Now reading

Filme “Cidades de Papel” – 2015 (“Paper Towns”)

Escritor: Ziraldo
Next post
Filme “Cidades de Papel” – 2015 (“Paper Towns”)
Filme “Cidades de Papel” – 2015 (“Paper Towns”)

Quando eu assisti ao filme “A Culpa é das Estrelas”, quase me acabei de chorar. No mesmo dia, comprei o e-book do livro de John Green e fiz uma leitura dinâmica. O fato é que a leitura não me agradou tanto quanto o filme. Uma situação que costuma ser rara: do filme ser melhor que o livro. O fato é que a linguagem do livro é muito pobre. Sei que ele é destinado ao público adolescente. De qualquer forma, tem seu mérito por estimular a leitura. Mas já fiquei com um pé atrás em relação ao fenômeno literário americano.

Quando estreou o filme “Cidades de Papel”, fiquei com vontade de assistir, mas não tinha uma expectativa muito grande. Todas as críticas falavam que não era tão bom quanto “A Culpa é das Estrelas”.

Acabei não conseguindo ir ao cinema. Assisti ontem no Now, em parte atendendo ao pedido do Leandro Tissiano do site Pro seu dia ficar melhor.

Mesmo com as minhas expectativas baixas, o filme ainda conseguiu me decepcionar. Ele tem um ritmo lento, como se houvesse pouco enredo para o tempo que deve cumprir. Nenhum dos atores consegue realmente conquistar com boa atuação e carisma. A atuação que mais me agradou foi do ator Austin Abrams, que faz o papel de Ben, um dos amigos de Quentin, o personagem principal.

Mas o que mais me incomodou foi o fato de ser um filme adolescente, com tudo de um filme adolescente, mas que tentou ter um ar filosófico e adulto demais.

É claro que os adolescentes podem gostar de filosofia e de refletir sobre a vida e suas questões. Mas não é comum. O adolescente experimenta novas vivências, busca extremos, expõem-se a riscos. Isso é fato. Mas não me parece natural que ele busque refletir sobre a existência, sobre seu papel no mundo.

Posso estar errada sobre tudo isso. Mas foi minha impressão.

A maioria das pessoas da minha faixa etária assistiu a um filme chamado “Clube dos Cinco” (título original: “The Breakfast Club”) de 1985. Esse é um filme adolescente também e que traz vários questionamentos, mas são questionamentos típicos da adolescência: namoros, certo e errado, transgressões, futuro. 

Mas “Cidades de Papel” não me convenceu; não me pareceu verossímil. Algo não fez sentido na história. Algo não se encaixava com perfeição no enredo e nos diálogos.

Não sei. Foi uma sensação. Um incômodo. Uma impressão.

 

 

– Sílvia Souza

Written by

22 Comments
  • Superduque777 disse:

    No lo olvides
    También tenemos un blog, y si no nos votais que no os seguiremos,,,
    https://superduque777.wordpress.com/

  • Silvia, seu blog está lindoooo!!! Bjs

  • Silvia, obrigado por dispor de seu tempo para fazer esta análise. Parece que apenas eu vi algo de bom nesse filme. Concordo que questões sobre a vida, principalmente as que a gente carrega para a vida adulta não se passa na maioria da cabeça dos jovens, mas eu me concentrei muito no rapaz que foi a procura dela. No final das contas ele percebeu que ela era só uma garota, e aquele frisson que ele sentia era só uma ilusão. Ele fez coisas audaciosas ao lado dela por medo te perder outra change de ficar ao lado dela novamente, como ele havia perdido na infância. Foram momentos de choque, e agora, vou com ela ou levo a minha vida? E na escola ela era popular, bonita, os garotos queriam ficar perto dela. Talvez isso fosse as questões que o fizeram se iludir com ela. O roteiro é devagar, meio vago, mas como eu disse, a minha percepção ficou focado nele, e a mensagem final que eu pude tirar foi o que ele disse, amigos e pessoas importantes eram aqueles que estavam curtindo as coisas com ele. Ao contrário disso, a garota também estava curtindo muito a sua liberdade, mas apenas com ela mesma e não compartilhando de suas alegrias com ninguém. Ele preferiu manter a tradição do que ousar como ela fez. Obrigado mais uma vez Silvia e desculpe por um comentário tão extenso quanto este. Beijo

    • Silvia Souza disse:

      Boa noite, Leandro!
      Tudo bem?
      Eu não sou uma profunda conhecedora de filmes. Apenas analiso de uma forma mais reflexiva com uma visão muito pessoal e pouco objetiva. E creio que cada pessoa possa ter sua própria interpretação e opinião.
      Eu só achei meio improvável para a idade deles, no contexto completo do filme. Não sei… pode parecer meio maluco… mas, por mais fictícia que uma história seja, acho que eu espero algum nexo, como se algumas peças precisassem se encaixar.
      Eu gostei muito das suas observações. Acredito que, por algum motivo muito particular, você tenha se sentido tocado pelas dúvidas do Quentin, pela escolha que ele teve que fazer entre o que estava programado há anos ou a aposta no desconhecido (e arriscado). Essas são escolhas pelas quais os jovens passam mesmo. Está entre os fatos que julgo coerentes do filme.
      Talvez o que tenha faltado para mim tenha sido justamente a ausência de uma identificação minha com algum dos personagens. Talvez minha análise tenha sido mais distante.
      De qualquer forma, sou apenas uma mulher que gosta de refletir e levantar questões.
      E foi muito bom perceber outros pontos de vista sobre um mesmo tema (no caso, filme).
      Isso apenas amplia as perspectivas.
      Um beijo e uma boa noite!

  • laynnecris disse:

    Oi, Silvia… eu não vi esse filme e nem outro “A culpa das Estrelas”. Mas, li os dois livros. Eu tive que vestir minha pele de adolescente e até que gostei das leituras. Na verdade quando leio sempre tento focar algo que me interesse.

    O Green faz muitas referências de outros autores e tal, e sem contar que ele mesmo é um “nerd” assumido.

    O Cidade de Papel é uma história meio fantasiosa, verdade. Mas, posso dizer que ri bastante com esse livro, não sei se o filme mostrou todas as cenas ou se matou o enredo como em muitos filmes que já vi. Mas, o que guardo da leitura desse livro é que conheci o poeta Walt Witman que eu não conhecia ainda.

    Mas, depois que assisti “O porto seguro” meio que perdi o interesse de ir ao cinema para ver os filmes de livros.

    Um beijão

    E que cantinho mais charmoso o seu está ficando! <3

    • Silvia Souza disse:

      Oi, Laynne!
      Vou fazer uma confissão feia (mas já fiz essa confissão em outros textos que escrevi…). Eu tenho um pouco de preconceito com os escritores americanos contemporâneos. São pouquíssimos os que gosto (se é que haja algum). Feio isso, não é?
      Quando eu li “A Culpa é das Estrelas” (quase uma leitura dinâmica), não gostei da linguagem tão pobre (de novo, tenho um pré conceito dos escritores). Eu não sei quanto a você (que é bem mais nova), mas não havia tanta literatura juvenil quando eu era adolescente. Eu lia grandes clássicos, Agatha Christie, Machado de Assis.
      De qualquer forma, falando da diferença entre o filme e o livro, no caso de “A Culpa é das Estrelas”, o filme foi bastante fiel. Apenas achei que no filme, alguns diálogos e frases ficaram mais trabalhados, de forma que deram um efeito muito bom.
      Não li “Cidades de Papel”. Mas pelo que você comentou, não foi tão fiel assim. O Quentin acha o livro de Walt Whitman no quarto da Margo e encontra algumas frases grifadas ou assinaladas, sendo que uma delas serviu como pista. Mas não há maiores referências ao poeta nem ao seu livro.

      Sobre meu cantinho… é graças a você!!!
      E outras pessoas fizeram elogios também!
      Sou eternamente grata!
      Um beijo grande!
      <3

      • laynnecris disse:

        Eu aprendi a ler lendo obras do estilo série vagalume, os clássicos que eram destinados para escola naquela versão com cortes e tal. É claro que quando você se habitua a um estilo literário ficamos mais ariscos a gostar de outra coisa. Ainda mais quando se é inserido ao mundo da leitura com um Machado de Assis…
        Eu, particularmente não me prendo a nacionalidade. As vezes quando comprava um livro é mais pela sinopse. Ai, quando me gosto muito investigo tudo sobre o autor. Hoje em dia tenho mudado alguns hábitos e as vezes nem dá tempo de fazer tudo o que se quer… (infelizmente).

        Um grande abraço… e obrigada pelo carinho de sempre… <3

        • Silvia Souza disse:

          Eu fui muito pedante nas minhas colocações?
          Me perdoe se fui… não era minha intenção…
          E a coisa com os americanos, foi por acaso… de ler e não gostar, até me dar conta que eram os escritores americanos que eu rejeitava na maioria das vezes. Parece que eles escrevem pensando na possibilidade do livro se tornar um roteiro de filme…
          Acho que estou ficando uma velha muito ranzinza e cheia de manias

          • laynnecris disse:

            Ah, não! De modo algum… Acho bem normal a forma como gostamos de algo ou não.

            Mas, acredito que tem escritor que escreve um livro bom e depois é meio que “impulsionado” a escrever outras coisas para agradar o mercado… E isso com certeza empobrece muito mesmo as histórias.

            Acho que você tem excelente gosto e já não se impressiona com qualquer coisa! Mas, isso é uma qualidade e algo que todo leitor vai almejando com o amadurecimento …

            Não tem nada de ranzinza! Vc é 10!

  • Jamile disse:

    Silvia, primeira vez que acesso seu blog essa semana, visitando a página ao invés do painel de leitura, e nossa, está lindo. Adorei o tom laranja, eu amo. Parabéns.
    Cidades de Papel foi um dos primeiros livros que eu li esse ano, pois já o tinha em casa. E realmente ele tem muito dessa fantasia adolescente por parte do Quentin, enquanto a Margot se volta a reflexões mais complexas que um adolescente gostaria de pensar.
    Mas logo de cara, quando anunciaram que seria lançado o filme, suspeitei que não fosse ser tão bom quanto. No livro tudo flui de uma forma que faz sentido os pensamentos da Margot, tudo é muito bem justificado. Se pararmos para analisar, a adolescência, seguida da meia idade, são as épocas em que nos tornamos mais reflexivos, questionando nossas próprias vidas, e como você mesma citou, nossa própria existência – não todos, vale ressaltar -.
    Não costumo tomar por comparação filme e livro quando ambos existem, pois sinceramente me dou melhor com os filmes, mas acredito que nesse caso, ocorreu uma falha na escolha do elenco, e até mesmo no roteiro e direção, pois assistindo ao trailer divulgado, não senti nem um pingo da emoção e da mensagem passada pelo livro, até por isso não tive interesse em assistir.

    • Silvia Souza disse:

      Oi, Jamile!
      Obrigada pela visita, pelo comentário e pelo elogio.
      O elogio tem que ir para a Laynne Cris do Blog Meu Espaço Literário. Foi ela que fez tudo pra mim. Ficou muito especial!
      Inclusive, acabei de responder a um comentário dela, onde ela descreveu um pouco do livro. E pelo que vocês duas escreveram, acho mesmo que o filme deve ter perdido muito do conteúdo do livro. A história não me cativou. O ritmo do filme não ajuda. E o elenco não transmitiu o que deveria.
      Quanto às reflexões da adolescência e da meia idade, já passei pela primeira e estou vivendo a segunda. Mas são reflexões muito diferentes.
      Na adolescência, há a necessidade de viver intensamente, os riscos são menos analisados em prol de experimentar todas as novidades; as escolhas são pesadas no sentido de decidir o futuro, mas ainda é muito difícil pensar em um futuro que ultrapasse 10 anos adiante. Uma das maiores decisões é escolher o curso de graduação. O que virá depois ainda não consegue ser planejado.
      Na meia idade, a gente reflete sobre o sentido da vida, porque acordamos cedo para trabalhar todos os dias, o que queremos deixar como legado, quando a morte vai chegar, o que ainda gostaríamos de fazer enquanto houver vida. Mudam muito as perspectivas.
      E, nesse aspecto, levando em conta que não li o livro, é que achei que algumas colocações que são feitas no filme não parecem de adolescentes; são reflexivas em outros sentidos; sentidos que exigiriam vivência, coisa que a Margot certamente não tem.
      É isso…
      Obrigada por deixar sua opinião.
      Um beijo grande!

  • Juliana Lima disse:

    Cidades de Papel S2
    Não curti a Culpa é das estrelas ( sei que os fãs irão me matar ehehehe) não gosto de coisa sofrida que me desidrata de tanto chorar, mas Cidade de papel achei mais interessante. O filme não assisti, mas estou louca para ver.
    Amei sua capa ( Parabéns Laynne, arrarou!) ficou bem suave e tranquila, a sua cara.
    Beijãoooooooo

  • Queria ter lido todos os comentários, mas ainda não vi o filme. Quando vi o trailer no cinema, me deu uma vontade enorme de assisti-lo, mas acabei esquecendo-o. Apesar da crítica negativa, ainda estou curiosa. Ouvi coisas boas e ruins, será que concordarei com a sua impressão? Ps: assisti A Culpa é das Estrelas e não chorei não (já sabia do final – ODEIO spoilers rs), mas achei um belíssimo filme.

Instagram
  • #anaïsnin #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #florbelaespanca #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #florbelaespanca #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #patríciareis #citações #reflexõesdesilviasouza
  • #marcoaurélio #citações #reflexõesdesilviasouza