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Filme “Cinco Graças” (“Mustang” – 2015)

Filme “Cinco Graças” (“Mustang” – 2015)
Filme “Cinco Graças” (“Mustang” – 2015)

 

“Cinco Graças” é um filme que concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2016, assim como ao Globo de Ouro na mesma categoria. Foi vencedor da categoria Label Europa Cinemas no Festival de Cannes. É um filme turco que me emocionou muito. Quem tiver a chance de vê-lo, não deve deixar passar.

São cinco irmãs adolescentes criadas pela avó, porque os pais morreram. Elas moram em uma pequena cidade na Turquia próxima ao mar. Estão sempre juntas e são criadas com relativa liberdade. Em um dia de verão, saem da escola e resolvem voltar a pé, já que está um lindo dia. Acabam entrando no mar, onde brincam por um tempo entre si e com mais alguns colegas.

Quando chegam em casa, a avó já tinha sido avisada do comportamento “obsceno” das meninas e, a partir desse momento, a vida delas muda drasticamente. A avó e o tio resolvem que devem impor limites para o comportamento delas e arrumar o casamento de cada uma delas “antes que seja tarde demais”. A mais velha é obrigada a fazer um exame para comprovar sua virgindade. Elas são proibidas de sair ou de ir à escola e passam a viver trancadas dentro de casa, tendo aulas de culinária, de costura, limpando e arrumando tudo.

A cada tentativa de fuga ou de pequenas escapadas da casa, mais limitações são impostas, com grades, portões, elevação dos muros. E a casa vai se transformando de fato em uma verdadeira prisão.

A mais velha acaba se casando com o namorado. Para a segunda, cabe-lhe um casamento arranjado, com um rapaz que ela conheceu apenas no dia do acordo nupcial.

E daí em diante, o filme se desenrola, sendo narrado sempre pela caçula das cinco.

O que ainda me incomoda muito é que esse papel de submissão das mulheres ainda é muito presente nos dias de hoje. E não acho que seja apenas em países distantes. Em maiores ou menores proporções, isso acontece em quase todos os lugares. São raros os países em que prevalece a igualdade e a aceitação completa da liberdade da mulher tanto quanto do homem. E não são as leis que precisam mudar. Muitas vezes, as leis são igualitárias. O maior problema é o que está na cabeça das pessoas, o que vem da educação, dos exemplos, da religião. Não acho que as coisas vão mudar por imposição. Precisa haver uma mudança de percepção. Deve-se entender que todas as pessoas são iguais e devem ter os mesmo direitos e as mesmas liberdades.

Eu sei que já houve evolução. Mas o caminho ainda é longo.

– Sílvia Souza

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4 Comments
  • Carlos Moya disse:

    Olá Silvia, acho que a mulher é considerada mais como um bem intercambiáveis que un ser dotado de direitos humanos inalienáveis. Talvez mais no ambiente da cultura islâmica em que sobrevivem costumes bárbaras. Naguib Mahfouz traça em suas obras um retrato fiel da vida na intimidade egípcia. Creio, portanto, as conveniências familiares como responsáveis pelo atraso dos direitos das mulheres. Eu tinha um amigo árabe que eu não poderia convencer da necessidade de seu país de libertação das mulheres para o acesso aos bens que o desenvolvimento económico proporciona. Uma pena. Um abraço.

    Sobre este autor, se você tem interesse
    https://bymoya.wordpress.com/2015/12/31/de-azucar/

  • claudio kambami disse:

    Longo, difícil mas não impossível. Sonhamos sim com esse dia, mas além de sonhar devemos estar sempre agindo para que ele não continue a ocorrer e o mais rápido possível e o quanto antes. Sabemos bem o estrago que ele gera e não somente em quem ele é imputado mas em suas gerações. 🙁

    • Sem dúvida…
      Eu batalhei minha vida toda tentando essa igualdade e tento passar isso para meus filhos. Mas há momentos em que sinto que a sociedade regride e que aumenta a repressão à mulher…

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