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Filme “Chocolate” – 2000 (“Chocolat”)

Filme “Chocolate” – 2000 (“Chocolat”)
Filme “Chocolate” – 2000 (“Chocolat”)

Tarde de sábado fria e chuvosa. Meus filhos estão com o pai. Estou sozinha em casa. Pensei em passar o dia lendo, mas o desejo de sons e vozes fez com que eu procurasse um filme.

Confesso que tenho ficado desanimada ao passar pelos títulos disponíveis no Now, Netflix, Claro Video, Telecine, HBO, iTunes. Eu queria uma mistura de comédia e romance, algo interessante, com um bom roteiro, que pudesse me tocar e… que fosse inédito para mim! Não é fácil atender a todos esses requisitos.

Procurei um pouco entre o que havia, consultei o IMDB e fiz minha escolha: “Chocolat”. Um filme de 2000, com Juliette Binoche, Johnny Depp, Alfred Molina, Judi Dench… não devia ser algo ruim. Por algum motivo (desconhecido), não assisti a esse filme nos cinemas.

Acho que minha escolha não poderia ser mais acertada! Era exatamente o que eu queria.

A história é bonita. E fiquei pensando na personagem de Juliette Binoche, mudando de cidade em cidade, em busca de paz de espírito que ela nunca iria encontrar, porque era dentro dela que estava a tormenta.

Às vezes, eu penso em fugir para um lugar diferente onde ninguém me conheça, para que eu possa começar de novo, sem expectativas das pessoas. Talvez eu encontrasse minha paz e minha felicidade.

Refletindo mais a respeito, me dou conta que isso nunca aconteceria; é dentro de mim que a mudança precisa acontecer. Não depende do lugar na Terra. A aceitação de quem sou tem que partir de mim. E enxergar que sou humana, cometo erros, e isso não é uma exclusividade minha.

Mas não foi apenas esse aspecto do filme que mexeu comigo. Na verdade, acho que o que mais me incomodou é uma coisa chamada INTOLERÂNCIA. O que faz com que algumas pessoas se achem superiores a outras e possam julgá-las, baseado no que quer que seja (religião, cultura, dinheiro, etc)?

A intolerância gera violência, guerras e é uma coisa que eu não consigo compreender. Pode ser ingenuidade minha.

O fato das pessoas serem diferentes apenas mostra que nem todos têm as mesmas habilidades ou dons. Mas de onde vem a certeza de alguns de que são melhores e com isso podem decidir os destinos de outros seres humanos?

Quase no final do filme, há um trecho de um sermão do Padre Henri, um padre católico, durante uma missa de um domingo de Páscoa. Achei muito tocante…

Aqui vai:

“Eu não sei ao certo qual deveria ser o tema do meu sermão hoje. Eu quero falar sobre o milagre da transformação divina de Jesus? Na verdade, não. Eu não quero falar da Sua divindade. Eu prefiro falar da Sua humanidade. Quero falar sobre como Ele vivia Sua vida na Terra. Sobre Sua gentileza, Sua tolerância…

Escutem, aqui vai o que eu acho. Eu acho que não podemos viver nossas vidas medindo nossa bondade por aquilo que nós NÃO fazemos, por aquilo que negamos a nós mesmos, por aquilo que resistimos e por quem nós excluímos. Eu acho que temos que medir nossa bondade por aquilo que nós abraçamos, por aquilo que criamos e por aqueles que nós incluímos.”

Amém! 

 

 

– Sílvia Souza

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