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Filme “Capitão Fantástico” (2016)

Filme “Capitão Fantástico” (2016)
Filme “Capitão Fantástico” (2016)

Apenas recentemente consegui assistir a este filme. Muitas pessoas fizeram elogios e a crítica estava muito boa. Ele foi indicado ao Oscar 2017 em uma categoria:

  1. Melhor Ator: Viggo Mortensen

Ele interpreta um homem, pai de 6 crianças, que resolve adotar uma vida selvagem com os filhos, vivendo em uma floresta, onde as crianças aprenderam a caçar o alimento e a cultivar os vegetais. Ele estipula horários de treinamento físico, mantendo os filhos sempre ativos, e horários de estudo, onde eles leem e discutem assuntos variados, de História a Física Quântica.

Eles fazem objetos de artesanato para vender e ganhar dinheiro, comprando apenas o mínimo necessário para o consumo. Embora os filhos acompanhem o pai nas visitas à pequena cidade próxima de onde moram e entrem em contato com outras pessoas, eles não desenvolveram uma habilidade social de convívio em uma comunidade outra que a própria família.

Tudo parecia ir bem, até que descobre-se que a mãe das crianças está internada, com um problema psiquiátrico de Distúrbio Bipolar há 3 meses. Quando o pai, Ben, liga para sua irmã para saber notícias da esposa, ele é informado de que ela se suicidou no dia anterior. Ele fala com seu sogro, que diz que não quer vê-lo no velório e acusa o genro da morte da filha.

Ben conta aos filhos sobre a morte da mãe. E adota uma postura de acordo com o ensinamento que deu aos filhos até então: dizer a verdade. Ele não relata apenas parte da história; ele diz exatamente o que aconteceu com a mãe deles e qual foi a ameaça que o avô lhe fez. Mesmo assim, os filhos pedem para irem ao velório da mãe e eles saem em uma viagem até o Novo México para se despedirem.

Naturalmente, muitos conflitos surgirão nessa jornada, do confronto das crianças com a sociedade americana, com a tecnologia, com a forma como outras crianças são educadas (em uma bolha alheia à realidade que não convém ser dita, isolados em seus mundos virtuais).

O filme é absolutamente encantador e permite muitas reflexões, em especial para quem tem filhos.

Apesar de eu não viver em meio a uma floresta e não ensinar meus filhos a caçarem para obter comida, sempre fui adepta da sinceridade e da absoluta franqueza ao educá-los. Nunca tive receio das perguntas e acredito na capacidade da criança de lidar com as situações de conflito. Meus filhos cresceram bastante maduros para suas idades.

Mas, muitas vezes, sinto que, com esse tipo de educação, acabei favorecendo um certo isolamento social. Eles não se enquadram totalmente entre os adolescentes da mesma idade, justamente por serem muito ponderados. Meu filho mais velho, com 16 anos, recusa-se a ir a festas quando ele sabe que a bebida será livre e a maioria dos amigos irá justamente para beber e ficar com alguém sem nenhum compromisso. Será que eu posso, de alguma forma, estar contribuindo para uma pior adaptação social, ao educá-los da forma como sou e como acredito que os cidadãos devem ser em uma sociedade?

Esse filme acabou me levando a ter estes questionamentos. Mas tanto no filme, quanto na minha casa, as crianças e os adolescentes parecem felizes ao adotarem uma postura ética, correta, dentro da verdade, sabendo que não escutarão mentiras e contos de fadas, isolando-os das realidades do mundo, que eles terão que enfrentar em algum momento. Por outro lado, talvez não estejam prontos para enfrentar as falsidades das pessoas e os jogos hipócritas que permeiam os convívios sociais.

Este filme me lembrou de um filme francês (“Vida Selvagem” de 2014), um pouco mais antigo, baseado em uma história real, em que o pai sequestra os dois filhos e passa a viver com eles no mato, escondido em comunidades hippies, acampando, até que os filhos passam a se sentir oprimidos pelas atitudes do pai e o denunciam.

Uma diferença absolutamente essencial na postura dos dois pais é que no filme francês, o pai que sequestra os filhos é bastante autoritário; embora seja hippie, é daquele tipo de pessoa que está tão certo de que seu modo de vida é o melhor que não aceita discutir e não aceita opiniões contrárias. No filme “Capitão Fantástico”, Ben é um pai aberto ao diálogo e o estimula; mesmo quando ele adota alguma atitude mais autoritária, ele volta atrás e pede para que os filhos se coloquem, argumentem e, em alguns casos, ele volta atrás em suas decisões.

É um filme excelente e vale muito a pena vê-lo.

 

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2 Comments
  • Marcia Reis disse:

    Esse filme é realmente excelente.
    Me fez lembrar o documentário Wolfpack (Netflix ), mas aqui a coisa é bem tensa. O pai resolve criar 7 filhos em NY, sem contato com pessoas de fora. E esses meninos crescem vendo o mundo através de filmes apenas. É muito bom este documentário, vale dar uma olhadinha nele.

    Hug

    • Silvia Souza disse:

      Oi, Marcia!
      Nunca tinha ouvido falar nesse documentário.
      Vou procurar no Netflix. Obrigada pela dica!
      Beijo grande!

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