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Filme “Funcionário do Mês” (“Quo vado?” – 2016)

Filme “Funcionário do Mês” (“Quo vado?” – 2016)
Filme “Funcionário do Mês” (“Quo vado?” – 2016)

 

Assisti a este filme recentemente, alugado no Now, de forma despretensiosa. Vi o trailer e achei que poderia ser divertido. Ao término, posso dizer que gostei muito. É uma comédia divertida com muitas críticas ao mundo atual.

O personagem do filme é Checco, que tem o mesmo nome do ator que o interpreta, Checco Zalone. Desde a infância, quando perguntado sobre o que queria ser quando crescesse, sua resposta era: funcionário público. Na Itália, o funcionário público se assemelhava muito com a situação no Brasil e talvez em outros países: tem estabilidade no emprego, décimo terceiro salário, direito a licenças, aposentadoria e inúmeras outras vantagens. Acho que muitas coisas vêm mudando e as mudanças são necessárias. Mas era exatamente assim… Minha mãe sempre me dizia que eu deveria passar em um concurso público para ter as vantagens que o Estado oferece. Diga-se de passagem, oferece com o dinheiro pago pelo contribuinte.

O fato é que Checco consegue realizar seu sonho e se torna funcionário público em uma pequena cidade na Itália. Sua função é carimbar autorizações de caça. Ele pode entrar no trabalho no horário que quiser, porque o cartão de ponto já está batido; já vai para o café, onde passa grande parte do tempo conversando com os colegas. Eu sei que as coisas não são assim e que o filme exagera para dar seu ar cômico. Eu valorizo todo tipo de trabalhador, seja empregado do governo ou da iniciativa privada. Apenas acho importante ressaltar que nenhum país tem condições mais de ficar pagando por privilégios.

Eis que a Itália vai passar por uma reforma do serviço público. E, tirando alguns em condições particulares, os demais serão transferidos para lugares onde há necessidade de pessoas. O intuito do governo é levar a demissões voluntárias de alguns funcionários. Mas Checco se recusa a assinar a demissão. E vai sendo transferido para vários lugares da Itália. Entretanto, para ele não é um castigo; ele vai passando pelos lugares como se estivesse de férias.

Resolvem, então, enviá-lo para o Polo Norte, para ajudar na preservação dos ursos polares; e ele vai para a Noruega. Aqui, entra um outro aspecto muito interessante do filme: o contraste entre a organização social dos países nórdicos e dos países latinos (apenas a Itália é mencionada). Fala-se do respeito, da tolerância, da aceitação das diferenças, da contribuição de cada pessoa como cidadão. Até que pesa uma grande vantagem da Itália sobre a Noruega: os dias ensolarados e quentes.

Checco resolve voltar para a Itália e a mulher com quem ele morava na Noruega e seus filhos partem com ele. Ela tenta se adaptar, mas a burocracia e a corrupção na Itália são enormes, assim como o desrespeito à mulher. Ela resolve ir embora sem dizer para onde. Checco volta a trabalhar na pequena cidade onde seus pais moram, sentindo falta de Valeria. Até que ela liga para contar que está grávida e conta que está morando em um país da África. Ele parte atrás dela. E o filme volta a mostrar contrastes interessantes entre a Europa e a África.

Eu sou uma pessoa sonhadora e bastante idealista. Talvez fosse bom ser diferente; acho que eu sofreria menos. Mas, ao longo da minha vida, percebi que não conseguimos mudar nosso cerne, aquela parte que nos caracteriza como pessoa; então, já desisti de tentar mudar este aspecto em mim. Eu vejo o mundo como um lugar único. Tentamos compartimentar em continentes, países, acordos de união (Comunidade Europeia, Mercosul, OTAN, etc), estados, cidades, bairros… Tentamos nos isolar daqueles que não queremos à nossa volta, seja por questões de nacionalidade, religião, etc… Vemos isso nos países que estão cada vez mais nacionalistas e defensores das fronteiras. Não digo que isso seja errado. Eu entendo o sentido. É tudo uma questão de segurança da população que os governantes precisam defender. As agressões, o ódio, a intolerância, o desrespeito estão aumentando. É uma necessidade aumentar a proteção. Mas o isolamento é impossível! Temos que o olhar o mundo como um todo.

Não adianta haver uma sociedade incrivelmente desenvolvida na Europa e uma parte do mundo vivendo na miséria, sem água, comida e medicamentos básicos para manter a saúde. É claro que vai haver revolta.

Eu não sei qual a solução. Gostaria de saber. Mas não dá para fechar os olhos e pensar apenas na própria vida, no próprio emprego, nos próprios benefícios, como se todo o resto não nos dissesse respeito. Não consigo ver dessa forma. Já disse… sou uma idealista. Não sou comunista, mas acho que devemos pensar no todo.

A gente pode fazer algo, não pode? No bairro? Na comunidade? Na cidade? Pode-se começar pequeno, no local onde moramos…

Afinal, o que tem tudo isso a ver com o filme? É que quando ele se muda para a África e alguns contrastes ficam muito evidentes, ele percebe a importância de deixar de pensar apenas em si mesmo e ajudar quem precisa. E ele sente uma grande satisfação.

Essa é realmente uma comédia bem despretensiosa. Mas que me fez pensar em muitas coisas por causa dos pequenos detalhes do filme. Vale a pena assistir… pensar… e tentar mudar…

– Sílvia Souza

 

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4 Comments
  • Interessante o enredo! Também acredito que devemos pensar no todo e, mais que isso, incentivar as pessoas ao redor a fazerem o mesmo – infelizmente, entre trancos e barrancos a situação do país vai nos afastando desse ideal, afinal, como ajudar o próximo se nós mesmos passamos 10 horas dentro de uma empresa e mais umas 2 horas no trânsito? Não é impossível, mas demanda uma vontade que se solidifica com o tempo e com a convivência com outras pessoas dispostas a fazer o mesmo.

    Abraços!

    • Silvia Souza disse:

      Você tem razão, Darlene. Definitivamente, não é fácil, ainda mais aqui, onde o Governo abocanha uma boa parte do que ganhamos e não retorna da forma correta para a população mais necessitada.
      Mas acho que se cada pessoa se propuser a fazer um pouquinho, acabamos fazendo diferença, não é?
      Um beijo grande!

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