortes e decididas. Na maior parte das vezes, sou a mulher carente, indefesa, ingênua e que precisa de um protetor para defendê-la das dificuldades e dos problemas da vida.

Eu já desisti de tentar mudar esse meu jeito de ser. Sou assim. Acho que vou morrer esperando pelo príncipe encantado (que já está casado com outra mulher, tem suas filhas com ela e nem mesmo sabe da minha existência).

Partimos, então, de uma romântica incurável (como eu), assistindo a um filme francês, onde o personagem central é um sonhador apaixonado por literatura, que mora na Normandia, e ganha novos vizinhos chamados Charlie e Gemma Bovery. Não precisou muito para que ele imaginasse estar vivendo a história do livro “Madame Bovary” de Gustave Flaubert, de quem é grande admirador.

Fiquei imaginando que eu pensaria a mesma coisa. As coincidências que a vida nos traz sempre rendem grandes histórias. Basta apenas um pouquinho de criatividade e imaginação.

Martin Joubert (Fabrice Luchini), o sonhador, mistura a realidade e a obra literária e perde a capacidade de separar as duas coisas. É absolutamente natural que nosso cérebro molde a verdade de acordo com o que esperamos. Há sempre um pouco das nossas expectativas em cada fato que vivemos ou em cada personalidade das pessoas com quem convivemos. Alguém é capaz de filtrar toda sua percepção individual ao analisar um evento ou um objeto, mesmo que seja algo concreto e isento de subjetividade?

Sofremos influências em maior ou menor grau. Seja de outras pessoas, de histórias do nosso passado, de livros, filmes, crenças, verdades presumidas… Captamos partes das cenas do nosso cotidiano e inserimos parte de nós mesmos. Talvez por esse motivo, duas pessoas possam ter visões tão diferentes sobre um mesmo acontecimento.

E o filme é isso. É uma história sobre percepções. Sobre o que vemos de fato ou julgamos ver por causa da realidade que construímos na mente e na qual passamos a acreditar.

Talvez o filme nem seja sobre isso. Talvez seja uma historinha boba sobre um adultério. Mas eu acho mais interessante a minha visão subjetiva e sonhadora.
 

 

– Sílvia Souza

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